Sabe quando você assiste a um filme tão visceral que ele parece ter sido arrancado de um pesadelo real? Pois é, eu acabei de revisitar Greed (ou Ouro e Maldição, aqui no Brasil) e, cara, o impacto desse troço não diminuiu nem um pouco em cem anos.
Lançado originalmente em 1924, esse clássico do cinema mudo é um soco no estômago sobre o que acontece quando a obsessão por dinheiro consome a alma de um homem. Vou te contar: a história por trás da produção é tão insana quanto o próprio filme.
Por que Greed é considerado um filme amaldiçoado?
O título original é Greed, e o nome não é marketing. O diretor Erich von Stroheim era um visionário meio maluco que decidiu adaptar o livro McTeague, de Frank Norris, com uma fidelidade obsessiva. Ele não queria estúdios; ele queria o real.
O cara levou a equipe para filmar no Vale da Morte, na Califórnia, sob um sol de mais de 50°C. Os atores estavam literalmente fritando, o que trouxe uma angústia genuína para as telas. O elenco principal, com Gibson Gowland, Zasu Pitts e Jean Hersholt, entregou atuações que beiram a loucura.
A maior curiosidade (e tragédia cinéfila) é que a versão original de Stroheim tinha quase 9 horas de duração. O estúdio, claro, entrou em pânico, tomou o filme dele e cortou para cerca de 140 minutos. Grande parte do material original foi destruída para recuperar a prata dos rolos de filme. Sim, o filme sobre a ganância foi destruído pela ganância financeira.
Qual é a nota de Ouro e Maldição no IMDB?
Mesmo sendo uma obra retalhada, o filme mantém uma moral altíssima entre a crítica e o público. Atualmente, ele sustenta uma nota 7.7 no IMDB. Para um filme de 1924, isso é um atestado de que a narrativa ainda sobrevive ao teste do tempo.
A trama foca em McTeague, um dentista charlatão, sua esposa Trina e o amigo Marcus. Tudo começa a desmoronar quando Trina ganha na loteria. O que deveria ser a sorte grande vira o estopim para uma espiral de avareza, ciúme e violência. É aquele tipo de história que te faz pensar: até onde o ser humano vai por um punhado de moedas?
Como o diretor mudou o cinema com este filme?
Erich von Stroheim era um perfeccionista perigoso. Ele usava técnicas de profundidade de campo e simbolismos que o cinema só viria a dominar décadas depois. Em Ouro e Maldição, ele usa mãos douradas e objetos brilhantes para representar a tentação constante.
Minha crítica pessoal é que, mesmo na versão curta, o filme é pesado. Ele não tenta ser bonitinho ou te dar esperança. É cinema naturalista puro. A sequência final no Vale da Morte, com os personagens algemados um ao outro em meio ao deserto, é uma das imagens mais poderosas e amargas que eu já vi. É um lembrete bruto de que, no fim, o ouro não mata a sede de ninguém.
Vale a pena assistir Greed nos dias de hoje?
Se você curte a história do cinema e quer entender de onde veio a base para muito drama psicológico moderno, a resposta é um sim absoluto. Não espere um entretenimento leve de domingo. É uma obra densa, que exige atenção, mas que te recompensa com uma atmosfera que poucos filmes modernos conseguem replicar.
Assistir a Greed é ver o nascimento da ambição desenfreada como tema central da sétima arte. É um filme feito de suor, poeira e uma visão artística que o dinheiro nenhum do mundo conseguiu apagar totalmente. O maior problema é encontrar uma versão que a legenda esteja sincronizada com o vídeo.
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