Outro dia, navegando sem compromisso pelo catálogo da Netflix, esbarrei com Não Deseje Boa Sorte (no original, Don't Say Good Luck). Admito que dei o play sem grandes expectativas, achando que seria só mais uma comédia teen genérica. Me enganei. O longa, lançado em 2026 e produzido pela Happy Madison, entrega uma história com um peso dramático bem dosado.
Com uma nota 6.8 no IMDb, a trama acompanha a jovem Sophie Birenbaum (vivida por Sunny Sandler, filha de Adam Sandler, que mandou muito bem no papel). A garota consegue o papel principal no musical da escola, mas precisa encarar a dura realidade do retorno do câncer de sua mãe. É uma história sobre amadurecimento, luto e como a arte ajuda a segurar a onda em momentos em que o mundo parece desabar.
Quem está por trás e na frente das
câmeras em Não Deseje Boa Sorte?
A direção ficou por conta de Julia Hart, que já provou em trabalhos anteriores que sabe construir dinâmicas humanas autênticas. Ela consegue transitar entre o humor leve e o drama sem pesar a mão.
No elenco, Sunny Sandler segura o protagonismo com maturidade. Melanie Lynskey faz a mãe de Sophie e dá um show de interpretação, transmitindo aquele afeto materno que nos pega de jeito. O time ainda conta com Max Greenfield no papel do pai, além de nomes pesados no apoio, como Stephanie Beatriz, Steve Buscemi e Jack Champion.
As filmagens rolaram principalmente no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, o que traz uma atmosfera de subúrbio americano bem realista para a história.
Como a trilha sonora ajuda a contar
essa história?
Como o enredo gira em torno dos ensaios de uma peça de teatro na escola — mais especificamente o musical Waitress —, a música não é mero pano de fundo. Ela é parte viva da narrativa.
O grande destaque musical fica para a interpretação de Sunny Sandler para a faixa "She Used To Be Mine". A performance da garota impressiona pelo alcance vocal e transmite toda a dor e o amadurecimento da personagem sem soar artificial. É o tipo de momento em que a trilha sonora eleva a cena e faz a conexão imediata com quem está assistindo.
Quais são as principais premiações e
curiosidades do filme?
Por ter estreado recentemente no catálogo da plataforma de streaming, o filme ainda está no radar da temporada de prêmios, mas já conquistou uma recepção crítica bastante positiva, alcançando altos índices de aprovação nos agregadores de avaliação.
Entre as curiosidades mais legais da produção, vale destacar:
· Tradição do teatro: O título do filme vem da famosa superstição teatral de que desejar "boa sorte" dá azar antes de um show (daí o uso do termo break a leg em inglês).
· Negócio de família: Apesar de ser produzido pela empresa de Adam Sandler, o tom aqui passa longe das comédias pastelão tradicionais do ator, apostando em um tom mais humano e sóbrio.
· Presença de veteranos: Ver Steve Buscemi atuando em um papel dramático mais contido ao lado da família Sandler é um detalhe à parte que enriquece a obra.
O que faz da crítica e do roteiro
algo surpreendente?
O maior trunfo do roteiro é fugir das saídas fáceis. Não temos vilões caricatos na escola ou brigas exageradas. O conflito é real: o choque entre a alegria de uma conquista pessoal e o peso da iminente perda de um familiar.
O
filme aborda o drama com pé no chão. Ele entende que a vida não para
quando recebemos uma notícia ruim; as responsabilidades e os
dilemas cotidianos continuam ali. É uma narrativa franca sobre encarar a
realidade de frente, recomendada para quem busca uma boa história sobre
resiliência e relações familiares.