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Tudo Em Todo O Lugar Ao Mesmo Tempo

 

Eu confesso que demorei um pouco para sentar e assistir Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (originalmente Everything Everywhere All at Once). Com tanta história de multiverso saindo de todo lado, achei que seria só mais um filme de herói com roupa colorida. Me enganei. O que os diretores Daniel Kwan e Daniel Scheinert — conhecidos como "Os Daniels" — fizeram aqui é um nó na cabeça, mas do tipo bom.

Vou te contar por que esse filme virou um marco sem te entregar nenhuma surpresa da trama, porque a graça é justamente ser pego de surpresa pelo caos.

O que torna esse multiverso diferente?

A história foca em Evelyn Wang, vivida pela Michelle Yeoh. Ela é uma imigrante chinesa que toca uma lavanderia nos Estados Unidos e está atolada em problemas: o imposto de renda tá atrasado, o casamento com o Waymond (Ke Huy Quan) está por um fio e a relação com a filha, Joy (Stephanie Hsu), é tensa.

Diferente de outros filmes que usam o multiverso para fanservice, aqui ele serve para mostrar as vidas que a Evelyn poderia ter tido se tivesse feito escolhas diferentes. Lançado em março de 2022, o longa consegue misturar drama familiar com uma ficção científica de baixo orçamento que parece de milhões.

Elenco, nota no IMDb e o som do caos

O elenco é um dos pontos mais fortes. Além da Michelle Yeoh, que entrega tudo, temos o retorno triunfal do Ke Huy Quan (que você deve lembrar de Indiana Jones ou Goonies). Tem também a Jamie Lee Curtis num papel de auditora da Receita Federal que é impagável.

Se você liga para números, a nota no IMDb gira em torno de 7.8, o que é bem alto para um filme tão fora da curva. Outro detalhe que me chamou a atenção foi a trilha sonora, assinada pela banda Son Lux. Eles conseguiram criar um som que acompanha a velocidade frenética das cenas, incluindo parcerias com David Byrne e Mitski.

Quanto às locações, o filme foi rodado majoritariamente em Simi Valley, na Califórnia. A maior parte das cenas da Receita Federal, por exemplo, aconteceu em um prédio de escritórios desativado, o que traz aquele ar burocrático e cinzento que contrasta com o colorido do multiverso.

A avalanche de prêmios e o reconhecimento

Não dá para falar de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo sem mencionar o que ele fez no Oscar. O filme não só foi indicado, como passou o rodo: levou 7 estatuetas, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz para Yeoh.

Foi um fenômeno da produtora A24. O segredo do sucesso, no meu entendimento, foi o equilíbrio. Ele usa um humor ácido, às vezes até meio bobo (tem uma cena com dedos de salsicha que é bizarra), mas no fundo é uma história sobre niilismo e como encontrar sentido em um mundo onde nada parece importar. É um filme "pé no chão" dentro de uma proposta totalmente maluca.

Curiosidades que você precisa saber

Para quem gosta de bastidores, tem uns pontos bem interessantes sobre a produção:

  • Efeitos Visuais Caseiros: A equipe de efeitos visuais era composta por apenas cinco pessoas. Eles aprenderam a fazer a maioria dos efeitos vendo tutoriais na internet. Nada de grandes empresas de CGI.

  • Jamie Lee Curtis Real: A atriz insistiu em não usar nenhum tipo de enchimento ou compressão abdominal para parecer "perfeita". Ela queria que a personagem parecesse uma pessoa real e comum.

  • A Pochete: Aquela cena da luta com a pochete? O Ke Huy Quan fez praticamente todas as acrobacias sozinho, resgatando o tempo em que trabalhava como coreógrafo de dublês.

Se você está procurando algo que saia do óbvio e não tem medo de ver uma narrativa que acelera de 0 a 100 em segundos, esse filme é a escolha certa. É direto, criativo e, honestamente, uma das melhores coisas que o cinema entregou nos últimos anos.

Ela

 

Sentei para rever Ela (Her, título original) esses dias e é impressionante como um filme de 2013 consegue ser mais atual agora, em 2026, do que quando foi lançado. Na época, a ideia de um cara se apaixonar por um sistema operacional parecia uma ficção científica distante, quase um exagero. Hoje, com a IA batendo na nossa porta todo dia, a história soa como um documentário sobre o futuro próximo.

Vou te contar por que esse filme do diretor Spike Jonze continua sendo uma das obras mais inteligentes da última década, sem entregar nenhuma surpresa da trama para quem ainda não assistiu.

O que faz de Ela um filme tão fora da curva?

A premissa é simples: Theodore Twombly, interpretado de forma absurda pelo Joaquin Phoenix, é um homem solitário que trabalha escrevendo cartas pessoais para outras pessoas. Ele está passando por um divórcio complicado e decide instalar um novo sistema operacional dotado de inteligência artificial. É aí que surge Samantha, a voz da Scarlett Johansson.

O elenco ainda conta com nomes de peso como Amy AdamsRooney Mara e Olivia Wilde. O que me agrada na narrativa é que o filme não tenta te convencer de que aquilo é bizarro. Ele foca na relação, na evolução da consciência da máquina e em como o ser humano preenche lacunas emocionais com tecnologia. É um olhar sóbrio e muito bem construído sobre a solidão moderna.

Reconhecimento, crítica e a nota no IMDb

Se você liga para números, o filme manda muito bem. No IMDb, ele sustenta uma nota 8.0, o que é bem alto para um drama desse gênero. Mas o brilho real veio nas premiações. Ela levou o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2014, além de ter sido indicado em outras quatro categorias, incluindo Melhor Filme.

