Se você curte cinema de verdade, aquele que te deixa grudado na poltrona pela escala da produção, precisa conhecer o épico soviético Guerra e Paz (1966). Vou te contar: poucas vezes vi algo tão grandioso. Não estou falando de efeitos digitais modernos, mas de milhares de soldados reais e uma dedicação que beira a obsessão.
Por que Guerra e Paz (1966) é um marco do cinema?
Para entender esse filme, a gente precisa voltar para os anos 60. O título original é Voyna i mir e ele nasceu de uma questão de honra nacional. Os americanos tinham feito uma versão em 1956 que fez sucesso, e o governo soviético basicamente disse: "Ninguém conta a nossa história melhor que a gente".
O projeto foi entregue ao diretor Sergei Bondarchuk, que também interpreta um dos protagonistas, o Pierre Bezukhov. Ele não economizou em nada. O filme foi lançado em quatro partes entre 1966 e 1967, ganhando o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No IMDb, a obra ostenta uma nota sólida de 8.3, o que reflete o respeito que cinéfilos do mundo todo têm por essa empreitada.
Quem faz parte do elenco e onde foi gravado?
O elenco é um ponto alto, com atuações que transmitem o peso da aristocracia e o horror das trincheiras. Além do próprio Bondarchuk, temos Ludmila Savelyeva como a encantadora Natasha Rostova e Vyacheslav Tikhonov vivendo o Príncipe Andrei Bolkonsky.
As locações são um espetáculo à parte. O filme foi rodado em diversos pontos da então União Soviética, usando palácios reais em Leningrado (hoje São Petersburgo) e vastos campos na Ucrânia para as cenas de batalha. A sensação de autenticidade é absurda; você sente o frio das estepes e o cheiro da pólvora.
Quais são as curiosidades mais impressionantes da produção?
Aqui é onde o filme ganha qualquer discussão de bar sobre cinema clássico. Para começar, o orçamento foi astronômico para a época. Estima-se que, em valores corrigidos, tenha custado centenas de milhões de dólares.
Exército real: O exército soviético forneceu milhares de soldados (fala-se em até 120 mil em algumas fontes, embora os números variem) para servirem como figurantes nas batalhas.
Museus abertos: Museus russos emprestaram móveis originais do século XIX e uniformes históricos para garantir que cada detalhe fosse impecável.
Câmeras inovadoras: Bondarchuk usou câmeras de 70mm e desenvolveu suportes móveis para criar planos que parecem flutuar sobre o campo de batalha, algo muito à frente do seu tempo.
Vale a pena assistir Guerra e Paz hoje em dia?
Sendo direto: sim, mas vá com tempo. A obra completa tem cerca de sete horas de duração. Minha crítica pessoal é que esse filme não é apenas uma adaptação do livro de Liev Tolstói, é uma experiência sensorial. A forma como Bondarchuk equilibra os dramas íntimos de Pierre e Natasha com a brutalidade da invasão de Napoleão é magistral.
Diferente das versões de Hollywood, que costumam focar só no romance, a versão de 1966 mergulha na alma russa e na filosofia sobre o destino e a guerra. É um filme robusto, visualmente acachapante e que exige respeito pela sua coragem técnica. Se você gosta de história, estratégia militar ou apenas de uma narrativa bem construída, esse é um item obrigatório na sua lista. No fim das contas, é cinema raiz feito por quem não tinha medo de pensar grande.
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