Lembro como se fosse hoje o dia em que entrei no cinema para ver dois dos maiores ícones da minha infância se enfrentarem na grande tela. A expectativa era gigantesca. Afinal, não estávamos falando apenas de mais um filme de herói, mas do embate definitivo entre o idealismo divino e a força de vontade humana levada ao limite.
Qual é a verdadeira proposta de
Batman vs Superman: A Origem da Justiça?
Lançado em 2016, com o título original Batman v Superman: Dawn of
Justice, o filme chegou aos cinemas com a responsabilidade de
expandir o universo compartilhado da DC nos cinemas. Sob a direção de Zack
Snyder, a produção resolveu adaptar o clima denso e sombrio dos quadrinhos
clássicos, mostrando um confronto de ideologias desencadeado pela destruição de
Metrópolis registrada no filme anterior.
Com nota 6,5/10 no IMDb, o longa dividiu opiniões desde o primeiro
minuto. A ambientação urbana e industrial foi gravada principalmente em locais
reais de Detroit (Michigan), Chicago e no estado do Novo México, o que trouxe
uma textura tátil e pesada para as cidades de Gotham e Metrópolis. A proposta
aqui nunca foi fazer uma aventura leve de fim de tarde, mas sim um drama épico
sobre o medo, o poder sem controle e a paranoia de um homem comum diante de um
ser com poderes divinos.
Quem faz parte do elenco e como a
trilha sonora impacta a experiência?
Para dar vida a essa disputa de gigantes, o elenco reuniu nomes de peso.
Henry Cavill retornou como Clark Kent/Superman, enquanto Ben Affleck assumiu a
responsabildade de viver um Bruce Wayne mais velho, cansado e amargurado por
décadas de combate ao crime. O time principal ainda conta com Gal Gadot
(marcando sua estreia marcante como Mulher-Maravilha), Jesse Eisenberg
(oferecendo uma versão excêntrica e manipuladora de Lex Luthor), Amy Adams como
Lois Lane e Jeremy Irons interpretando um Alfred refinado e pragmático.
Outro pilar fundamental da narrativa é a trilha sonora, composta em
parceria por Hans Zimmer e Junkie XL (Tom Holkenborg). A música eleva o tom
dramático de cada cena. Enquanto o tema do Batman traz percussões pesadas e
graves que traduzem a sua obsessão, a entrada da Mulher-Maravilha introduz um
riff de guitarra e violino elétrico que arrepia até hoje. A trilha não é apenas
um acompanhamento de fundo, ela funciona como a própria voz da brutalidade e da
imponência daqueles personagens.
Quais são as melhores curiosidades e
bastidores que você precisa saber?
Como qualquer grande produção de Hollywood, os bastidores de Batman vs Superman reservam detalhes fascinantes que
mudam a forma como a gente assiste à obra:
·
A reviravolta de Ben Affleck: Quando a escalação
de Affleck foi anunciada, a reação da internet foi extremamente negativa.
Porém, após a estreia, a interpretação dele como um Batman veterano e
fisicamente imponente foi aclamada por grande parte do público.
·
Inspiração nos videogames: A famosa cena do
resgate no galpão, onde o Batman enfrenta dezenas de mercenários em um espaço
fechado, foi diretamente inspirada no sistema de combate da franquia de jogos Batman: Arkham. É uma das melhores sequências de ação
já filmadas para o herói.
·
O contraste nas premiações: O filme teve uma
trajetória curiosa no circuito de prêmios. Enquanto arrematou quatro troféus no
polêmico Framboesa de Ouro (incluindo Pior Roteiro e Pior Ator Coadjuvante para
Jesse Eisenberg), também recebeu indicações técnicas de prestígio em premiações
como o Saturn Awards e o Critics' Choice Awards.
·
A Edição Estendida: A versão exibida
nos cinemas sofreu cortes severos que prejudicaram o ritmo e a clareza da
trama. Tempos depois, a Warner lançou a Edição Ultima (com
30 minutos a mais), que corrige falhas de roteiro e explica detalhadamente as
armações de Lex Luthor.
Vale a pena assistir Batman vs
Superman hoje em dia? Minha crítica sincera
Na minha visão, Batman vs Superman é um filme que
envelheceu muito bem, principalmente se você assistir à versão estendida. O
filme acerta em cheio ao tratar Bruce Wayne não como um herói infalível, mas como
um homem traumatizado, marcado pelo tempo e pelo luto, que passa a ver o
Superman como uma ameaça existencial. Essa fragilidade psicológica combinada
com a preparação tática para o combate traz um peso incrível para o confronto.
É claro que a obra tem seus tropeços. A resolução da luta entre os dois
heróis através do elemento familiar (a famosa cena da Martha) poderia ter sido
conduzida de forma mais orgânica no roteiro, e a inclusão apressada do
Apocalipse no terceiro ato tira um pouco do foco do embate principal.
Ainda assim, o espetáculo visual, a fotografia contrastada, o design das
armaduras e a força das atuações fazem dele uma experiência cinematográfica
diferenciada. Não é um filme perfeito, mas tem personalidade de sobra e coragem
para entregar uma visão madura e sem rodeios sobre o que aconteceria se o Homem
de Aço e o Cavaleiro das Trevas realmente saíssem no soco.