Se você curte ficção científica das boas, daquelas que te dão um sentimento de nulidade e fazem você olhar para o prato de comida com uma certa desconfiança, precisa conhecer o universo sombrio de Soylent Green (lançado no Brasil com o título No Mundo de 2020). Há algum tempo decidi rever esse clássico dos anos 1970 para ver como ele tinha envelhecido. O resultado?
Aqui vou te contar por que essa obra é um marco do cinema distópico, passando pelos bastidores, premiações e o motivo dessa história ainda nos fazer pensar.
Como é a história de No Mundo de 2020?
A trama nos joga em uma Nova
York sufocante. O planeta foi devastado pelo superaquecimento global, pela poluição e
pelo colapso dos recursos naturais.
Nesse cenário decadente, eu
acompanho o detetive Frank Thorn (interpretado pelo lendário Charlton Heston). Ele é um sujeito cascudo, durão, mas prático, que tenta fazer o seu
trabalho enquanto divide um quarto caindo aos pedaços com Sol Roth, um idoso
intelectual que ainda se lembra de como o mundo era bonito antes do colapso.
Quais são os detalhes técnicos e o elenco do
filme?
Lançado originalmente em
1973 sob o título Soylent Green, o filme tem uma nota bem justa no IMDb: 6,9/10.
O elenco é um show à parte:
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Charlton Heston
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Edward G. Robinson
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Leigh Taylor-Young
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Joseph Cotten
A produção foi toda filmada nos estúdios da Metro-Goldwyn-Mayer, em Califórnia, mas a direção de arte e a fotografia conseguem criar a ilusão perfeita de uma Nova York abafada, suja e superpovoada.
Outro ponto alto é o uso da trilha sonora. A música composta por Fred Myrow dita o tom tenso da investigação. No entanto, o ápice musical acontece em uma cena clássica ao som de compositores eruditos como Beethoven e Tchaikovsky. A música clássica contrasta com a feiura do mundo lá fora, criando um momento de pura poesia triste.
Quais premiações e curiosidades marcam essa
obra?
O impacto do filme na época foi imediato. Em 1973, ele venceu o Saturn Award de Melhor Filme de Ficção Científica e levou também o prestigiado Nebula Award de Melhor Apresentação Dramática.
Nos bastidores, o filme carrega histórias marcantes:
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A despedida de uma lenda: Edward G. Robinson estava muito doente durante as
filmagens e faleceu poucas semanas após o término das gravações. Soylent Green foi o seu último filme.
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Adaptação literária: O filme foi vagamente baseado no livro Make Room!
· O ano da ficção: Embora no Brasil o filme tenha recebido o título No Mundo de 2020, a história original se passa no ano de 2022.
Qual é a verdadeira crítica por trás do filme?
Olhando para a obra hoje, ela vai muito além de um simples filme de suspense com estética setentista. A fita faz uma crítica ao consumismo desbragado, à destruição do meio ambiente e ao controle corporativo sobre as necessidades mais básicas da humanidade.
O que mais impressiona é a frieza com que a sociedade daquele futuro trata a vida humana. Os idosos e pobres são vistos como estorvo ou recurso, enquanto os ricos vivem em bolhas com ar-condicionado e comida de verdade. A jornada de Frank Thorn não é a de um herói que vai salvar o planeta; é a busca de um homem comum tentando manter um mínimo de dignidade no meio do caos. O desfecho, com o famoso grito de revelação de Heston, permanece como um dos momentos mais marcantes da história do cinema cult.
Se você gosta de ficção
científica com pegada policial, pé no chão e uma mensagem que dá o que pensar,
vale a pena colocar esse clássico na sua lista.