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Não Deseje Boa Sorte (Don't Say Good Luck)

 


Outro dia, navegando sem compromisso pelo catálogo da Netflix, esbarrei com Não Deseje Boa Sorte (no original, Don't Say Good Luck). Admito que dei o play sem grandes expectativas, achando que seria só mais uma comédia teen genérica. Me enganei. O longa, lançado em 2026 e produzido pela Happy Madison, entrega uma história com um peso dramático bem dosado. 

Com uma nota 6.8 no IMDb, a trama acompanha a jovem Sophie Birenbaum (vivida por Sunny Sandler, filha de Adam Sandler, que mandou muito bem no papel). A garota consegue o papel principal no musical da escola, mas precisa encarar a dura realidade do retorno do câncer de sua mãe. É uma história sobre amadurecimento, luto e como a arte ajuda a segurar a onda em momentos em que o mundo parece desabar.

Quem está por trás e na frente das câmeras em Não Deseje Boa Sorte?

A direção ficou por conta de Julia Hart, que já provou em trabalhos anteriores que sabe construir dinâmicas humanas autênticas. Ela consegue transitar entre o humor leve e o drama sem pesar a mão. 

No elenco, Sunny Sandler segura o protagonismo com maturidade. Melanie Lynskey faz a mãe de Sophie e dá um show de interpretação, transmitindo aquele afeto materno que nos pega de jeito. O time ainda conta com Max Greenfield no papel do pai, além de nomes pesados no apoio, como Stephanie Beatriz, Steve Buscemi e Jack Champion. 

As filmagens rolaram principalmente no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, o que traz uma atmosfera de subúrbio americano bem realista para a história.

Como a trilha sonora ajuda a contar essa história?

Como o enredo gira em torno dos ensaios de uma peça de teatro na escola — mais especificamente o musical Waitress —, a música não é mero pano de fundo. Ela é parte viva da narrativa. 

O grande destaque musical fica para a interpretação de Sunny Sandler para a faixa "She Used To Be Mine". A performance da garota impressiona pelo alcance vocal e transmite toda a dor e o amadurecimento da personagem sem soar artificial. É o tipo de momento em que a trilha sonora eleva a cena e faz a conexão imediata com quem está assistindo.

Quais são as principais premiações e curiosidades do filme?

Por ter estreado recentemente no catálogo da plataforma de streaming, o filme ainda está no radar da temporada de prêmios, mas já conquistou uma recepção crítica bastante positiva, alcançando altos índices de aprovação nos agregadores de avaliação. 

Entre as curiosidades mais legais da produção, vale destacar:

·         Tradição do teatro: O título do filme vem da famosa superstição teatral de que desejar "boa sorte" dá azar antes de um show (daí o uso do termo break a leg em inglês). 

·         Negócio de família: Apesar de ser produzido pela empresa de Adam Sandler, o tom aqui passa longe das comédias pastelão tradicionais do ator, apostando em um tom mais humano e sóbrio. 

·         Presença de veteranos: Ver Steve Buscemi atuando em um papel dramático mais contido ao lado da família Sandler é um detalhe à parte que enriquece a obra. 

O que faz da crítica e do roteiro algo surpreendente?

O maior trunfo do roteiro é fugir das saídas fáceis. Não temos vilões caricatos na escola ou brigas exageradas. O conflito é real: o choque entre a alegria de uma conquista pessoal e o peso da iminente perda de um familiar. 

O filme aborda o drama com pé no chão. Ele entende que a vida não para quando recebemos uma notícia ruim; as responsabilidades e os dilemas cotidianos continuam ali. É uma narrativa franca sobre encarar a realidade de frente, recomendada para quem busca uma boa história sobre resiliência e relações familiares.

Amor, Sublime Amor (West Side Story)


Eu preciso ser sincero com você: eu não sou nem de longe o maior fã de musicais. Aquela coisa de ver a galera no meio da rua quebrando o ritmo da conversa pra sair dançando e cantando nunca fez muito o meu estilo. Mas quando a gente se propõe a analisar o cinema de verdade, não dá pra ignorar os gigantes. E foi exatamente por isso, para trazer um conteúdo de peso aqui pro blog, que eu decidi sentar e assistir a esse clássico absoluto chamado Amor, Sublime Amor (ou West Side Story, no título original). 

Mesmo não sendo a minha praia, preciso tirar o chapéu. A gente reconhece uma obra-prima pelo nível da execução, e a engenharia por trás desse filme é sacanagem de tão bem feita.

