Cara, se você curte aquela comédia clássica que não tem medo de ser boba e genial ao mesmo tempo, senta aí. Hoje decidi revisitar um dos meus favoritos do Jerry Lewis: O Otário (1964). O título original é The Patsy, e ele é basicamente uma aula de como construir um personagem icônico partindo do absoluto zero.
Eu sempre digo que o Lewis tinha um "timing" que poucos no cinema conseguiram replicar, e aqui ele estava no auge da sua forma física e criativa.
Do que se trata O Otário de 1964?
A premissa é aquela clássica jornada do "patinho feio". Logo no começo, um grande astro da comédia morre em um acidente de avião. O problema é que todo o staff dele — produtores, agentes, roteiristas — percebe que vai ficar desempregado e sem grana. A solução? Eles decidem pegar o cara mais comum, desajeitado e "otário" que encontram pela frente para transformar em um novo astro.
Esse cara é o Stanley Belt, interpretado pelo Lewis. Stanley é um mensageiro de hotel que mal consegue carregar uma mala sem causar um desastre. A história foca nesse treinamento intensivo (e hilário) para fazer dele uma celebridade. É aquele tipo de roteiro que te prende porque você torce pelo coitado, mesmo sabendo que ele é um desastre ambulante.
Quem está por trás dessa produção?
O filme foi lançado em 1964, uma época em que o Jerry Lewis já era dono do próprio nariz em Hollywood. Além de ser o protagonista, ele é o diretor da obra. Isso faz toda a diferença, porque você sente que cada careta e cada queda foram coreografadas exatamente como ele queria.
No elenco, temos nomes que dão um peso absurdo para a trama, como Everett Sloane, Phil Harris e a belíssima Ina Balin. A nota no IMDb costuma girar na casa dos 6,4, o que eu acho injusto. Para quem entende a proposta do "slapstick" (aquela comédia física de tropeços e confusões), o filme vale muito mais. Grande parte das filmagens rolou no Ambassador Hotel, em Los Angeles, o que traz aquele ar luxuoso da Califórnia dos anos 60.
Quais são as melhores curiosidades sobre The Patsy?
Existem alguns detalhes que deixam a experiência de assistir ainda melhor. Primeiro, o filme é recheado de participações especiais de gente grande da época, como o Ed Sullivan. É um verdadeiro "quem é quem" da Hollywood clássica.
Outra coisa legal é que o Jerry Lewis usou esse filme para satirizar a própria indústria. Ele mostra como os produtores são sanguinários e como a fama pode ser fabricada artificialmente. Ah, e tem uma cena clássica de canto e dança que mostra que, por trás de toda a bobice, o cara era um artista completo e extremamente técnico.
Qual é a minha crítica real sobre a obra?
Sendo bem direto com você: O Otário não é apenas um filme sobre um cara bobo. É um filme sobre identidade. A gente vê o Stanley sendo moldado por pessoas que só querem o dinheiro dele, mas no fundo, a essência dele (mesmo que atrapalhada) é o que realmente brilha.
O ritmo é excelente, as gags visuais ainda funcionam muito bem — mesmo décadas depois — e a direção do Lewis é inspirada. Se você gosta de uma narrativa fluída e de ver um mestre do humor em ação, esse filme é obrigatório. Não é um filme "durão" de ação, mas é um filme que exige respeito pela construção técnica da comédia.
No fim das contas, a gente acaba se identificando um pouco com o Stanley. Quem nunca se sentiu meio peixe fora d'água tentando se encaixar em um lugar que não parece o seu? É um clássico leve, divertido e que carrega o DNA de uma era de ouro que não volta mais.
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