Breakdance (Breakin")

 

Se você viveu os anos 80 ou pelo menos é fã da estética vibrante daquela década, sabe que o chão de taco e o papelão na calçada tinham um significado especial. Estou falando de Breakdance (ou Breakin', no título original), aquele filme de 1984 que não foi só um sucesso de bilheteria, mas um verdadeiro manual de estilo para uma geração inteira.

Sentar para rever esse clássico é como tomar um café com um velho amigo e lembrar de quando a gente achava que qualquer um podia girar de cabeça se tivesse o tênis certo.

Por que Breakdance de 1984 ainda é um ícone cultural?

Lançado em maio de 1984, o filme chegou com os dois pés na porta. Dirigido por Joel Silberg, a trama é simples, mas certeira: Kelly (Lucinda Dickey), uma dançarina de jazz tradicional, une forças com dois dançarinos de rua, Ozone (Adolfo "Shabba-Doo" Quinones) e Turbo (Michael "Boogaloo Shrimp" Chambers).

O cenário é a ensolarada Los Angeles, e a química entre o trio é o que carrega o filme. Enquanto a crítica da época torcia o nariz, o público abraçou a ideia. Com uma nota de 5.9 no IMDb, o filme prova que números nem sempre traduzem o impacto real de uma obra no coração das pessoas. O que faltava em roteiro profundo, sobrava em energia e coreografias que pareciam desafiar a gravidade.

Como era o clima nas locações de Los Angeles?

O filme respira a L.A. urbana daquela época. As batalhas de dança não aconteciam em estúdios higienizados, mas em calçadões e esquinas que transpiravam a cultura hip-hop nascente. Ver o Turbo dançando com uma vassoura na frente de uma loja de conveniência é, até hoje, uma das cenas mais emblemáticas do cinema de dança.

É um registro histórico de uma cidade que estava sendo dominada pelas batidas das drum machines e pelo som do sintetizador. O elenco, composto por dançarinos reais e não apenas atores fazendo pose, trouxe uma autenticidade que nenhum curso de atuação conseguiria replicar.

Quais são as curiosidades mais legais sobre o filme?

Existem alguns detalhes de bastidores que deixam a experiência de assistir ainda mais interessante:

  • O figurante de luxo: Você sabia que o Jean-Claude Van Damme aparece no filme? Pois é, ele é um dos figurantes que aparece dançando ao fundo em uma cena na praia, usando um colante preto. Vale a pena pausar e procurar.

  • Rapidez de produção: O filme foi rodado e editado em tempo recorde para aproveitar a febre do break que estava explodindo nos EUA.

  • Sucesso financeiro: Ele custou pouco mais de um milhão de dólares e faturou mais de 38 milhões só nos cinemas americanos. Um fenômeno absoluto para os padrões da Cannon Films.

O filme Breakdance ainda vale o seu tempo hoje?

Sendo bem direto: vale muito. Minha crítica sobre a obra é que ela funciona como uma cápsula do tempo perfeita. Se você procurar um drama denso, vai se decepcionar. Mas, se você busca entender a raiz da cultura urbana e se empolgar com uma trilha sonora que define o que é o "groove", Breakdance é obrigatório.

O filme peca um pouco nos diálogos expositivos e naquela rivalidade meio caricata entre a "dança clássica" e a "dança de rua", mas a gente releva isso no momento em que a batida começa. Ele exala uma masculinidade que não é sobre ser bruto, mas sobre ter habilidade, ritmo e o respeito da vizinhança através da arte. É sobre estilo, postura e, acima de tudo, diversão.

Se você nunca viu, ou se faz décadas que não assiste, dê uma chance. É o tipo de filme que te deixa com vontade de levantar do sofá — mesmo que o joelho já não ajude tanto quanto em 1984.




Carga Explosiva (The Transporter)

 

Se você curte adrenalina e carros voando baixo, com certeza já parou para assistir Carga Explosiva (The Transporter). Esse filme não é só mais um de pancadaria; ele praticamente definiu o que a gente entende por cinema de ação moderno e colocou o Jason Statham no mapa como um dos caras mais brabos de Hollywood.

Lançado em 2002, o longa trouxe uma estética europeia para o gênero, fugindo um pouco daquela fórmula saturada dos Estados Unidos na época. No IMDb, ele segura uma nota 6.8, o que é bem honesto para um filme que não quer ganhar o Oscar, mas sim te deixar grudado na poltrona por uma hora e meia.

Do que se trata a história de Carga Explosiva?

A trama gira em torno de Frank Martin, um ex-soldado das forças especiais que agora trabalha como um transportador de mercadorias "delicadas". O cara vive na Riviera Francesa — o que já rende visuais sensacionais — e segue três regras de ouro: nunca mude o trato, nada de nomes e nunca abra a encomenda.

Tudo vai bem até que, em um de seus trabalhos, ele percebe que o pacote está se mexendo. Ele quebra a própria regra, descobre uma mulher lá dentro e, a partir daí, vira o alvo de uma organização criminosa internacional. É o roteiro clássico de "o profissional que se envolve demais", mas conduzido com uma elegância que a gente raramente vê.

Quem faz parte do elenco e da direção?

O filme foi dirigido por Louis Leterrier e Corey Yuen. Essa dupla foi o "pulo do gato", porque o Yuen é um mestre das coreografias de artes marciais de Hong Kong, e isso aparece nitidamente nas lutas.

No elenco, além do Statham, temos:

  • Shu Qi como Lai (a "encomenda");

  • Matt Schulze como o vilão Wall Street;

  • François Berléand interpretando o Inspetor Tarconi, que traz um alívio cômico excelente e uma dinâmica de amizade improvável com o protagonista.

Onde o filme Carga Explosiva foi gravado?

As locações são um show à parte. O filme foi rodado quase inteiramente no sul da França. Se você prestar atenção, vai ver cenários incríveis de Nice, Cannes e Marselha. Aquelas estradas sinuosas à beira do Mediterrâneo são o playground perfeito para o BMW 735i que o Frank pilota no começo do filme. Dá uma vontade genuína de pegar um carro potente e sair dirigindo por ali (respeitando os limites, claro).

Quais são as melhores curiosidades sobre a produção?

O que eu acho mais massa nesse filme é o comprometimento do Statham. Sabia que ele fez quase todas as suas próprias dublês e cenas de luta? O cara treinou pesado para que os movimentos fossem reais.

Outro detalhe curioso: o carro principal, aquele BMW preto lindão, foi modificado para o filme ter câmbio manual, já que o modelo original de fábrica era automático. Eles queriam que as trocas de marcha na tela fossem mais viscerais. Além disso, a cena em que ele usa óleo de motor para lutar contra uma gangue é uma das coreografias mais criativas que eu já vi no cinema de ação.

Vale a pena assistir Carga Explosiva hoje em dia?

Minha opinião sincera: vale muito. O filme envelheceu bem porque não depende só de efeitos especiais de computador (CGI), mas sim de dublês reais e perseguições de carro de verdade.

A crítica geralmente aponta que o roteiro é simples, e é verdade. Mas a execução é impecável. A obra entrega exatamente o que promete: um protagonista foda, vilões odiáveis e cenas que fazem o sangue pulsar. É o tipo de filme perfeito para um sábado à noite com uma cerveja gelada do lado. Frank Martin não é um herói invencível, ele apanha, se suja, mas no final, a gente sabe que ele vai dar um jeito de entregar a encomenda.