Como surgiu a ideia desse clássico "Amor, Sublime Amor"?

Para entender o impacto da obra, a gente precisa voltar no tempo. O filme foi lançado em 1961 e não surgiu do nada. Ele é uma adaptação direta de um musical de enorme sucesso da Broadway de 1957, que por sua vez trazia uma releitura moderna e urbana da tragédia clássica de Romeu e Julieta, de William Shakespeare. 

A direção ficou nas mãos de uma dupla de peso: Jerome Robbins, que cuidou de toda a concepção das coreografias, e Robert Wise, um diretor experiente que garantiu a linguagem cinematográfica da produção. A história se passa em Manhattan, nas ruas de uma Nova York em plena transformação nos anos 50. Eles usaram locações reais do Upper West Side (área que estava prestes a ser demolida para a construção do Lincoln Center) misturadas com cenários de estúdio impecáveis. Essa combinação deu um tom de realismo e crudeza urbana que contrasta muito bem com a teatralidade das cenas.

Qual é a história e quem faz parte do elenco?

A trama nos coloca no meio de uma guerra de gangues pelo controle do bairro. De um lado estão os Jets, formados por jovens brancos norte-americanos. Do outro, os Sharks, imigrantes porto-riquenhos tentando encontrar o seu espaço. A tensão escala quando Tony, ex-membro dos Jets, se apaixona por Maria, irmã do líder dos Sharks. 

O elenco entrega performances intensas para dar conta da exigência física e dramática do roteiro:

·         Richard Beymer como Tony 

·         Natalie Wood como Maria 

·         George Chakiris como Bernardo (o líder dos Sharks) 

·         Rita Moreno como Anita 

·         Russ Tamblyn como Riff (o líder dos Jets) 

A trilha sonora composta pelo mestre Leonard Bernstein, com letras de Stephen Sondheim, é um capítulo à parte. Músicas como Tonight, Maria e America não servem só de fundo, elas movem o roteiro. A nota no IMDb fica firme na casa dos 7,9/10, o que mostra como o público respeita o longa até hoje.

Quais prêmios e curiosidades marcaram a produção?

Se você busca números e feitos históricos, esse filme dá uma aula. No Oscar de 1962, ele simplesmente varreu a cerimônia: foi indicado a 11 categorias e levou 10 estatuetas para casa, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhores Atores Coadjuvantes para George Chakiris e Rita Moreno. Até hoje é o musical mais premiado da história da academia. 

Nos bastidores, o clima também era curioso:

·         Conflito de diretores: Jerome Robbins era tão perfeccionista e rigoroso com os dançarinos que acabou demitido no meio das filmagens por estourar o orçamento e o tempo. Robert Wise assumiu e finalizou o longa sozinho. 

·         Dublagem nas músicas: Apesar de Natalie Wood ser a grande estrela como Maria, a voz dela nas músicas foi quase totalmente dublada pela cantora Marni Nixon, algo muito comum na época mas que foi mantido em segredo durante o lançamento. 

·         Tensão real: Para manter a rivalidade forte na tela, os atores que faziam os Jets e os Sharks eram orientados a não se misturar nem durante os intervalos do almoço. 

Vale a pena assistir mesmo se você não gosta de musicais?

A resposta curta é: sim, sem dúvida. O grande mérito do filme é que ele não usa a dança como um mero enfeite estético. A movimentação dos atores funciona como uma extensão da própria violência e do conflito físico. Quando os caras estão se enfrentando, a coreografia passa a sensação de briga de rua de verdade, só que ritmada. Tem energia, tem tensão e tem atitude. 

Além disso, os temas centrais do filme — como preconceito, rivalidade territorial, o drama da imigração e a busca por pertencimento — continuam extremamente atuais. O trabalho de fotografia, o uso visceral das cores nos figurinos para diferenciar as gangues e a montagem das cenas mostram um nível de técnica que impressiona qualquer um que goste da sétima arte. 

No fim das contas, eu posso continuar não sendo o maior fã de gente cantando na rua, mas é impossível não reconhecer a genialidade do que foi feito aqui. É um clássico por um motivo muito claro: cinema de altíssimo nível executado por mestres.

Apenas Uma Vez (Once)

 


Sempre fui fã de cinema sem frescura, daqueles filmes que não precisam de explosões ou orçamentos milionários para te acertar em cheio no peito. Foi vasculhando produções independentes anos atrás que esbarrei em uma obra-prima irlandesa. Lançado em 2006, o longa atende pelo título original de Once (distribuído no Brasil como Apenas Uma Vez) e tem nota 7.8 no IMDb. 

