Como prometido na postagem de ontem sobre X - A Marca da Morte, trago hoje a análise da segunda parte desta incrível trilogia do diretor Ti West.
Confesso que fiz um caminho meio maluco: assisti ao terceiro filme primeiro (MaXXXine), voltei para o primeiro (X) e agora encerro essa maratona justamente no meio da história, conhecendo a fundo a origem da nossa vilã. E preciso dizer: que experiência maluca.
Aqui está a ficha técnica essencial antes de nos aprofundarmos:
· Título Original: Pearl
· Ano de Lançamento: 2022
· Nota IMDb: 7.0/10
·
Direção: Ti West
· Elenco Principal: Mia Goth, David Corenswet, Tandi Wright, Matthew Sunderland, Emma Jenkins-Purro e Alistair Sewell.
· Trilha Sonora: Composta por Tyler Bates e Tim Williams, trazendo uma grandiosidade orquestral no estilo da Era de Ouro de Hollywood que destoa propositalmente do horror da tela.
Qual é o contexto por trás do
nascimento de Pearl?
Lançado nos cinemas em 2022, Pearl funciona como uma prévia direta de X. A história nos leva de volta ao ano de 1918, durante o surto da Gripe Espanhola e os momentos finais da Primeira Guerra Mundial.
Acompanhamos a jovem Pearl (Mia Goth) isolada na fazenda da família no Texas. Enquanto o marido Howard (Alistair Sewell) está na guerra, ela precisa cuidar do pai paralisado (Matthew Sunderland) e lidar com a rotina rígida e sufocante imposta por sua mãe austera, Ruth (Tandi Wright). O grande combustível de Pearl é o desejo obsessivo por atenção e fama. Ela quer ser uma das garotas que dançam nas telas do cinema, mas essa repressão e a solidão criam um coquetel explosivo em sua mente já perturbada.
Onde o filme foi gravado e como a
ambientação impacta a história?
Mesmo ambientado no Texas profundo, o longa foi gravado inteiramente na Nova Zelândia. A jogada de gênio de Ti West foi filmar Pearl em segredo, aproveitando os mesmos cenários construídos para X e utilizando a equipe técnica de produção que estava no local durante o período de restrições da pandemia.
A estética aqui é completamente diferente do clima oitentista do filme anterior. A fotografia aposta em cores saturadas, vibrantes, remetendo diretamente a clássicos como O Mágico de Oz. É esse contraste visual entre a beleza estética colorida e a podridão moral e sangrenta da protagonista que torna o ambiente tão claustrofóbico e desconfortável.
Quais curiosidades e premiações
marcam esta obra?
Uma das maiores curiosidades dos bastidores é que o roteiro foi assinado por Ti West em parceria com a própria Mia Goth. Eles escreveram o texto durante a quarentena, enquanto ainda finalizavam a pré-produção de X.
No circuito de premiações, a atuação de Mia Goth recebeu aclamação generalizada da crítica especializada:
· Sitges Film Festival: Venceu nas categorias de Melhor Direção (Ti West) e Melhor Atriz (Mia Goth).
· Critics' Choice Super Awards: Venceu como Melhor Atriz em Filme de Terror e Melhor Vilã.
· Fangoria Chainsaw Awards: Mia Goth levou o prêmio de Melhor Atuação Principal.
· Saturn Awards: Venceu na categoria de Melhor Filme Independente.
Outro ponto marcante que virou febre nas redes sociais é o monólogo sem cortes de quase nove minutos que Mia entrega no terceiro ato, além do plano de encerramento, onde ela sustenta um sorriso estampado no rosto durante todos os créditos finais em uma demonstração pura de controle cênico.
Vale a pena assistir Pearl após ver
os outros filmes da franquia?
Sem dúvida alguma. Pearl não é apenas um adendo para fãs de terror slasher; é um estudo psicológico pesado sobre frustração, repressão e psicopatia. O roteiro acerta em cheio ao colocar o espectador dentro da cabeça da personagem. Em vários momentos, a gente quase sente compaixão pela busca por liberdade dela, até ser lembrado bruscamente do quanto ela é perigosa e instável.
Assistir
fora da ordem cronológica — começando por MaXXXine e X — acabou
sendo um prato cheio. Ver essa peça do quebra-cabeça por último deu um peso muito maior às
motivações e ao destino da vilã. A entrega de Mia Goth carrega o
filme nas costas do início ao fim, entregando uma das atuações mais impactantes
do cinema de gênero recente. Se você gosta de um bom suspense
psicológico com toque gore e estética impecável, esta obra é indispensável.