Se você está cansado daquela fórmula batida de Hollywood onde tudo é previsível, senta aí. Quero te falar sobre um filme que, admito, demorei para ver, mas que me pegou pelo jeito direto de encarar a vida. Estou falando de Ensina-me a Viver (o título original é Harold and Maude), um clássico de 1971 que sobreviveu ao tempo sem precisar de efeitos especiais ou dramas forçados.
Vou te contar por que esse filme do diretor Hal Ashby ainda é relevante e como ele consegue ser profundo sendo, na verdade, bem simples.
O encontro improvável entre Harold e Maude
A história gira em torno de Harold (vivido por Bud Cort), um jovem rico, entediado e obcecado pela morte. O cara passa o tempo encenando suicídios falsos para chocar a mãe e frequentando enterros de desconhecidos. Foi em um desses funerais que ele conheceu Maude (Ruth Gordon), uma senhora de quase 80 anos que é exatamente o oposto dele.
Ela não está nem aí para as convenções sociais. Maude vive o presente, rouba carros quando precisa e enxerga beleza em coisas que a gente ignora na correria. O que eu acho massa nessa narrativa é que não existe aquela tensão romântica clichê. É uma conexão de ideias. Maude não tenta "salvar" o Harold com discursos motivacionais baratos; ela apenas mostra, na prática, que estar vivo é uma oportunidade única.
A trilha sonora de Cat Stevens e a estética dos anos 70
Não dá para falar de Harold and Maude sem mencionar a música. A trilha sonora é inteira assinada por Cat Stevens. As letras parecem que foram escritas enquanto ele assistia às cenas. Músicas como "If You Want to Sing Out, Sing Out" e "Where Do the Children Play?" dão o ritmo exato para o filme: algo leve, mas com uma ponta de melancolia.
As locações também ajudam muito no clima. O filme foi rodado na região da Baía de São Francisco, na Califórnia. Você vê aquelas casas vitorianas, as estradas costeiras e uma névoa que combina perfeitamente com o humor ácido da trama. É um visual pé no chão, bem característico do cinema americano do início da década de 70.
| Informações Técnicas | Detalhes |
| Título Original | Harold and Maude |
| Lançamento | 20 de dezembro de 1971 |
| Diretor | Hal Ashby |
| Elenco Principal | Bud Cort, Ruth Gordon, Vivian Pickles |
| Nota IMDb | 7.9/10 |
Premiações e o reconhecimento tardio
Uma curiosidade interessante é que, na época do lançamento, o filme foi um fracasso de bilheteria. A crítica não soube muito bem onde encaixar uma comédia tão sombria. Mas o tempo é o melhor juiz. Com os anos, ele virou um filme cult absoluto.
Em termos de premiações, Ruth Gordon e Bud Cort foram indicados ao Globo de Ouro por suas atuações. Além disso, o filme hoje ocupa um lugar de honra na lista das melhores comédias e romances do American Film Institute (AFI). Ele prova que você não precisa ganhar um Oscar de Melhor Filme para se tornar imortal na cabeça de quem assiste.
Curiosidades que você provavelmente não sabia
Para fechar o papo, separei alguns fatos que mostram como os bastidores foram tão peculiares quanto o filme:
Trilha demorada: Apesar do sucesso das músicas, a trilha sonora oficial só foi lançada em disco muitos anos depois, por questões de direitos autorais do Cat Stevens.
O carro icônico: O Jaguar que o Harold transforma em um carro funerário (um "hearse") é uma das peças mais famosas do design automotivo no cinema.
Idade é apenas um número: Ruth Gordon tinha 74 anos durante as filmagens, e sua energia em cena é o que carrega o filme nas costas.
Roteiro de universidade: O roteiro foi originalmente a tese de mestrado de Colin Higgins na UCLA. Ele trabalhava como limpador de piscinas para um produtor quando mostrou o texto.
No fim das contas, Ensina-me a Viver é um filme sobre liberdade. Sem spoilers, mas o jeito que termina faz você fechar o notebook ou desligar a TV pensando um pouco mais no que está fazendo com o seu tempo. Se você quer algo autêntico, pode ir sem medo.
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