A história gira em torno de um músico de rua de Dublin que conserta aspiradores de pó de dia e toca violão à noite, e de uma jovem imigrante tcheca que vende flores e toca piano quando consegue uma brecha. O projeto tem direção e roteiro de John Carney, e os protagonistas não eram nem atores profissionais: Glen Hansard (vocalista da banda The Frames) e a cantora tcheca Markéta Irglová. O resultado é uma química crua e absurdamente honesta.

 Por que o filme Apenas Uma Vez impressiona tanto logo de cara? 

A grande sacada aqui é o realismo. Gravado nas ruas movimentadas de Dublin com câmeras de longe para não assustar os pedestres reais, o filme parece um documentário sobre a vida cotidiana de dois artistas tentando sobreviver. Não há glamour. Você sente o frio da Irlanda, o peso da rotina e a frustração de ter um talento gigante escondido em um canto escuro de uma grande cidade. 

Como a trilha sonora se torna o personagem principal da história? 

Esqueça os musicais tradicionais em que as pessoas começam a dançar do nada no meio da rua. Em Apenas Uma Vez, a música é a linguagem que os dois usam para desabafar aquilo que não conseguem dizer com palavras. A trilha sonora não serve só de fundo, ela é a espinha dorsal do roteiro. A música "Falling Slowly", composta e cantada pelos próprios protagonistas, é o ápice dessa sintonia. Não à toa, a canção levou o Oscar de Melhor Canção Original em 2008, superando grandes produções de Hollywood. 

Quais são as melhores curiosidades sobre os bastidores da produção? 

O filme foi feito com um orçamento minúsculo, cerca de 150 mil dólares, o que forçou a equipe a ser extremamente criativa. Glen e Markéta não só interpretaram os papéis principais como compuseram quase todo o repertório do filme. Outro detalhe sensacional é que o relacionamento romântico da vida real entre os dois acabou acontecendo durante as filmagens, o que explica por que a tensão subjetiva entre os dois na tela parece tão verdadeira e palpável. 

O que faz da crítica de Apenas Uma Vez um consenso entre os cinéfilos? 

Na minha visão, o grande triunfo do filme é a maturidade emocional. Ele se recusa a entregar os clichês fáceis das comédias românticas hollywoodianas. A relação entre o "Cara" e a "Garota" (seus personagens nem chegam a ter nomes revelados no filme) é focada na conexão artística, no respeito mútuo e na dor de escolhas não feitas. É um filme sobre o impacto profundo que certas pessoas causam em nossas vidas, mesmo quando passam por ela por pouco tempo. 

Se você curte uma narrativa direta, sem enrolação e movida por uma trilha sonora memorável, vale cada minuto do seu tempo. É o tipo de cinema feito com alma e pouca grana que lembra a gente do motivo de gostar tanto dessa arte.

 

O Guarda-Costas (The Bodyguard)

 


Sempre achei que filmes sobre proteção pessoal e dever profissional correm o risco de cair no clichê exagero do "macho invencível". Mas quando parei numa noite dessas para rever esse clássico dos anos 90, me peguei preso do começo ao fim. A história acerta em cheio ao colocar um profissional focado frente a frente com o caos do show business. É aquele tipo de produção que te faz pensar no valor da disciplina, no custo de manter a guarda alta e em como a presença certa no momento certo muda tudo.

Como nasceu o fenômeno O Guarda-Costas?

O projeto de O Guarda-Costas (título original: The Bodyguard) não surgiu do nada nos anos 90. O roteiro foi escrito nos anos 70 por Lawrence Kasdan e passou mais de uma década engavetado até que o próprio Kevin Costner resolvesse resgatar a ideia e bancar o filme. 

Lançado nos cinemas em 1992, sob a direção de Mick Jackson, o longa chegou como uma aposta de risco: juntar um dos maiores astros de Hollywood da época com uma gigante da música que nunca tinha atuado na vida, Whitney Houston. O resultado? Um sucesso de bilheteria que arrecadou mais de 400 milhões de dólares pelo mundo. Hoje, no IMDb, ele mantém uma nota sólida na casa dos 6.3/10, refletindo como se tornou um clássico cult querido pelo público, mesmo que a crítica da época tenha sido dura.

Quem está por trás dos personagens no elenco?

