Cazuza - O Tempo Não Para

 

Cara, se tem uma parada que define o rock brasileiro dos anos 80, é a imagem do Cazuza com aquela fita na testa, entregando tudo no palco. Recentemente, parei para rever Cazuza - O Tempo Não Para e, bicho, o filme continua dando um soco no estômago. É aquela biografia que não tenta santificar o cara, sabe? Mostra o poeta, mas também mostra o exagero, a dor e a genialidade.

Se você está a fim de entender como foi a jornada do "Exagerado", cola aqui que eu te conto os detalhes desse filme que é um clássico do nosso cinema.

Onde se passa a história de Cazuza?

A ambientação desse filme é puro Rio de Janeiro. A gente é transportado para o Baixo Gávea, para o Circo Voador e para aquela efervescência do Rock Brasil. O longa, dirigido pela Sandra Werneck e pelo Walter Carvalho, consegue captar muito bem a transição da liberdade absoluta para o peso de uma doença que, na época, era uma sentença de morte silenciosa.

Lançado em 2004, com o título original homônimo, o filme faz um recorte preciso: desde o início no Barão Vermelho, com o Frejat, até a carreira solo meteórica. É curioso ver como as locações ajudam a contar a história; o Rio de Janeiro aqui não é o de cartão-postal, mas o Rio boêmio, das noites intermináveis e dos ensaios em garagens apertadas.

Ficha Técnica de Respeito:

  • Título Original: Cazuza - O Tempo Não Para

  • Ano de Lançamento: 2004

  • Direção: Sandra Werneck e Walter Carvalho

  • Nota IMDb: 7.5/10 (uma nota bem sólida para uma bio nacional)

Quem faz parte do elenco de Cazuza - O Tempo Não Para?

Aqui eu preciso tirar o chapéu: o que o Daniel de Oliveira fez nesse papel foi brincadeira. Não é só uma imitação; o cara incorporou o Cazuza. Ele emagreceu quase 11 kg durante as filmagens para mostrar o avanço da AIDS, e a entrega dele é visceral. Você olha para a tela e esquece que é um ator.

O elenco ainda traz nomes de peso que dão sustentação à trama:

  • Marieta Severo (como Lucinha Araújo, a mãe que é a alma da história)

  • Reginaldo Faria (como João Araújo, o pai e empresário)

  • Emílio de Mello (interpretando o Ezequiel Neves, figura chave na carreira dele)

  • Cadu Fávero (como o Frejat)

A química entre eles funciona muito bem, principalmente na relação familiar, que era o porto seguro e, ao mesmo tempo, o ponto de conflito do Cazuza.

Quais são as melhores curiosidades sobre a produção?

Filme biográfico sempre tem aqueles bastidores que a gente gosta de saber, né? Separei uns pontos que mostram o cuidado que tiveram com a obra:

  1. A voz do poeta: Em várias cenas de show, a voz que você ouve é a do próprio Cazuza original, remasterizada, para manter a fidelidade e a emoção lá no alto.

  2. O apoio da família: Lucinha Araújo, mãe do cantor, esteve muito presente na consultoria do roteiro. Ela queria que a verdade fosse dita, sem esconder o temperamento difícil ou os vícios do filho.

  3. Sucesso de público: O filme foi uma das maiores bilheterias daquele ano no Brasil, provando que o país ainda era (e é) completamente apaixonado pela obra dele.

O filme Cazuza ainda vale a pena hoje em dia?

Sendo bem direto com você: vale cada minuto. Minha crítica pessoal é que o filme não amacia. Ele mostra o Cazuza brilhante compondo "Brasil" e "Ideologia", mas também mostra o cara lidando com o preconceito e o impacto físico da doença.

A narrativa flui como uma música de rock: começa acelerada, cheia de energia e diversão, e termina numa nota mais grave, reflexiva, mas extremamente potente. É um filme sobre liberdade, mas também sobre o tempo — esse que, como diz a letra, realmente não para.

Se você busca uma obra que honra o rock nacional e ainda entrega uma atuação de gala, pode dar o play sem medo. É cinema brasileiro de altíssima qualidade que envelheceu muito bem.



Pillion

 

Sempre tive uma queda por histórias de superação que não tentam te vender uma fórmula mágica, e Pillion é exatamente esse tipo de filme. É aquela obra que te pega pelo braço e te leva para uma viagem emocional sem precisar de explosões ou efeitos visuais mirabolantes.

Lançado em 2024, o longa é uma produção britânica que foca no amadurecimento e na busca por identidade. O título original é apenas Pillion, uma referência direta ao assento traseiro de uma moto — o que já diz muito sobre a posição do protagonista na própria vida no início da trama.

Confira abaixo tudo o que você precisa saber sobre essa jornada sobre duas rodas:

  • Direção: Harry Lighton.

  • Elenco: Alexander Skarsgård e Harry Melling.

  • Nota IMDb: 7.2/10.

  • Locação: Filmado predominantemente nas paisagens urbanas e rurais da Inglaterra.

Por que Pillion é um filme que foge do óbvio?

O que me chamou a atenção logo de cara foi a dinâmica entre os personagens principais. Esqueça aquela ideia de herói inabalável. Aqui, temos Colin (vivido pelo excelente Harry Melling), um cara meio travado que vive uma vida sem grandes emoções, até que Ray (Alexander Skarsgård) entra em cena.

Ray é o oposto: intenso, imponente e dono de uma motocicleta que se torna o catalisador da mudança. A direção de Harry Lighton é sutil, focando nos olhares e no silêncio, o que traz uma autenticidade difícil de achar em produções maiores. Não é só um filme sobre "andar de moto", é sobre quem você escolhe ser quando finalmente assume o guidão da sua rotina.

