Cara, se você cresceu nos anos 80 ou é fã de uma estética mais "extravagante", sabe que Flash Gordon (1980) não é apenas um filme, é uma experiência sensorial completa. Recentemente, resolvi rever esse clássico e me peguei pensando em como ele sobreviveu ao tempo de um jeito tão único. Ele não tenta ser o próximo Star Wars; ele abraça o exagero, as cores vibrantes e aquela pegada de quadrinhos das antigas que hoje em dia a gente quase não vê mais com tanta alma.
Por que Flash Gordon ainda é um ícone cult?
Lançado originalmente como Flash Gordon, o filme chegou aos cinemas em 1980 com a difícil missão de adaptar as tiras de jornal de Alex Raymond dos anos 30. O resultado foi algo que dividiu opiniões na época, mas que hoje é celebrado como uma obra-prima do camp. Dirigido por Mike Hodges, o longa tem uma identidade visual que você reconhece em cinco segundos de cena.
No IMDb, o filme ostenta uma nota 6.5, o que pode parecer baixo para os desavisados, mas não se engane: para o gênero de aventura fantástica, ele é nota dez no quesito diversão. É aquele tipo de filme que não se leva a sério e, justamente por isso, entrega entretenimento puro.
Quem deu vida aos heróis e vilões de Mongo?
O elenco é uma mistura curiosa que funcionou muito bem. Temos Sam J. Jones como o herói Flash Gordon — o cara era um jogador de futebol americano na vida real, o que trouxe aquela presença física de "loiro heróico" perfeita para o papel. Ao lado dele, Melody Anderson interpreta Dale Arden.
Mas, vamos ser sinceros, quem rouba a cena são os veteranos. Max von Sydow está absolutamente hipnotizante como o Imperador Ming, o Impiedoso. O cara entrega uma vilania elegante e ameaçadora sem precisar gritar. E ainda temos Timothy Dalton como o Príncipe Barin e Brian Blessed como o Príncipe Vultan (quem não lembra do grito "Gordon's alive!"?).
As gravações rolaram principalmente nos estúdios Elstree e Shepperton, no Reino Unido, o que explica um pouco daquele clima de produção europeia misturada com orçamento de Hollywood.
Quais são as curiosidades mais insanas da produção?
Uma das coisas que eu mais curto nesse filme é a trilha sonora. Diferente da maioria dos filmes de ficção científica que usavam orquestras clássicas, a produção chamou ninguém menos que o Queen. A música tema é um hino que gruda na cabeça e dá o tom de urgência e aventura de cada cena.
Outro ponto interessante: o Sam J. Jones teve desentendimentos com o produtor Dino De Laurentiis durante a pós-produção. Por causa disso, grande parte das falas dele no filme foi dublada por outro ator. Bizarro, né? E mesmo assim ele se tornou o rosto definitivo do personagem para toda uma geração.
O filme envelheceu bem ou é só nostalgia?
Sendo bem direto com você: se você busca efeitos especiais realistas à la Marvel, vai se decepcionar. Mas, se você aprecia design de produção, figurinos absurdos e uma narrativa que corre sem medo de ser brega, Flash Gordon é um prato cheio.
A crítica da obra sempre passa pelo fato de que o filme é "estranho". Mas essa estranheza é proposital. Ele é visualmente rico, quase operístico. As naves, os cenários de fumaça colorida e o figurino carregado de dourado criam um universo que parece saído de um sonho febril de um colecionador de HQs. É um filme sobre coragem, amizade e, claro, salvar a Terra de um tirano espacial com muito estilo.
No fim das contas, rever Flash Gordon é como reencontrar um velho amigo de infância que continua contando as mesmas piadas, mas que você não troca por nada. É autêntico, divertido e tem uma energia que falta em muitas superproduções atuais. Se você ainda não viu (ou não revê faz tempo), faz um favor a si mesmo: coloca a trilha do Queen no talo e aproveite a viagem até o planeta Mongo.
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