A química no elenco é a engrenagem que faz o suspense funcionar. De um lado, temos Frank Farmer, interpretado por Kevin Costner, um ex-agente do Serviço Secreto americano, extremamente metódico e frio na tomada de decisões. Do outro, Rachel Marron, vivida por Whitney Houston, uma popstar global que começa a receber ameaças de morte de um stalker misterioso. 

Completam o time nomes de peso como Gary Kemp (como o empresário Sy Spector), Bill Cobbs (o veterano Bill Devaney) e Ralph Waite (interpretando o pai de Frank). O legal é ver o contraste entre o estilo de vida espalhafatoso da cantora e a conduta discreta do segurança. Para dar o tom visual do filme, as gravações passaram por locações marcantes, como a mansão em Beverly Hills que serviu de casa para a protagonista e a famosa cabana na região montanhosa do Lago Tahoe, na Califórnia, onde o clímax da tensão acontece.

Por que a trilha sonora marcou tanto essa época?

Não dá para falar de The Bodyguard sem destacar o peso da música. A trilha sonora não é apenas um plano de fundo; ela impulsiona a narrativa e transformou o projeto em um gigante da indústria da música. 

Comandada por Whitney Houston, a coletânea trouxe o clássico "I Will Always Love You" (originalmente escrito por Dolly Parton), que explodiu no topo das paradas mundiais. A produção conquistou nada menos que três Grammy Awards, incluindo Álbum do Ano, além de receber duas indicações ao Oscar de Melhor Canção Original por "I Have Nothing" e "Run to You". Foi um marco que uniu cinema e música de uma forma que raramente se vê hoje.

Quais curiosidades e bastidores tornam o filme especial?

Quando a gente olha os bastidores, percebe por que o filme transmite tanta autenticidade no dia a dia da proteção VIP:

·         O corte de cabelo icônico: Kevin Costner fez questão de adotar um corte de cabelo estilo militar bem alinhado para o personagem Frank Farmer, buscando passar a imagem exata de um ex-agente treinado. 

·         A famosa cena do cartaz: A foto antológica onde o guarda-costas carrega a cantora no colo sob a chuva não traz Whitney Houston de verdade. No dia do clique, a atriz já tinha ido embora, e quem posou nos braços de Costner foi sua dublê de corpo. 

·         Sugestão do clássico: Foi o próprio Costner quem sugeriu que Whitney cantasse "I Will Always Love You" à capela na introdução da faixa, criando a abertura mais marcante da história da música pop. 

Vale a pena rever o longa nos dias de hoje?

Analisando a obra com o olhar de hoje, a crítica sobre o filme se divide, mas o apelo com o espectador continua intacto. A direção de Mick Jackson acerta em construir o ambiente de vigilância, a tensão psicológica de estar sempre um passo à frente do perigo e o respeito mútuo que nasce entre duas pessoas de mundos opostos. 

A figura do protagonista passa aquela ideia clássica de profissionalismo e honra: o cara que não se deixa levar pela emoção para não falhar na missão. O filme mistura suspense com drama na medida certa e entrega exatamente o que promete, sem enrolação. Se você procura um bom suspense noventista, focado na arte da proteção pessoal e com uma trilha inesquecível, a obra continua valendo cada minuto.

O Show dos Muppets (The Muppet Show)

 


Quando soube que a Disney estava preparando um novo projeto para os Muppets em 2026, confesso que bateu aquela desconfiança típica de quem cresceu assistindo ao programa original nos anos 70 e 80. Afinal, mexer com memórias afetivas tão profundas é sempre um terreno perigoso. No entanto, ao dar o play em O Show dos Muppets (título original: The Muppet Show), lançado mundialmente em fevereiro de 2026 no Disney+ e na ABC, fui surpreendido da melhor forma possível.

Como um entusiasta de longa data dessa turma, posso dizer que o especial de 32 minutos conseguiu algo raro: resgatar a essência anárquica e ingênua de Jim Henson sem soar ultrapassado. Foi uma viagem direta no tempo para mim e para toda a geração que passou dos 50 anos, entregando exatamente a mesma energia que nos fazia grudar na TV nas noites de domingo.

O que faz de O Show dos Muppets 2026 um retorno tão especial?

O contexto do lançamento não poderia ser mais propício. O especial foi idealizado para comemorar os 50 anos da franquia original, que estreou em 1976. A proposta aqui não foi reinventar a roda ou transformar os personagens em animações digitais mirabolantes, mas sim voltar às raízes do formato de programa de variedades no lendário Muppet Theatre.

