Viveiro

 

Sabe quando você assiste a um filme e ele fica martelando na sua cabeça por dias, não pelo susto, mas pela estranheza? Foi exatamente isso que senti com Viveiro (título original: Vivarium). Eu estava buscando algo que fugisse do óbvio no suspense e acabei encontrando essa obra que é, no mínimo, intrigante. É o tipo de história que te prende pelo desconforto e pela curiosidade de entender até onde aquele cenário absurdo vai chegar.

Se você gosta de ficção científica que mexe com o psicológico e apresenta uma crítica social ácida, vale a pena entender o que está por trás dessa produção de 2019.

O labirinto de Lorcan Finnegan e a trama de Vivarium

O filme é dirigido por Lorcan Finnegan, que traz uma estética bem particular para a tela. A história gira em torno de um jovem casal, Gemma e Tom, que está à procura da casa ideal. Eles acabam seguindo um corretor de imóveis bem esquisito até um condomínio chamado Yonder. O lugar é um mar de casas idênticas, pintadas em um tom de verde menta, sob um céu que parece de mentira.

O problema começa quando eles tentam sair de lá e percebem que todos os caminhos levam de volta para a casa número 9. Lançado mundialmente em maio de 2019 no Festival de Cannes, o longa consegue criar uma atmosfera de claustrofobia em um espaço aberto, o que é um mérito enorme da direção. Não há monstros pulando da tela, o medo aqui é existencial.

O peso do elenco com Jesse Eisenberg e Imogen Poots

Para sustentar um filme que se passa quase inteiramente em um único cenário, você precisa de atores que segurem o tranco. Jesse Eisenberg (o Tom) e Imogen Poots (a Gemma) entregam atuações bem sólidas. O Eisenberg, com aquele jeito mais contido e pragmático, contrasta bem com a carga emocional que a Poots carrega ao longo da trama.

A dinâmica deles é o que nos mantém conectados à realidade enquanto tudo ao redor se torna surreal. Eles conseguem transmitir o cansaço e a frustração de estarem presos em uma rotina que eles não escolheram, algo que ressoa bastante com as pressões da vida adulta moderna.

Detalhes técnicos, notas e curiosidades de bastidores

Se você é do tipo que olha os números antes de dar o play, o filme mantém uma nota de 5.8 no IMDb. Pode parecer uma nota mediana, mas em filmes de nicho e com propostas tão experimentais quanto esta, é uma pontuação comum, já que ele divide opiniões. No circuito de festivais, ele foi melhor recebido, chegando a ganhar o prêmio Gan Foundation Support for Distribution em Cannes.

Alguns pontos técnicos que ajudam na imersão:

  • Trilha Sonora: A música é assinada por Kristian Eidnes Andersen, que sabe como usar sons ambientes para aumentar a tensão.

  • Locações de Filmagem: Por incrível que pareça, aquele bairro inteiro não existe de verdade. Grande parte das filmagens aconteceu em estúdios na Bélgica, com algumas cenas externas gravadas na Irlanda.

  • Curiosidade visual: As nuvens no filme foram desenhadas para parecerem "perfeitas demais", como se fossem de um desenho animado, justamente para reforçar a ideia de que o casal está preso em uma simulação ou em algo artificial.

Por que assistir Viveiro

O que mais me chamou a atenção em Viveiro foi a metáfora sobre a vida suburbana. O título original, Vivarium, refere-se a um lugar fechado para criar animais ou plantas para observação. Isso já dá uma pista do que está acontecendo ali sem entregar o final. É um filme seco, direto e que não perde tempo tentando explicar cada detalhe científico, o que eu pessoalmente prefiro.

A narrativa flui bem e o mistério sobre o "pacote" que eles recebem na porta de casa é o que dita o ritmo do meio para o fim. Se você quer algo que fuja dos clichês de Hollywood e te deixe pensando sobre as escolhas que fazemos na vida, esse filme é uma escolha certeira.

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