Se você curte cinema de verdade, sabe que existem filmes que dividem a história entre "antes" e "depois". O Tigre e o Dragão é um desses. Eu assisti a essa obra buscando apenas uma boa pancadaria de artes marciais, mas o que encontrei foi algo muito mais técnico e refinado.
Neste texto, vou destrinchar por que esse longa de 2000 ainda é referência absoluta no gênero Wuxia (fantasia de artes marciais).
O que é o fenômeno O Tigre e o Dragão?
O título original é Wo hu cang long. Lançado no ano 2000, o filme não foi apenas mais um "filme de kung fu". Ele foi uma produção que quebrou a barreira do cinema oriental no Ocidente, provando que coreografias de luta podiam ser tão poéticas quanto um balé, sem perder a agressividade.
A direção ficou nas mãos de Ang Lee, um cara que sabe transitar entre o drama profundo e a ação visual como poucos. Ele pegou uma história baseada no romance de Wang Dulu e transformou em uma experiência sensorial. No IMDb, o filme ostenta uma nota sólida de 7.9, o que é altíssimo para um filme de gênero que foge dos padrões de Hollywood.
Ficha Técnica e o Elenco de Peso
Para um filme desse tamanho, o elenco precisava ser de elite. E foi.
Diretor: Ang Lee
Atores Principais: Chow Yun-fat (Li Mu Bai), Michelle Yeoh (Yu Shu Lien) e Zhang Ziyi (Jen Yu).
Data de Lançamento: Dezembro de 2000 (EUA/Brasil).
Trilha Sonora: Composta por Tan Dun, com a participação memorável do violoncelista Yo-Yo Ma. É uma trilha que te coloca dentro da China antiga logo nos primeiros acordes.
O interessante aqui é notar como Chow Yun-fat e Michelle Yeoh trazem um peso de maturidade, enquanto Zhang Ziyi entrega a energia e a rebeldia necessária para a trama fluir.
Premiações e Reconhecimento Internacional
Não dá para falar de O Tigre e o Dragão sem mencionar o impacto nas premiações. O filme foi uma máquina de ganhar estatuetas, sendo indicado a 10 Oscars e vencendo 4 deles, incluindo:
Melhor Filme Estrangeiro (representando Taiwan).
Melhor Fotografia.
Melhor Direção de Arte.
Melhor Trilha Sonora Original.
Ele provou que o público global estava pronto para ler legendas, desde que a história fosse poderosa o suficiente para prender a atenção.
Locações e a Estética Visual
Um dos pontos que mais me chamou a atenção foram as locações de filmagem. O filme foi rodado inteiramente na China, passando por lugares como:
Pequim.
Província de Anhui (onde ficam as famosas vilas históricas).
Deserto de Gobi.
Montanhas Huangshan.
As cenas de luta sobre as copas das árvores de bambu não foram feitas apenas em estúdio; a imersão na natureza real da China dá um tom de autenticidade que o CGI atual dificilmente consegue replicar com a mesma alma.
Curiosidades que Você Precisa Saber
Se você acha que foi fácil filmar aquelas cenas de "voo", está enganado. Aqui vão alguns fatos de bastidores:
Sem dublês em tudo: Michelle Yeoh e Zhang Ziyi fizeram boa parte de suas próprias acrobacias e lutas, o que resultou em alguns ferimentos reais durante as gravações.
O treinamento de sotaque: Nem todos os atores falavam Mandarim fluentemente (Chow Yun-fat, por exemplo, é falante de Cantonês), então houve um esforço pesado de fonoaudiologia para que o sotaque ficasse perfeito para o período retratado.
Sucesso de Bilheteria: Foi o primeiro filme em língua estrangeira a ultrapassar a marca de 100 milhões de dólares nas bilheterias dos Estados Unidos.
Em resumo, O Tigre e o Dragão é um filme sobre honra, o peso das escolhas e a busca pela liberdade, tudo embalado em coreografias que desafiam a gravidade. Se você ainda não viu, está perdendo uma aula de cinema e estética.
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