Sabe aquele tipo de filme que te faz sentir saudade de uma época em que os planos eram feitos com papel, caneta e muita coragem? Pois é, O Primeiro Assalto de Trem (ou The Great Train Robbery) é exatamente esse tipo de obra. Ele nos transporta para a Era Vitoriana, mas esqueça a parte chata dos manuais de história; o foco aqui é a engenhosidade por trás de um dos crimes mais audaciosos do século 19.
Eu sempre curti histórias de "golpe perfeito", e essa aqui tem um charme especial. Não é sobre tecnologia ou hackers, é sobre chaves moldadas na mão, sincronia de relógios de bolso e a adrenalina de saltar sobre um trem em movimento usando cartola e bengala. É cinema de aventura puro, com aquele pé no real que a gente respeita.
O que sabemos sobre os detalhes técnicos deste clássico de 1978?
Lançado originalmente em 1978 sob o título The First Great Train Robbery (nos EUA saiu apenas como The Great Train Robbery), o filme é uma adaptação de um livro do mestre Michael Crichton — sim, o mesmo cara de Jurassic Park. A nota no IMDb é um sólido 6.9, o que na minha visão é até um pouco injusto; o filme merece um pouco mais pelo carisma do trio principal.
A direção foi feita pelo próprio Michael Crichton, que mostrou que sabia conduzir um suspense de época tão bem quanto uma ficção científica. No elenco, temos uma combinação matadora:
Sean Connery como Edward Pierce (o cérebro do plano)
Donald Sutherland como Agar (o especialista em chaves e disfarces)
Lesley-Anne Down como Miriam (a aliada indispensável e charmosa)
As filmagens aconteceram em locações na Irlanda, principalmente em Dublin e nas ferrovias históricas do país, que serviram perfeitamente como dublê para a Inglaterra vitoriana da década de 1850.
Quais são as curiosidades mais impressionantes dos bastidores?
Uma das coisas que mais me impressiona é o fato de que Sean Connery dispensou dublês em boa parte da cena final. Se você reparar no filme, ele está realmente correndo em cima de um trem a vapor em movimento. O vento era tão forte e a fumaça tão densa que ele quase foi jogado para fora dos trilhos algumas vezes. Isso que eu chamo de comprometimento com o papel!
Outra curiosidade bacana é que o filme é baseado em um evento real: o grande roubo de ouro de 1855. Pierce, o personagem do Connery, é uma versão romantizada de criminosos que realmente existiram. Além disso, a precisão histórica com os figurinos e a engenharia das fechaduras da época dão um toque de autenticidade que faz toda a diferença.
Qual é a minha crítica sobre a execução da obra?
Sendo bem honesto com você, o que mais me pega nesse filme é a química entre Connery e Sutherland. É aquela dinâmica de "brotherhood" onde um confia cegamente no outro, mesmo sabendo que estão fazendo algo errado. O Pierce de Connery não é o James Bond; ele é mais contido, calculista e tem aquele ar de superioridade que só o Sean Connery conseguia entregar com naturalidade.
O ritmo do filme é excelente. Ele gasta o tempo necessário nos preparando para o assalto — a fase de planejamento é fascinante — para depois entregar uma sequência final de tirar o fôlego. Minha única ressalva é que o final pode parecer um pouco abrupto para quem está acostumado com as conclusões gigantescas de hoje, mas combina com o estilo "direto ao ponto" da produção.
Por que você deveria assistir a este filme ainda hoje?
Em um mundo cheio de CGI e efeitos exagerados, ver um filme onde o perigo é físico e o plano depende de inteligência e habilidade manual é extremamente gratificante. O Primeiro Assalto de Trem é uma aula de como fazer um filme de assalto com classe, estilo e uma pitada de humor ácido britânico.
Se você gosta de uma narrativa fluída, personagens com personalidade e uma ambientação impecável, esse filme precisa estar na sua lista. É o tipo de obra que a gente assiste tomando um café ou uma cerveja gelada, apreciando cada detalhe de um tempo onde roubar um trem era a maior façanha que um homem poderia imaginar.