Se você curte aquele tipo de filme que te pega pelo colarinho e só solta nos créditos finais, Xeque-Mate (2006) precisa entrar na sua lista. Eu revi esse longa recentemente e me chamou a atenção como ele envelheceu bem. O título original é Lucky Number Slevin, e ele é um daqueles suspenses policiais que misturam um humor ácido com uma trama de vingança muito bem amarrada.
Vou te contar por que esse filme é um ponto fora da curva, sem estragar as surpresas, claro.
Um elenco de peso e uma trama de dar nó na cabeça
A primeira coisa que salta aos olhos em Xeque-Mate é o elenco. Não é todo dia que você vê Morgan Freeman e Ben Kingsley interpretando chefões do crime rivais, o "Boss" e o "Rabbi". No meio desse fogo cruzado, temos o Slevin, vivido pelo Josh Hartnett. O cara está no lugar errado, na hora errada, e acaba sendo confundido com outra pessoa.
A dinâmica fica ainda melhor com a Lucy Liu, que faz uma vizinha xereta e super carismática, e o Bruce Willis, que interpreta um assassino de aluguel enigmático chamado Mr. Goodkat. O roteiro é seco e direto, focado em diálogos rápidos que lembram um pouco o estilo do Tarantino, mas com uma identidade própria. O diretor, Paul McGuigan, soube conduzir o mistério sem deixar a peteca cair.
Direção, trilha sonora e onde o crime aconteceu
Visualmente, o filme é muito interessante. Ele tem uma estética bem marcada, com papéis de parede geométricos e uma paleta de cores que quase te faz esquecer que é um filme de crime sombrio. Apesar de a história se passar em Nova York, a maioria das locações de filmagem foi em Montreal, no Canadá. Eles conseguiram replicar aquele clima urbano de forma bem convincente.
Outro ponto que merece destaque é a trilha sonora, assinada por J. Ralph. A música dita o ritmo das cenas e ajuda a construir aquela tensão crescente. É o tipo de trilha que você não nota de primeira porque ela está perfeitamente integrada ao que acontece na tela, mas se tirasse, o filme perderia metade da graça.
Notas, prêmios e o que dizem por aí
Se você se baseia em números, o filme manda bem. No IMDb, a nota é 7.7, o que é um resultado excelente para um thriller desse gênero. Ele não foi um daqueles "queridinhos" imediatos do Oscar, mas fez bonito no circuito de festivais. No Milan International Film Festival, por exemplo, ele levou os prêmios de Melhor Filme e Melhor Ator para o Josh Hartnett.
É o tipo de obra que ganhou status de cult com o tempo. Quem assistiu na época do lançamento, em 2006, costuma recomendar para todo mundo hoje em dia. É um cinema de entretenimento inteligente, que não subestima o espectador.
Curiosidades que você provavelmente não sabia
Para fechar o papo, separei alguns detalhes de bastidores que dão um contexto legal para a obra:
Toalha famosa: O Josh Hartnett passa boa parte do início do filme apenas de toalha. Dizem que isso foi uma decisão de última hora para aumentar a sensação de vulnerabilidade do personagem.
O Plano Kansas City: O filme popularizou o termo "Kansas City Shuffle", que é basicamente quando todo mundo olha para a direita enquanto você vai para a esquerda.
Reencontro: Bruce Willis e Josh Hartnett já tinham trabalhado juntos antes em Sin City: A Cidade do Pecado.
Se você está procurando um filme com roteiro inteligente, reviravoltas que fazem sentido e atuações de primeira, dá o play em Xeque-Mate. É diversão garantida para quem gosta de um bom quebra-cabeça cinematográfico.
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