Na trama, acompanhamos o sapo Kermit (nosso eterno Caco) tentando manter a ordem no teatro enquanto tudo ao seu redor desmorona entre falhas técnicas e confusões nos bastidores. É a clássica comédia de erros sobre artistas atrapalhados e apaixonados pelo que fazem. Com uma avaliação expressiva de 8,0 no IMDb e aclamação universal dos críticos, o especial provou que a comédia física e o humor metalinguístico dos fantoches continuam mais afiados do que nunca.

Quem está no elenco e na direção dessa nova produção?

A direção ficou nas mãos de Alex Timbers, que demonstrou um respeito gigante pelo legado da franquia ao conduzir o ritmo do espetáculo de forma ágil e dinâmica. No elenco humano, o grande destaque vai para a cantora e atriz Sabrina Carpenter, que atua como a convidada de honra da noite e surpreende pela química impecável com os bonecos. O especial conta ainda com participações divertidíssimas de Seth Rogen e Maya Rudolph.

Por trás dos personagens que amamos, a equipe de manipuladores e dubladores deu um show à parte. Matt Vogel dá vida ao equilibrado Kermit, enquanto Eric Jacobson encarna a extravagante Miss Piggy com maestria. O time lendário ainda conta com Dave Goelz, Bill Barretta, David Rudman e Peter Linz, garantindo que as vozes e trejeitos dos personagens mantivessem a exata identidade que conhecemos há décadas.

Como a trilha sonora e as locações ajudaram a criar o clima?

Gravado nos cenários que reconstroem com precisão o clássico Muppet Theatre, a locação traz uma sensação imediata de aconchego e nostalgia. O palco, as cortinas de veludo e até os camarotes onde os velhos ranzinzas Statler e Waldorf passam o tempo fazendo piadas afiadas estão todos lá.

A trilha sonora é outro ponto alto do projeto. O tema de abertura original recebeu uma nova roupagem produzida por Bill Sherman, renomado produtor vencedor do Grammy e do Emmy. Além disso, a parceria musical entre Kermit, Miss Piggy e Sabrina Carpenter em números como a canção "Across the Stream" consegue equilibrar o charme das velhas baladas da franquia com o apelo pop moderno, agradando tanto aos saudosistas quanto ao público mais jovem.

Quais são as melhores curiosidades e bastidores do filme?

Nos bastidores, há detalhes bem interessantes que explicam o sucesso da obra. Uma das maiores curiosidades é que tanto Sabrina Carpenter quanto Seth Rogen atuaram ativamente como produtores executivos do projeto, ajudando a financiar e viabilizar a volta do programa. Outro ponto curioso é o uso rigoroso de efeitos práticos: nada de computação gráfica exagerada para mover os Muppets. Tudo foi feito à mão, mantendo o charme artesanal da obra original de Jim Henson.

Todo esse capricho técnico e narrativo rendeu frutos rapidamente. A produção foi honrada com uma indicação ao prestigiado Primetime Creative Arts Emmy Award na categoria de Melhor Especial de Variedades Pré-Gravado, consolidando o retorno triunfal da trupe ao topo do entretenimento.

Vale a pena assistir a esse especial no Disney+?

Na minha avaliação crítica, O Show dos Muppets 2026 é uma joia rara na televisão atual. Em uma época saturada de produções cínicas ou excessivamente computadorizadas, ver o humor genuíno, a piada pastelão bem executada e o carinho artesanal desses personagens esquenta o coração. O roteiro acerta em cheio ao tratar o espectador veterano com inteligência, sem tentar "modernizar" os personagens a ponto de perderem suas essências.

Se você tem mais de 50 anos e guarda boas lembranças das tardes ou noites em que assistia a Caco, Gonzo e Fozzie aprontando nos bastidores, este especial é obrigatório. É uma obra curta, direta, extremamente divertida e que honra cada segundo do legado da franquia. Vale a pena reunir a família, preparar o café e curtir esse reencontro inesquecível.

A Fantástica Fábrica de Chocolate (Charlie and the Chocolate Factory)

 

Quando decidi sentar e rever A Fantástica Fábrica de Chocolate (título original: Charlie and the Chocolate Factory), confesso que precisei desarmar um pouco meu lado nostálgico. Afinal, quem acompanha o blog sabe que a versão clássica de 1971, com o genial Gene Wilder, foi uma pedra fundamental da minha infância. Aquele tom caloroso, meio mágico e levemente debochado do Wilder ficou gravado na minha memória para sempre.

