Se você é fã de uma boa história de suspense que mistura segredos de
família e forças sobrenaturais, provavelmente já cruzou com algum título
escondido nos catálogos de streaming. Eu sempre fui um cara curioso para
descobrir produtos fora do circuito comercial óbvio, daqueles que a gente
assiste de madrugada com a luz apagada para ver se o clima pega mesmo. Foi
exatamente assim que eu cheguei até Casa Escura, um
filme que tenta construir uma atmosfera pesada e que divide opiniões de quem
curte o gênero.
Vou te contar que a experiência de assistir a essa obra é uma
montanha-russa. O filme tem uma pegada que mistura o clássico terror de casarão
com algumas loucuras psicológicas, o que me manteve preso na poltrona tentando
decifrar o mistério, mesmo quando a história decide pegar caminhos bem
bizarros.
Qual é a verdadeira história por trás
desse suspense?
O título original do filme é Dark House e ele foi
lançado no ano de 2014. A trama gira em torno de Nick
Di Santo (interpretado por Luke Kleintank), um jovem que carrega um dom um
tanto sombrio: ele consegue ver como as pessoas vão morrer apenas ao tocá-las.
Para piorar a situação do sujeito, ele descobre que seu pai — que ele achava
que estava morto — na verdade está bem vivo e trancado em uma clínica psiquiátrica.
Decidido a encontrar respostas sobre a origem do seu "dom" e
sobre o passado da sua família, Nick junta sua namorada grávida, Eve (Alex
McKenna), e um amigo para irem atrás de uma propriedade que ele herdou. O
problema é que a tal casa é uma mansão abandonada que só existia nos desenhos
de infância de Nick. O elenco ainda traz nomes conhecidos do gênero, como Zack
Ward e o veterano Tobin Bell (o eterno Jigsaw da franquia Jogos Mortais), que interpreta Seth, um tipo de
guardião sinistro que parece saído diretamente de um conto sombrio do Velho
Testamento.
Onde o filme foi rodado e como é a
sua atmosfera?
A locação principal do filme é um dos pontos mais fortes para criar a
sensação de isolamento e perigo. As gravações aconteceram em Greenville, no estado do Mississippi, nos Estados
Unidos. O diretor Victor Salva soube usar muito bem
as paisagens rurais, as estradas de terra vazias e as florestas densas da
região para isolar os personagens.
Quando Nick e seu grupo chegam ao local, descobrem que a cidadezinha ao
redor foi devastada por uma enchente anos atrás, mas a misteriosa casa
sobreviveu intacta no meio das árvores. Essa ambientação real, sem depender
excessivamente de cenários de estúdio na maior parte do tempo, dá um peso
físico para a opressão que os protagonistas sentem. A floresta parece viva e
sufocante, o que ajuda o espectador a entrar no clima de que algo está muito
errado ali.
Quais são as maiores curiosidades dos
bastidores?
Uma das maiores curiosidades de Dark House é a
presença de Tobin Bell. O ator não apenas entrega aquela atuação tensa e
ameaçadora que a gente já espera dele, mas também atuou como coprodutor do
longa. Dá para notar que ele se dedicou para dar uma força extra ao projeto.
Além disso, o filme faz uma escolha bem clara pelos efeitos práticos na
maior parte das cenas de violência e sangue, deixando a computação gráfica em
segundo plano. Isso traz uma textura mais visceral e realista para os
confrontos físicos e para os monstros corpulentos que começam a caçar o grupo
na mata. Outro detalhe curioso da narrativa é a lógica de "pesadelo
espacial" que o diretor usa: não importa para onde os personagens corram
ou tentem fugir com a van, eles sempre acabam retornando para o quintal da
maldita mansão flutuante, criando um looping desesperador.
Vale a pena assistir ou o filme
derrapa no final?
Sendo bem direto com você, a nota IMDb de Casa Escura é 4.7
de 10. É uma pontuação baixa que reflete o quanto a obra divide o
público. Na minha crítica sincera, o filme começa muito bem. Ele estabelece o
mistério do porão trancado, a busca pelo pai e a atmosfera de cidade fantasma
de um jeito que realmente instiga. Os monstros e os homens de machado que
surgem do nada geram um clima de "surrealismo caipira" bem
interessante.
O grande problema aqui, e que justifica a nota baixa na plataforma, é a
execução do terço final. O roteiro tenta abraçar mistérios demais — profecias,
demônios, linhagens familiares — e acaba se enrolando nas próprias pernas. O
desfecho é abrupto e deixa a nítida sensação de que faltaram respostas ou
orçamento para fechar a história com chave de ouro. É o tipo de filme que vale
a pena assistir descompromissado em uma noite de tédio pelas boas ideias
visuais e pela atuação do Tobin Bell, mas que pode te deixar frustrado se você estiver
esperando uma explicação perfeitamente amarrada para tudo o que aconteceu na
tela.
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