A crítica não economizou elogios para a direção de Spike Jonze, que conseguiu criar um futuro que não parece frio ou cheio de robôs de metal. É um futuro "quente", com cores pastéis e roupas que lembram o passado, o que torna tudo muito mais verossímil e próximo da nossa realidade.

A trilha sonora e o visual de Xangai

Um dos pontos altos, e que eu sempre recomendo prestar atenção, é a trilha sonora. Ela foi composta pela banda Arcade Fire em parceria com Owen Pallett. A música é minimalista, melancólica na medida certa e ajuda a ditar o ritmo lento e introspectivo do filme.

Outra coisa curiosa são as locações. Para criar aquela Los Angeles futurista e densa, a produção filmou muita coisa em Xangai, na China. Aqueles prédios enormes e as passarelas suspensas que você vê o Theodore atravessando são, em grande parte, cenários reais de lá, misturados com um pouco de computação gráfica para dar o toque final.

Curiosidades que mudam a percepção do filme

Existem alguns detalhes de bastidores que eu acho sensacionais. Por exemplo, a Scarlett Johansson nem estava no set durante as filmagens. Originalmente, outra atriz (Samantha Morton) gravou todas as falas da IA no set. Só na pós-produção o Spike Jonze decidiu mudar a "energia" da voz e chamou a Scarlett para regravar tudo do zero.

Além disso, o design de produção tomou uma decisão curiosa: não existe a cor azul em quase nenhum lugar do filme. O objetivo era manter uma paleta de cores quentes (vermelhos, laranjas e amarelos) para contrastar com o tema, que teoricamente seria "frio" por envolver tecnologia.

Se você está procurando um filme que te faça pensar sobre onde estamos indo como sociedade, sem cair em clichês de ação ou drama barato, Ela é a escolha certa. É direto, honesto e visualmente impecável.

Viveiro

 

Sabe quando você assiste a um filme e ele fica martelando na sua cabeça por dias, não pelo susto, mas pela estranheza? Foi exatamente isso que senti com Viveiro (título original: Vivarium). Eu estava buscando algo que fugisse do óbvio no suspense e acabei encontrando essa obra que é, no mínimo, intrigante. É o tipo de história que te prende pelo desconforto e pela curiosidade de entender até onde aquele cenário absurdo vai chegar.

Se você gosta de ficção científica que mexe com o psicológico e apresenta uma crítica social ácida, vale a pena entender o que está por trás dessa produção de 2019.

O labirinto de Lorcan Finnegan e a trama de Vivarium

O filme é dirigido por Lorcan Finnegan, que traz uma estética bem particular para a tela. A história gira em torno de um jovem casal, Gemma e Tom, que está à procura da casa ideal. Eles acabam seguindo um corretor de imóveis bem esquisito até um condomínio chamado Yonder. O lugar é um mar de casas idênticas, pintadas em um tom de verde menta, sob um céu que parece de mentira.

O problema começa quando eles tentam sair de lá e percebem que todos os caminhos levam de volta para a casa número 9. Lançado mundialmente em maio de 2019 no Festival de Cannes, o longa consegue criar uma atmosfera de claustrofobia em um espaço aberto, o que é um mérito enorme da direção. Não há monstros pulando da tela, o medo aqui é existencial.

O peso do elenco com Jesse Eisenberg e Imogen Poots

Para sustentar um filme que se passa quase inteiramente em um único cenário, você precisa de atores que segurem o tranco. Jesse Eisenberg (o Tom) e Imogen Poots (a Gemma) entregam atuações bem sólidas. O Eisenberg, com aquele jeito mais contido e pragmático, contrasta bem com a carga emocional que a Poots carrega ao longo da trama.

A dinâmica deles é o que nos mantém conectados à realidade enquanto tudo ao redor se torna surreal. Eles conseguem transmitir o cansaço e a frustração de estarem presos em uma rotina que eles não escolheram, algo que ressoa bastante com as pressões da vida adulta moderna.

Detalhes técnicos, notas e curiosidades de bastidores

Se você é do tipo que olha os números antes de dar o play, o filme mantém uma nota de 5.8 no IMDb. Pode parecer uma nota mediana, mas em filmes de nicho e com propostas tão experimentais quanto esta, é uma pontuação comum, já que ele divide opiniões. No circuito de festivais, ele foi melhor recebido, chegando a ganhar o prêmio Gan Foundation Support for Distribution em Cannes.

Alguns pontos técnicos que ajudam na imersão:

  • Trilha Sonora: A música é assinada por Kristian Eidnes Andersen, que sabe como usar sons ambientes para aumentar a tensão.

  • Locações de Filmagem: Por incrível que pareça, aquele bairro inteiro não existe de verdade. Grande parte das filmagens aconteceu em estúdios na Bélgica, com algumas cenas externas gravadas na Irlanda.

  • Curiosidade visual: As nuvens no filme foram desenhadas para parecerem "perfeitas demais", como se fossem de um desenho animado, justamente para reforçar a ideia de que o casal está preso em uma simulação ou em algo artificial.

Por que assistir Viveiro

O que mais me chamou a atenção em Viveiro foi a metáfora sobre a vida suburbana. O título original, Vivarium, refere-se a um lugar fechado para criar animais ou plantas para observação. Isso já dá uma pista do que está acontecendo ali sem entregar o final. É um filme seco, direto e que não perde tempo tentando explicar cada detalhe científico, o que eu pessoalmente prefiro.

A narrativa flui bem e o mistério sobre o "pacote" que eles recebem na porta de casa é o que dita o ritmo do meio para o fim. Se você quer algo que fuja dos clichês de Hollywood e te deixe pensando sobre as escolhas que fazemos na vida, esse filme é uma escolha certeira.