Onde o filme foi gravado e como isso ajuda na história?

A ambientação na Inglaterra traz um tom cinzento e realista que combina perfeitamente com o clima da obra. As locações não são apenas cenários; as estradas e o isolamento de certas áreas refletem o estado de espírito do Colin. Quando eles saem da cidade, a sensação de liberdade é quase palpável para quem está assistindo. É o tipo de filme que te dá vontade de pegar a estrada no próximo fim de semana, nem que seja só para pensar na vida.

Quais são as melhores curiosidades dos bastidores?

Uma das coisas mais legais é a entrega dos atores. Ver o Alexander Skarsgård, que geralmente faz papéis mais "imponentes", entregando uma performance tão cheia de camadas é gratificante.

Outro ponto curioso é que o diretor, Harry Lighton, já era observado de perto pela crítica após seus curtas premiados, e em Pillion ele consolida essa visão de mundo muito peculiar, transformando um roteiro simples em algo profundo. Além disso, a química entre Melling (que muitos lembram como o Dudley de Harry Potter, mas que hoje é um baita ator dramático) e Skarsgård foi muito elogiada pela crítica internacional pela naturalidade.

Vale a pena assistir Pillion hoje mesmo?

Sendo direto: vale muito. Minha crítica sobre a obra é que ela respeita a inteligência do espectador. O filme não entrega respostas mastigadas. Ele aborda temas como masculinidade, desejo e pertencimento de um jeito muito honesto.

Não é um filme "durão" no sentido de agressivo, mas é forte. Ele mostra que a vulnerabilidade também faz parte da jornada de qualquer homem. Se você busca algo com substância, atuações de primeira e uma fotografia que faz jus ao cinema europeu moderno, coloque na sua lista. É uma experiência que fica na cabeça por um bom tempo depois que os créditos sobem.



Onde os Fracos Não Tem Vez

 

Se você curte aquele cinema que te deixa grudado na cadeira, sem fôlego e pensando na vida por dias, "Onde os Fracos Não Têm Vez" é parada obrigatória. Assisti a esse filme de novo recentemente e, vou te falar, a sensação de tensão não diminui, mesmo sabendo o que vai acontecer. É uma obra-prima que não desperdiça um segundo de tela.

Aqui estão os detalhes técnicos para a gente se situar:

  • Título Original: No Country for Old Men

  • Ano de Lançamento: 2007

  • Direção: Ethan Coen e Joel Coen

  • Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin

  • Nota IMDb: 8.2/10

  • Locação: Filmado principalmente nas paisagens desoladas do Novo México e Texas.

Do que se trata a história de Onde os Fracos Não Têm Vez?

A trama é um soco no estômago. Tudo começa quando Llewelyn Moss (Josh Brolin), um veterano do Vietnã que está caçando no deserto, se depara com uma cena de crime: um negócio de drogas que deu muito errado. No meio do caos, ele encontra uma maleta com dois milhões de dólares.

O erro dele? Achar que poderia levar o dinheiro e sair ileso. A partir daí, ele passa a ser caçado por Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicopata que usa uma pistola de ar comprimido para gado e decide o destino das pessoas no cara ou coroa. Enquanto isso, o xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) tenta entender essa onda de violência que parece não ter mais lugar para os valores antigos.

Por que Anton Chigurh é um dos maiores vilões do cinema?

Não dá para falar desse filme sem mencionar o trabalho absurdo do Javier Bardem. O cara criou um monstro. Chigurh não é o vilão típico que quer dominar o mundo ou que tem um plano mirabolante. Ele é quase uma força da natureza, uma personificação do azar ou do destino implacável.

Aquele cabelo bizarro e o olhar vazio dão um contraste tenso com a frieza com que ele executa suas tarefas. Ele segue um código de honra distorcido que é impossível de prever, o que torna cada diálogo dele uma tortura psicológica para quem está do outro lado. Não é à toa que o Bardem levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por esse papel.

Quais são as curiosidades que cercam a produção dos Coen?

O filme é cheio de detalhes que mostram o capricho dos irmãos Coen. Muita gente não percebe de primeira, mas a obra quase não tem trilha sonora. O que você ouve é o som do vento, o barulho das botas no chão e o silêncio perturbador do deserto. Isso aumenta a imersão de um jeito que pouca trilha conseguiria.

Outro ponto curioso é que o filme foi rodado na mesma época e região que "Sangue Negro". Dizem as más línguas que a fumaça de um teste de incêndio no set de "Sangue Negro" chegou a atrapalhar as filmagens dos Coen por um dia inteiro. No fim, ambos os filmes dominaram as premiações daquele ano. Além disso, o título vem de um poema de W.B. Yeats, chamado "Sailing to Byzantium", que reflete justamente sobre como o mundo se torna estranho para os mais velhos.

Vale a pena assistir a esse clássico moderno?

Minha crítica é direta: "Onde os Fracos Não Têm Vez" é um filme sobre consequências. Ele quebra as regras do gênero policial ao evitar clichês de heróis imbatíveis ou finais redentores. A narrativa é seca, masculina no sentido de ser prática e brutal, mas extremamente profunda ao questionar se o mundo sempre foi violento ou se nós é que perdemos a capacidade de lidar com ele.

A fotografia é impecável, aproveitando a vastidão do Texas para criar uma sensação de isolamento. Se você busca um filme que respeita a sua inteligência e entrega uma experiência visceral, esse é o título. É cinema de altíssimo nível, feito por quem entende de narrativa e ritmo.