O Baile das Loucas (Le bal des folles)

 

Análise de "O Baile das Loucas": Vale a pena assistir?

Recentemente, parei para assistir ao filme "O Baile das Loucas" (Le Bal des folles), disponível no Amazon Prime Video. Não sou de me deixar levar por dramas exagerados, então fui com uma expectativa mais técnica e analítica. O que encontrei foi uma produção sólida, que mistura suspense psicológico com um retrato histórico bem cru do final do século XIX.

Se você está procurando saber se o filme vale o seu tempo, sem enrolação e sem spoilers, aqui está a minha visão sobre essa obra francesa.

O contexto e a ficha técnica

Antes de eu falar sobre a direção ou a atuação, vamos aos dados frios. Para quem gosta de cinema, saber quem está por trás das câmeras é tão importante quanto quem está na frente.

O filme é baseado no livro homônimo de Victoria Mas. Ele se passa em Paris, mas a produção tem uma identidade muito própria.

  • Título Original: Le Bal des folles

  • Data de Lançamento: 17 de setembro de 2021 (mundial no Prime Video).

  • Direção: Mélanie Laurent.

  • Elenco Principal: Lou de Laâge (Eugénie), Mélanie Laurent (Geneviève), Emmanuelle Bercot (Jeanne).

  • Nota IMDb: O filme segura uma nota média de 6.6/10, o que considero honesto para o gênero.

A trama: suspense sem rodeios

A história gira em torno de Eugénie, uma mulher de classe alta que tem um "dom" (ou maldição, dependendo de quem vê): ela ouve e vê espíritos. Claro que, na Paris de 1885, isso não era visto com bons olhos. O pai dela, um sujeito rígido, decide interná-la no hospital psiquiátrico Salpêtrière.

Aqui a narrativa fica interessante. Não é apenas sobre "fantasmas", é sobre o sistema. O hospital é dirigido pelo famoso Dr. Charcot, e as mulheres lá são tratadas mais como cobaias do que pacientes. O clímax do filme é construído em torno do tal "Baile das Loucas", um evento anual onde a elite parisiense ia ao hospital para observar as pacientes como se fossem animais em um zoológico.

Achei a narrativa fluida. Não tem aquela "barriga" que costuma acontecer em filmes de época. O foco se mantém na tensão entre Eugénie e a enfermeira-chefe, Geneviève (interpretada pela própria diretora). É um jogo de poder e ceticismo.

Produção, trilha sonora e locações

O aspecto técnico de "O Baile das Loucas" me chamou a atenção. A direção de arte não tenta embelezar a sujeira e o ambiente opressor do hospital.

  • Locações de Filmagem: O filme foi rodado em Rochefort, na França. Eles usaram o antigo hospital naval e o Museu da Marinha para recriar a Salpêtrière. A arquitetura de pedra fria ajuda muito a passar a sensação de isolamento.

  • Trilha Sonora: A música foi composta por Asaf Avidan. Achei uma escolha curiosa e acertada. Ele usa elementos clássicos, mas com uma pegada moderna que aumenta a tensão nas cenas de "surto" ou de manifestação espiritual, sem cair no clichê de filme de terror barato.

  • Figurino: O trabalho de figurino é impecável, tanto que garantiu indicações a prêmios importantes. As roupas distinguem claramente quem tem poder e quem não tem.

Curiosidades e premiações

Para fechar minha análise, separei alguns fatos que notei ou pesquisei depois de assistir e que dão mais peso à produção:

  1. Dupla Função: Mélanie Laurent não só dirige como atua em um dos papéis principais. Ela consegue manter um distanciamento frio na personagem Geneviève que funciona muito bem.

  2. Premiações: O filme teve destaque no circuito francês. Ganhou o César Awards (o Oscar da França) na categoria de Melhores Figurinos. Também fez parte da seleção oficial do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF).

  3. Realidade Histórica: O Dr. Charcot existiu de verdade e foi mentor de Sigmund Freud. O "Baile" também era um evento real e bizarro da época.

  4. Audição: Lou de Laâge, que faz a protagonista, entrega uma atuação muito física. Em várias cenas, a câmera foca apenas nas expressões dela para passar o desespero, sem precisar de diálogos expositivos.

Veredito: É um filme bem executado. Se você gosta de tramas históricas com um toque de suspense e sem melodrama desnecessário, recomendo dar o play.

Capitão Abu Raed("كابتن أبو رائد")

 

Capitão Abu Raed: Uma análise direta sobre o marco do cinema jordaniano

Se você está cansado dos mesmos blockbusters de sempre e procura algo com uma pegada mais realista e culturalmente rica, precisa conhecer o filme Capitão Abu Raed. Assisti a essa produção recentemente e, sinceramente, ela entrega muito mais do que a sinopse sugere. Não é um filme sobre aviões ou guerras, mas sobre a vida real em Amã, na Jordânia.

