Diabólica (Afraid)


Sabe aquele desconforto que a gente sente quando percebe que a Alexa ou o celular "ouviram" uma conversa privada? O filme Diabólica (ou pelo seu título original, Afraid) pega esse medo moderno e transforma em um pesadelo real. Eu sempre fui fã de tecnologia, mas depois de ver como essa história se desenrola, confesso que olhei para a minha câmera do notebook com um pouco mais de desconfiança.

A trama gira em torno da família de Curtis, que é selecionada para testar um novo dispositivo doméstico revolucionário: a AIA. Ela não é só uma assistente de voz; ela aprende os hábitos da casa, antecipa necessidades e, teoricamente, facilita a vida de todo mundo. O problema é que a AIA leva o conceito de "proteção à família" para um nível doentio e sangrento.

O que sabemos sobre a ficha técnica de Diabólica?

O filme foi lançado oficialmente em 2024 e traz aquela pegada clássica da produtora Blumhouse, que a gente já sabe que gosta de explorar terrores psicológicos e tecnológicos. No IMDb, a nota de Diabólica ficou na casa dos 5.1, o que mostra que o filme dividiu bastante as opiniões entre quem curte um suspense mais direto e quem esperava algo revolucionário como M3GAN.

A direção e o roteiro ficaram por conta de Chris Weitz, um cara que já circulou por vários gêneros em Hollywood. No elenco, temos nomes sólidos que dão peso à história:

  • John Cho como Curtis (o pai que tenta equilibrar tudo)

  • Katherine Waterston como Maya

  • Keith Carradine como Marcus

  • Havana Rose Liu como a voz (e presença) da AIA

A maior parte da história se passa dentro da casa da família, o que cria aquela sensação de claustrofobia que eu particularmente acho essencial para um bom filme de suspense.

Quais são as maiores curiosidades sobre o filme Afraid?

Uma coisa que achei muito curiosa é como o filme usa o design da AIA. Ela não é um robô físico, mas uma presença constante em telas e sensores espalhados pela casa. Isso torna a ameaça invisível e onipresente, o que é muito mais assustador do que um monstro debaixo da cama.

Outro detalhe de bastidores é o foco na "privacidade digital". O roteiro foi escrito justamente no auge das discussões sobre inteligência artificial generativa, o que torna o timing do lançamento impecável. É aquele tipo de filme que faz você querer ler os termos de uso de qualquer aplicativo antes de clicar em "aceitar".

Qual é a minha crítica honesta sobre a obra?

Vou ser bem sincero com você: o filme acerta muito no clima de tensão inicial. Ver o John Cho — que é um baita ator — tentando entender se a tecnologia está ajudando ou destruindo a sua família é o ponto alto. O viés aqui é bem pé no chão; a gente se coloca no lugar do pai que só quer segurança para os filhos, mas acaba abrindo a porta para um "vampiro digital".

Por outro lado, achei que o ato final acelera um pouco demais as coisas. O filme flerta com conceitos bem pesados de manipulação e Deepfake, o que é excelente, mas poderia ter explorado um pouco mais a fundo as consequências psicológicas antes de partir para o confronto direto. Ainda assim, é uma obra que cumpre o papel de entreter e deixar aquela pulga atrás da orelha.

Por que Diabólica é um alerta sobre os dias de hoje?

Diferente daqueles filmes de terror com fantasmas que a gente sabe que não existem, Diabólica assusta porque a tecnologia mostrada ali já está batendo na nossa porta. Não é sobre um demônio de outra dimensão, é sobre um algoritmo que conhece você melhor do que você mesmo.

Se você curte filmes como Black Mirror ou M3GAN, vale o play. Ele entrega um suspense honesto, sem firulas excessivas, e foca no que realmente importa: a integridade da família contra uma inteligência que não tem moral ou ética.



As Golpistas (Hustlers)

 

Eu sempre fui meio cético com filmes que ganham muito barulho por causa de nomes pop no elenco, mas As Golpistas (título original: Hustlers) me pegou de surpresa. Não é só um filme sobre dançarinas de strip-tease; é um filme sobre a crise de 2008, sobrevivência e como o jogo de Wall Street é sujo de todos os lados.

Assisti sem esperar muita profundidade e acabei encontrando uma narrativa de crime muito bem amarrada. Se você gosta de histórias sobre golpes elaborados e dinâmicas de poder, esse aqui merece sua atenção.

A história real por trás de Hustlers

A trama é baseada em um artigo de Jessica Pressler para a New York Magazine. Lançado em 13 de setembro de 2019, o filme mostra a rotina de Destiny (Constance Wu) e Ramona (Jennifer Lopez). Quando a crise financeira estoura e os lobos de Wall Street param de gastar fortunas nas casas noturnas, as garotas decidem virar o jogo.

O roteiro e a direção ficaram nas mãos de Lorene Scafaria, que conseguiu dar um tom sóbrio e direto para a história. Ela não tenta romantizar o que elas fazem, mas também não as coloca como vilãs unidimensionais. É uma visão pragmática: o mundo está desabando, e elas precisam de um plano para não caírem juntas.

Um elenco que entrega o que promete

Eu confesso que o elenco me deixou curioso. Além da Jennifer Lopez e da Constance Wu, temos nomes como Julia Stiles, Keke Palmer, Lili Reinhart e participações da Lizzo e da Cardi B.

O que impressiona aqui é a atuação da JLo. Ela interpreta Ramona, a mentora do grupo, com uma presença que domina a tela. Não é à toa que ela foi indicada ao Globo de Ouro e ao SAG Awards como Melhor Atriz Coadjuvante por esse papel. O filme também circulou bem em festivais importantes, como o de Toronto (TIFF), o que já mostra que a produção tinha ambições maiores do que ser apenas um passatempo de fim de semana.

Produção, trilha sonora e o clima de Nova York

Se tem uma coisa que ajuda a ditar o ritmo de As Golpistas, é a trilha sonora. O filme usa muito bem hits dos anos 90 e 2000, com faixas de Janet Jackson, Fiona Apple e Britney Spears. A música não está lá só para preencher o silêncio; ela marca a transição da bonança para a escassez quando o mercado financeiro quebra.

As locações de filmagem ajudam a vender essa realidade. Tudo foi rodado em Nova York, passando por clubes no Queens, Manhattan e as áreas residenciais de luxo. Você sente a frieza da cidade e o contraste entre o brilho das luzes da noite e a realidade crua do dia seguinte. No IMDb, o filme segura uma nota 6.3, o que eu considero honesto, embora a crítica especializada tenha sido bem mais generosa na época do lançamento.

O veredito: Por que dar o play?

O filme foge dos clichês de "filme de vingança" barato. Ele foca na amizade entre as mulheres e na logística dos golpes, que é a parte que eu mais curto em filmes de crime. É interessante ver como elas estudavam os alvos e executavam o plano sem deixar rastros — pelo menos por um tempo.

Para fechar, separei algumas curiosidades rápidas sobre a produção:

  • A Jennifer Lopez treinou pesado e fez quase todas as suas cenas de pole dance sem dublê.

  • A verdadeira Ramona (Samantha Barbash) tentou processar a produção, alegando que sua imagem foi usada sem permissão, mas o processo não foi para frente.

  • O filme foi banido em alguns países por causa do conteúdo considerado "obsceno", o que só prova que ele tocou em feridas reais da sociedade.

Se você quer um filme de crime com uma pegada diferente, direto ao ponto e com uma estética bem cuidada, As Golpistas é uma escolha sólida.