Se você quer entender como o mundo quase quebrou em 2008 sem precisar de um diploma em economia, A Grande Aposta (título original: The Big Short) é o caminho mais curto. Eu assisti a esse filme esperando um documentário chato sobre bancos, mas o que encontrei foi um soco no estômago com um ritmo de videoclipe.
Lançado no final de 2015, o longa consegue a proeza de transformar termos técnicos como "CDO sintético" em algo palatável. O segredo? Uma direção afiada e um elenco que não está ali para brincadeira.
O caos financeiro sob a ótica de Adam McKay
O diretor Adam McKay, que até então era conhecido por comédias escrachadas, deu um salto gigantesco aqui. Ele usa uma narrativa que quebra a "quarta parede" o tempo todo. Sabe quando o personagem para o que está fazendo e olha direto para você para explicar uma malandragem? Pois é. Isso deixa o filme fluido e tira aquele peso de "aula de história".
A trama foca em um pequeno grupo de caras que percebeu, antes de todo mundo, que o mercado imobiliário dos EUA era uma bolha prestes a explodir. Enquanto o mundo inteiro celebrava o lucro fácil, esses "outsiders" apostaram contra o sistema. Não é uma história de heróis; é uma história de pessoas que viram o desastre chegando e decidiram lucrar com isso.
Um elenco que carrega o filme nas costas
Não dá para falar de A Grande Aposta sem citar o quarteto principal. O nível de atuação aqui justifica cada indicação a prêmios que o filme recebeu:
Christian Bale: Faz o Michael Burry, um médico que virou gestor de fundos, com aquele jeito antissocial e genial.
Steve Carell: Entrega uma das melhores performances da carreira como Mark Baum, um cara cínico e indignado com a corrupção do sistema.
Ryan Gosling: É o narrador e o cara que "vende" a ideia da aposta, com uma lábia impecável.
Brad Pitt: Aparece como um mentor aposentado, trazendo um pouco de consciência moral para a mesa.
O entrosamento deles faz com que diálogos densos sobre hipotecas pareçam conversas de bar, o que ajuda muito quem não quer se perder nos números.
Bastidores: Trilha, locações e curiosidades
A parte técnica do filme é um capítulo à parte. A trilha sonora, composta por Nicholas Britell, mistura de forma brilhante músicas clássicas com muito rock e hip-hop (tem de Metallica a Ludacris), refletindo o caos das bolsas de valores.
Sobre as filmagens, a produção rodou boa parte das cenas em Nova Orleans, além de Nova York e Las Vegas. A escolha de Nova Orleans teve um motivo prático: incentivos fiscais, mas as cenas em Manhattan captam bem aquela energia frenética de Wall Street.
Algumas curiosidades que você talvez não saiba:
Aparições inusitadas: O filme usa celebridades como Margot Robbie (em uma banheira) e o chef Anthony Bourdain para explicar conceitos financeiros complexos.
Base real: O filme é baseado no livro de Michael Lewis, o mesmo autor de Moneyball.
Visual: Christian Bale aprendeu a tocar bateria pesada (double bass) em duas semanas para uma cena curta do filme.
Vale a pena ver hoje? Notas e premiações
Com uma nota 7.8 no IMDb, o filme continua extremamente atual. No Oscar de 2016, ele levou a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado, além de ter sido indicado em categorias principais como Melhor Filme e Melhor Diretor.
Assistir a A Grande Aposta hoje é um exercício de observação. É um filme seco, direto e que não tenta te emocionar com dramas baratos. Ele te deixa indignado, o que, na minha opinião, é a reação correta ao entender o que aconteceu em 2008. Se você gosta de cinema inteligente que não te subestima, esse filme é obrigatório.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe um comentário sobre o filme e compartilhe com seus amigos.