Se você curte terror, já sabe que pouca coisa bate a sensação de um clássico dos anos 80 que realmente mexe com o psicológico. Estou falando de Cemitério Maldito (Pet Sematary), a adaptação de 1989 da obra do mestre Stephen King. O filme não tenta ser bonito; ele é sujo, cru e lida com um dos maiores tabus humanos: a incapacidade de aceitar a morte.
Preparei este guia para a gente dissecar por que esse filme ainda é relevante hoje, sem entregar o final para quem ainda não viu.
O que faz de Cemitério Maldito um clássico do horror?
O filme foi lançado em 21 de abril de 1989, dirigido por Mary Lambert. Muita gente não sabe, mas o próprio Stephen King escreveu o roteiro, o que explica por que a atmosfera é tão fiel ao livro. A trama foca na família Creed, que se muda para uma casa rural no Maine. O problema é que a estrada em frente é perigosa e o terreno atrás da casa esconde algo muito antigo e sinistro.
No elenco, temos Dale Midkiff como o pai, Louis Creed, e Denise Crosby como Rachel. Mas quem rouba a cena é Fred Gwynne no papel de Jud Crandall, o vizinho que apresenta o cemitério e solta a frase icônica: "Às vezes, a morte é melhor". No IMDb, o filme sustenta uma nota sólida de 6.6, o que é bem alto para o gênero naquela época.
Bastidores, trilha sonora e locações reais
Um ponto que sempre me chamou a atenção foi a trilha sonora. Ela tem aquele peso sombrio do final da década de 80, mas o destaque absoluto vai para os Ramones, com a música homônima "Pet Sematary". Diz a lenda que Dee Dee Ramone escreveu a letra no porão de King após ler o livro.
Sobre o visual do filme, as locações de filmagem foram quase todas no Maine, nos EUA (clássico do King). O clima nublado e as florestas densas de lugares como Ellsworth e Bangor ajudam a criar aquela sensação de isolamento que o filme pede.
Em termos de premiações, o filme não foi um "queridinho" do Oscar, mas recebeu uma indicação ao Saturn Award de Melhor Filme de Terror e a trilha foi indicada ao Razzie (Framboesa de Ouro), o que é irônico, já que a música se tornou um hino do rock.
Curiosidades que você provavelmente não sabia
Mesmo que você já tenha assistido, existem detalhes técnicos e escolhas de direção que fazem a diferença:
O próprio mestre: Stephen King faz uma ponta como o padre no funeral. Fique de olho.
Zelda: A irmã de Rachel, que aterrorizou o sono de muita gente, foi interpretada por um homem (Andrew Hubatsek). A diretora queria que os movimentos do personagem fossem estranhos e desconfortáveis, algo que só conseguiu com essa escalação.
O gato Winston Churchill: Foram usados sete gatos diferentes para interpretar o Church.
Mictlantecuhtli: O filme toca levemente em lendas indígenas (os Micmac), dando uma profundidade folclórica ao terror.
Por que assistir (ou rever) hoje em dia?
Diferente dos filmes de terror atuais, que dependem de jump scares baratos a cada cinco minutos, Cemitério Maldito constrói um desconforto constante. Ele te faz perguntas desconfortáveis: até onde você iria para ter alguém que ama de volta?
É um filme direto, sem firulas visuais exageradas, que entrega uma experiência de horror visceral. Se você gosta de entender as raízes do gênero antes da era dos efeitos digitais excessivos, esse aqui é obrigatório na lista.
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