Se você curte cinema que foge do óbvio, provavelmente já parou para analisar Corpo Fechado Eu revi esse filme recentemente e, mesmo depois de mais de duas décadas, a obra do M. Night Shyamalan continua entregando uma experiência muito mais sólida do que a maioria dos filmes de heróis coloridos que vemos hoje.
Aqui não tem capa ou efeitos especiais exagerados. O que temos é um suspense psicológico de primeira, que trata a mitologia das histórias em quadrinhos como algo pé no chão e, até certo ponto, sombrio.
O que torna Corpo Fechado um clássico cult
Lançado originalmente como Unbreakable, o filme chegou aos cinemas no final de 2000. Na época, o diretor M. Night Shyamalan estava no auge, logo após o sucesso estrondoso de O Sexto Sentido. Muita gente esperava outro filme de terror, mas ele entregou algo diferente: um estudo de personagem sobre um homem comum que descobre ser... incomum.
A trama foca em David Dunn, interpretado por Bruce Willis. Ele é o único sobrevivente de um desastre de trem terrível e, o mais bizarro, sai de lá sem um único arranhão. É aí que entra o personagem de Samuel L. Jackson, Elijah Price (também conhecido como "Sr. Vidro"), um colecionador de HQs com uma doença degenerativa que torna seus ossos extremamente frágeis. O contraste entre os dois é o motor do filme.
Elenco e Direção:
Diretor: M. Night Shyamalan.
Protagonistas: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright e Spencer Treat Clark.
Lançamento: 22 de novembro de 2000 (EUA).
Ficha técnica, Nota no IMDb e Trilha Sonora
Se você é do tipo que olha os números antes de dar o play, saiba que o filme mantém uma excelente reputação. A nota no IMDb é 7.3, o que é bem alto para um suspense desse gênero. Ele não tenta te ganhar com sustos baratos, mas sim com uma tensão crescente.
A trilha sonora merece um parágrafo à parte. Composta por James Newton Howard, a música é minimalista e pesada. Ela ajuda a construir aquela sensação de isolamento que o David Dunn sente. Não é uma trilha heróica; é uma trilha de descoberta e, muitas vezes, de medo.
Quanto a premiações, o filme não foi um "papa-Oscars", mas recebeu diversas indicações em premiações de gênero, como o Saturn Awards e o Bram Stoker Awards, consolidando-se como uma peça fundamental do suspense moderno.
Locações e a estética visual de Filadélfia
Uma coisa que eu sempre noto nos filmes do Shyamalan é o uso da cidade. Corpo Fechado foi rodado inteiramente em Filadélfia, Pensilvânia. As locações não são escolhidas ao acaso; o clima cinzento e urbano da cidade ajuda a passar a ideia de realidade.
A fotografia usa planos longos e enquadramentos que lembram as páginas de uma HQ, mas sem ser caricato. Você sente que aquele mundo é real, que aquele metrô onde o David trabalha existe, o que torna a possibilidade de ele ter "poderes" muito mais impactante para quem assiste.
Curiosidades que mudam a sua percepção do filme
Para fechar o papo, separei alguns detalhes de bastidores que mostram o nível de detalhismo da produção:
Código de Cores: Preste atenção nas cores. O David Dunn (Willis) está quase sempre associado ao verde (estabilidade, proteção), enquanto o Elijah (Jackson) usa roxo (realeza, mas também instabilidade).
O Nascimento de uma Trilogia: Na época, ninguém sabia, mas o filme faz parte de um universo compartilhado que continuou anos depois com Fragmentado (2016) e Vidro (2019).
HQs na Vida Real: Shyamalan escreveu o roteiro baseado na estrutura de três atos de uma revista em quadrinhos tradicional: a origem, a descoberta e o confronto.
Bruce Willis em silêncio: O diretor pediu que Willis atuasse com o mínimo de expressão possível para passar a ideia de que David Dunn era um homem "adormecido" para a própria vida.
Corpo Fechado é um filme essencial para quem gosta de roteiros bem amarrados e quer ver uma abordagem realista sobre o que aconteceria se alguém "indestrutível" vivesse entre nós. É um suspense de respeito, sem pressa de acabar, e que te faz pensar até onde vai a nossa percepção da realidade.
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