Mas a versão lançada em 2005, sob a ótica gótica e excêntrica de Tim Burton, é uma experiência completamente diferente. Hoje, com uma nota 6.7 no IMDb, o longa é um espetáculo visual instigante, que troca o aconchego do clássico por uma bizarrice estética impecável e muito bem executada.

Como Tim Burton reimaginou essa história sem perder a essência?

O enredo básico você provavelmente já conhece: o pequeno Charlie Bucket (interpretado com extrema sensibilidade por Freddie Highmore) vive em uma casa caindo aos pedaços com a família e encontra o último Bilhete Dourado. Isso garante a ele uma visita guiada à misteriosa fábrica do recluso chocolatier Willy Wonka (Johnny Depp).

A grande sacada de Burton aqui foi resgatar a veia ácida do livro original de Roald Dahl. Onde a versão de 1971 trazia um tom de fábula leve e acolhedora, a visão de 2005 aposta no esquisito e no macabro. A cenografia é grandiosa e física; o diretor fez questão de evitar o uso excessivo de computação gráfica e construiu cenários reais no estúdio Pinewood Studios, na Inglaterra (com direito a um rio de chocolate de verdade feito de água, corante e espessante). Essa escolha tátil dá um peso de produção inacreditável na tela.

O que torna a atuação de Johnny Depp tão controversa?

Falar do Willy Wonka de Johnny Depp exige esquecer o que Gene Wilder fez três décadas antes. Enquanto Wilder exalava um charme misterioso e paternal, Depp entrega um Wonka socialmente travado, paranóico, com trauma de infância por causa do pai dentista (papel brilhantemente interpretado pelo mestre Christopher Lee).

O elenco ainda conta com nomes de peso como Helena Bonham Carter e Noah Taylor como os pais de Charlie, além de David Kelly brilhando como o Vovô Joe. Mas o grande destaque cômico e bizarro vai para Deep Roy, que interpretou absolutamente todos os Oompa Loompas. O ator teve que repetir movimentos centenas de vezes para que fossem multiplicados digitalmente, um esforço insano que deu um toque único às cenas musicais.

Falando em música, a trilha sonora comandada pelo parceiro habitual de Burton, Danny Elfman, é um show à parte. Elfman deu vozes e estilos musicais distintos para cada punição das crianças mimadas, variando do rock setentista à disco music.

Quais segredos e curiosidades cercam a produção?

A produção de 2005 carrega histórias de bastidores que mostram o capricho da equipe:

·         O carinho com os detalhes: A Nestlé forneceu cerca de 1.850 barras de chocolate de verdade para a composição das filmagens.

·         Aprovação da família: Ao contrário do longa de 1971 (que o próprio autor Roald Dahl odiou por conta das mudanças no roteiro), a viúva de Dahl deu total aprovação e liberdade criativa para Tim Burton.

·         A redefinição de papeis: Antes de Johnny Depp fechar o contrato, nomes insanos foram cotados para o papel de Wonka, incluindo Jim Carrey, Nicolas Cage e até o cantor Michael Jackson.

·         Reconhecimento técnico: O filme não venceu estatuetas principais, mas garantiu uma indicação ao Oscar de Melhor Figurino pela impecável direção de arte e vestuário gótico assinado por Gabriella Pescucci.

Vale a pena rever esse remake hoje em dia?

Sem rodeios: sim, vale muito a pena. No entanto, é preciso assistir sabendo exatamente o que esperar. Se a versão de 1971 é aquele abraço quente de um chocolate quente no inverno, o filme de 2005 é como uma barra de chocolate amargo com pimenta — estranho à primeira vista, mas cheio de nuances marcantes.

Burton conseguiu criar um espetáculo visual moderno sem soar genérico. A dinâmica entre a humildade de Charlie e a falha de caráter das outras crianças mimadas continua afiada e atual. Para quem gosta do estilo de cinema direto, esteticamente rico e com aquela pitada de acidez, A Fantástica Fábrica de Chocolates de Tim Burton permanece como um blockbuster com personalidade de sobra.

Para quem quiser conferir a estética e a famosa sequência de abertura do longa de 2005, vale a pena ver este corte no YouTube:

Charlie and the Chocolate Factory (Main Titles)

Escolhi este vídeo por mostrar os créditos iniciais e a icônica trilha sonora criada por Danny Elfman, que ditam perfeitamente o tom sombrio e divertido do filme de Tim Burton.