Vou ser direto: esse longa é importante. Ele colocou a Jordânia de volta no mapa do cinema mundial depois de décadas sem produções relevantes. A seguir, detalho tudo o que você precisa saber sobre essa obra, sem enrolação e, o mais importante, sem spoilers.

O contexto e a ficha técnica da obra

Para entender o peso desse filme, é preciso olhar para os bastidores. O título original é Captain Abu Raed. Ele foi lançado no circuito de festivais em 2007 (chegando ao grande público em 2008) e carrega a assinatura do diretor Amin Matalqa.

O que chama a atenção logo de cara é a simplicidade técnica combinada com uma narrativa sólida. Não espere efeitos especiais de ponta; o foco aqui é roteiro e atuação.

  • Título Original: Captain Abu Raed

  • Direção e Roteiro: Amin Matalqa

  • Gênero: Drama

  • Ano de Lançamento: 2007/2008

A história: Do que se trata Capitão Abu Raed?

A premissa é simples, mas funciona bem. A história gira em torno de Abu Raed, um senhor que trabalha como faxineiro no aeroporto de Amã. Ele é um cara solitário, viúvo, que passa os dias limpando o chão e observando os viajantes.

A virada acontece quando ele encontra um boné de capitão de aviação no lixo. Ao voltar para o seu bairro pobre, um grupo de crianças vê o boné e assume que ele é um piloto de verdade. Em vez de desmentir logo de cara, ele acaba assumindo o personagem para contar histórias e inspirar aquelas crianças, que vivem uma realidade dura e sem muitas perspectivas.

Paralelamente, o filme mostra a amizade dele com Nour, uma piloto de verdade, que vem de uma classe social totalmente oposta. O contraste entre a vida no bairro humilde e a elite moderna da Jordânia é o motor do filme. A narrativa flui bem, alternando entre momentos de leveza com as histórias inventadas e o drama pesado da realidade doméstica de alguns dos garotos.

Elenco, locações e trilha sonora

O grande destaque, na minha opinião, é a atuação de Nadim Sawalha, que interpreta o Abu Raed. O cara tem presença. Ele consegue passar a imagem de um homem cansado, mas que ainda tem dignidade e empatia, sem precisar de cenas exageradas de choro ou drama forçado.

Ao lado dele, temos Rana Sultan como a piloto Nour, que serve como um contraponto interessante, e o jovem Hussein Al-Sous (Murad), que representa o lado mais cético e problemático das crianças do bairro.

Sobre a parte técnica:

  • Locações: O filme foi rodado inteiramente em Amã, na Jordânia. O diretor fez questão de mostrar a cidade como ela é: a beleza da arquitetura de pedra calcária, mas também a sujeira e a desorganização dos bairros mais pobres. É um cenário autêntico.

  • Trilha Sonora: A música foi composta por Austin Wintory. Se você gosta de trilhas que complementam a cena sem roubar a atenção, vai curtir. Ela mistura elementos ocidentais com instrumentos árabes, criando uma atmosfera que casa perfeitamente com as imagens da cidade.

Nota, premiações e curiosidades de bastidores

Se você é daqueles que se guia por notas, o filme sustenta uma avaliação sólida. No IMDb, ele costuma orbitar na casa dos 7.1 a 7.3, o que é uma nota muito respeitável para um drama estrangeiro independente.

Mas o que valida mesmo a qualidade do filme são as premiações. Capitão Abu Raed venceu o Prêmio do Público no Festival de Sundance (World Cinema - Dramatic), o que não é pouca coisa. Sundance é conhecido por filtrar o que há de melhor no cinema independente.

Algumas curiosidades para fechar:

  1. O Retorno: Este foi o primeiro longa-metragem produzido na Jordânia em mais de 50 anos. O país servia apenas de locação para filmes estrangeiros (como Lawrence da Arábia ou Indiana Jones), mas não tinha sua própria voz no cinema até esse lançamento.

  2. O Ator: Nadim Sawalha, o protagonista, é um ator veterano que fez carreira no Reino Unido. Voltar para a Jordânia para fazer esse papel foi um movimento pessoal importante para ele.

  3. Oscar: O filme foi a primeira submissão oficial da Jordânia para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, embora não tenha levado a estatueta.

Em resumo, é um filme honesto. Se você quer entender um pouco mais sobre a cultura do Oriente Médio longe dos estereótipos de terrorismo e guerra que Hollywood adora vender, vale a pena dedicar seu tempo a Capitão Abu Raed.