Do Que as Mulheres Gostam (What Women Want)

 

Se você já se pegou olhando para uma mulher e pensando: "o que se passa nessa cabeça?", saiba que você não está sozinho. Eu também já estive lá. E foi justamente essa curiosidade que me assistir Do Que as Mulheres Gostam, um clássico que, mesmo décadas depois, ainda entrega umas verdades interessantes de um jeito bem direto.

Neste texto, vou te contar por que esse filme ainda é relevante, sem firulas e sem spoilers, focando no que realmente importa.

Do Que as Mulheres Gostam: O Filme que Parou o Ano 2000

Lançado originalmente em dezembro de 2000, o filme chegou com o título original What Women Want. A direção ficou por conta de Nancy Meyers, uma diretora que sabe muito bem como construir cenários de classe média alta e diálogos rápidos.

A premissa é simples, mas certeira: Nick Marshall, um publicitário machista e egocêntrico, sofre um acidente doméstico e, de repente, começa a ouvir os pensamentos das mulheres. O cara passa de "garanhão incompreendido" a um sujeito que entende exatamente o que as colegas de trabalho, a filha e a vizinha estão sentindo. É um exercício interessante de perspectiva, sem ser meloso demais.

Mel Gibson, Helen Hunt e a Resposta do Público

No papel principal, temos Mel Gibson. Na época, ele era o auge do astro de ação, então ver o "Mad Max" tentando entender o universo feminino trouxe um contraste bacana. Ao lado dele, Helen Hunt entrega uma atuação sólida como a rival profissional que acaba virando o centro das atenções de Nick. O elenco ainda conta com nomes como Marisa Tomei e Alan Alda.

Se você liga para métricas, o filme segura uma nota 6.4 no IMDb. Não é um "Poderoso Chefão", mas para o gênero de comédia romântica, é uma pontuação bem honesta. Ele cumpre o que promete: diverte e faz você pensar um pouco sobre como a gente falha na comunicação básica com o sexo oposto.

A Vibe de Chicago e uma Trilha Sonora de Respeito

Uma coisa que me chamou a atenção foram as locações de filmagem. O filme se passa e foi gravado em Chicago, Illinois. A arquitetura da cidade e aquele clima de metrópole corporativa dão o tom certo para a disputa de egos no mundo da publicidade.

Já a trilha sonora é um ponto alto para quem curte algo mais clássico. Tem muito jazz e standards americanos que dão uma elegância ao filme. Espere ouvir:

  • Frank Sinatra ("Something Stupid")

  • Sammy Davis Jr.

  • Meredith Brooks (aquela música "Bitch", que faz todo sentido no contexto do filme)

  • The Temptations

Essa escolha musical tira o filme do lugar comum das comédias "bobinhas" e coloca ele em um patamar mais sofisticado.

Curiosidades, Prêmios e Detalhes que Você Não Sabia

O filme não passou batido pelas premiações. O Mel Gibson, por incrível que pareça para alguns, foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia ou Musical. Ele realmente se esforçou na parte física do humor.

Aqui vão algumas curiosidades rápidas para você soltar na roda de amigos:

  • Depilação real: Na cena clássica em que o personagem testa produtos femininos, Mel Gibson realmente depilou as pernas com cera. O grito de dor não foi exatamente atuação.

  • Bilheteria: O filme foi um monstro de faturamento, arrecadando mais de 370 milhões de dólares ao redor do mundo.

  • Remake: Em 2019, fizeram uma versão invertida chamada What Men Want (Do Que os Homens Gostam), mas o impacto do original de 2000 ainda é insuperável.

No fim das contas, Do Que as Mulheres Gostam é um filme sobre ouvir. Algo que, sejamos honestos, a gente esquece de fazer com frequência. É uma produção bem amarrada, com início, meio e fim, que não tenta reinventar a roda, mas te entrega um entretenimento de qualidade para um domingo à noite.


O Corcel Negro (The Black Stallion)

 

Se você gosta de cinema clássico, daqueles que não precisam de diálogos complexos para te prender na cadeira, precisa conhecer (ou rever) Corcel Negro. Vou te contar por que esse filme, lançado lá em 1979, ainda é uma referência visual e técnica até hoje. Sem enrolação e sem spoilers, vamos direto ao que interessa.

O início da jornada: Do que se trata Corcel Negro?

O título original é The Black Stallion. A história foca na relação entre um garoto e um cavalo árabe selvagem. Tudo começa com um naufrágio e os dois isolados em uma ilha. É um filme de sobrevivência, mas também de amizade e superação. O diretor Carroll Ballard conseguiu transformar um livro infantil em uma obra cinematográfica de respeito, com o apoio de ninguém menos que Francis Ford Coppola na produção executiva.

O elenco conta com o jovem Kelly Reno, que entrega uma atuação muito natural, além dos veteranos Mickey Rooney e Teri Garr. Se você busca uma narrativa que flui pelo visual, esse é o seu filme.

Bastidores e Locações: Onde a mágica aconteceu

O que me impressiona nesse filme é a fotografia. O cara por trás das câmeras foi Caleb Deschanel, e o trabalho dele é impecável. Para passar aquela sensação de isolamento e beleza selvagem, as locações de filmagem foram muito bem escolhidas.

Boa parte das cenas da ilha foram rodadas na Sardenha, na Itália. Já as partes que envolvem o treinamento e as corridas foram filmadas no Canadá. Essa mistura de cenários dá ao filme uma escala épica que poucos filmes de "animal e dono" conseguem atingir. É cinema puro, focado no que a gente está vendo, sem precisar que alguém explique cada detalhe.

Trilha Sonora e Reconhecimento Técnico

Um filme desse porte não seria o mesmo sem uma trilha que dita o ritmo. A trilha sonora foi composta por Carmine Coppola. Ela varia entre momentos de tensão e uma leveza que acompanha a liberdade do cavalo correndo na praia.

E os especialistas concordam que o filme é bom:

  • Nota IMDb: Atualmente, o filme segura uma nota sólida de 7.7/10.

  • Premiações: O filme recebeu um Oscar de Realização Especial pela Edição de Som e foi indicado a Melhor Montagem e Melhor Ator Coadjuvante (Mickey Rooney).

É aquele tipo de produção que foi feita para ser assistida em uma tela grande, com um sistema de som decente, porque o design sonoro é metade da experiência.

Curiosidades que você precisa saber

Como todo clássico, Corcel Negro tem seus segredos de bastidores que tornam a experiência de assistir ainda melhor:

  1. O Cavalo Estrela: O cavalo principal, chamado Cass Ole, era um campeão árabe de verdade. Ele era tão dócil que as crianças podiam chegar perto, mas nas telas ele parece uma fera indomável.

  2. Habilidade Real: O ator Kelly Reno não era apenas um ator mirim; ele era um cavaleiro experiente antes mesmo de ser escalado para o filme. Isso permitiu que ele fizesse a maioria das cenas sem dublês.

  3. Poucos Diálogos: A primeira metade do filme quase não tem falas. É tudo baseado na interação visual e sonora entre o menino e o animal.

  4. Maquiagem Equestre: Para que o cavalo parecesse totalmente negro e brilhante em todas as cenas, ele usava uma espécie de "maquiagem" para cobrir pequenas manchas brancas nas patas.

Conclusão: Vale a pena assistir hoje?

Sim, vale. Se você está cansado de filmes com cortes rápidos e CGI exagerado, Corcel Negro é um respiro. É uma narrativa direta, masculina no sentido de ser prática e focada na ação e no respeito mútuo, sem ser excessivamente sentimental. É um clássico que envelheceu muito bem.