Um Tira da Pesada 3

 

Cara, se você cresceu nos anos 80 ou 90, com certeza tem uma memória afetiva gigante com o Axel Foley. Mas vamos falar a verdade: Um Tira da Pesada 3 (ou Beverly Hills Cop III) é aquele tipo de filme que divide a galera. Eu revi recentemente e, olha, é uma experiência curiosa. Ele tenta resgatar aquela magia do policial de Detroit em Los Angeles, mas com uma pegada bem diferente dos dois primeiros.

O filme foi lançado em 1994, sete anos depois do segundo longa, e traz o título original de Beverly Hills Cop III. Dessa vez, o diretor é o John Landis (o mesmo de Um Lobisomem Americano em Londres), o que já dá um tom mais puxado para a comédia escrachada do que para o policial de ação raiz. No IMDb, a nota reflete bem o sentimento dos fãs: um 5.5/10. Não é nenhum desastre, mas passa longe do brilho do original.

O elenco conta, claro, com o mestre Eddie Murphy voltando ao papel principal. Temos também o Judge Reinhold como Billy Rosewood e o Hector Elizondo entrando na jogada. A trama se passa quase inteira em um parque de diversões chamado Wonder World (que, na vida real, foi filmado no Great America, na Califórnia), onde o Axel vai atrás dos assassinos do seu chefe.

Onde o Axel Foley foi parar dessa vez?

A história começa com uma batida policial em Detroit que termina em tragédia. O chefe do Axel é morto, e as pistas levam nosso herói direto para Beverly Hills — de novo. Só que, em vez de mansões e festas luxuosas, o cenário principal é o tal parque temático.

É estranho ver o Axel Foley correndo entre carrosséis e bonecos fantasiados, mas a dinâmica com o Billy Rosewood ainda arranca uns sorrisos. O problema é que o roteiro parece um pouco mais "família" do que o esperado para um filme que nasceu com o pé no acelerador e muita fumaça de pneu.

Por que Um Tira da Pesada 3 é tão diferente dos outros?

Muita gente se pergunta por que o clima mudou tanto. A real é que o Eddie Murphy queria levar o personagem para um lado mais maduro, menos "engraçadinho". Ele quase não dá aquela risada clássica dele aqui, percebeu?

Além disso, a direção do John Landis focou muito em participações especiais de diretores famosos (tem um monte de cameos de gente como George Lucas e Barbet Schroeder) e menos na tensão policial que o Tony Scott imprimiu no segundo filme. O resultado foi uma mistura de filme de ação com aventura de Sessão da Tarde.

Quais são as curiosidades mais legais sobre a produção?

Mesmo não sendo o favorito da trilogia, os bastidores são cheios de histórias:

  • O Vilão: O ator Timothy Carhart faz um vilão bem padrão, mas a ideia original era ter alguém de peso para bater de frente com o Axel.

  • A Arma Multifuncional: O Axel usa uma arma futurista cheia de acessórios no parque, algo que parece ter saído direto de um desenho animado.

  • O Reencontro: Foi o terceiro filme que Landis e Murphy fizeram juntos (os outros foram Trocando as Bolas e Um Príncipe em Nova York), mas dizem que o clima no set não era dos melhores.

Vale a pena assistir ao filme hoje em dia?

Sendo bem direto com você: vale pelo valor nostálgico. Se você é fã da franquia e quer ver a conclusão da trilogia clássica antes de pular para os novos filmes, bota o milho na pipoca.

A crítica da época pegou pesado, dizendo que a fórmula estava gasta, e eu concordo em partes. A ação é competente, as locações no parque são visualmente interessantes, mas falta aquele "tempero" de Detroit. É um filme de ação nota 6 que diverte, mas não muda a vida de ninguém. O Axel Foley é um ícone, e até nos seus momentos menos inspirados, o carisma do Eddie Murphy segura a onda.



Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas


Sabe aquele tipo de filme que, assim que sobem os créditos, você sente que precisa ligar para o seu pai ou contar uma história absurda para o primeiro amigo que encontrar? Pois é, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish) é exatamente essa experiência. Lançado em 2003, o longa é uma daquelas obras raras que misturam fantasia com o "pé no chão" de um jeito que só o Tim Burton conseguiria fazer sem parecer brega.

Eu me peguei revisitando esse clássico recentemente e a sensação é de que ele envelhece como um bom vinho. Ele não é apenas um filme visualmente impecável; é um manual sobre como o legado de um homem é construído pelas histórias que ele deixa, mesmo que elas tenham um toque — ou um oceano inteiro — de exagero.

Qual é a história por trás de Big Fish?

A trama gira em torno de Edward Bloom (interpretado pelo excelente Ewan McGregor na juventude e pelo saudoso Albert Finney na velhice). Edward é um contador de histórias nato. Para ele, uma pescaria nunca é só uma pescaria; envolve um peixe gigante que engoliu uma aliança de casamento.

O conflito central, que dá o peso emocional ao filme, é a relação dele com o filho, Will Bloom (Billy Crudup). Will é um jornalista pragmático que está cansado das "mentiras" do pai. Com Edward no leito de morte, Will tenta separar o fato da ficção para descobrir quem o pai realmente foi. É uma jornada de reconciliação que bate forte em qualquer um que já teve dificuldades em entender o coroa.

Quem faz parte desse elenco de peso e onde foi gravado?

O elenco é uma constelação. Além dos protagonistas, temos a Jessica Lange, o mestre Danny DeVito como o dono de um circo (personagem que ele domina como ninguém) e a Helena Bonham Carter em um papel duplo que é puro suco de Tim Burton.

As locações trazem aquela estética sulista americana mágica. O filme foi rodado quase inteiramente no Alabama. A cidade fictícia de Spectre, por exemplo, foi construída do zero em uma ilha no Rio Alabama. O legal é que o cenário ainda existe por lá e virou ponto turístico para os fãs.

Quais são as curiosidades que tornam o filme especial?

Muita gente não sabe, mas o projeto original de Peixe Grande estava nas mãos de Steven Spielberg. Ele chegou a considerar Jack Nicholson para o papel de Edward Bloom. No final das contas, o roteiro caiu no colo do Tim Burton logo após ele perder o pai, o que deu ao filme uma carga emocional muito mais profunda e pessoal.

Outro ponto interessante: o ator que interpreta o gigante Karl, Matthew McGrory, era realmente muito alto (ele detinha o recorde de maiores pés do mundo). Não foi apenas CGI; a presença dele no set trazia essa escala real para a fantasia de Edward.

Qual a minha crítica sobre essa obra?

Com uma nota 8.0 no IMDb, o filme é amplamente respeitado, mas minha visão vai além dos números. A grande sacada aqui é a fotografia vibrante que contrasta com o mundo cinzento do hospital onde Edward está. O filme te desafia a aceitar que a verdade "nua e crua" às vezes é sem graça, e que a ficção é o que dá cor à nossa passagem pelo mundo.

Não é um filme "duro", de ação ou explosões, mas tem uma masculinidade sensível. Trata do papel do pai como provedor de sonhos e da dificuldade do filho em aceitar o lúdico. O final é, sem sombra de dúvidas, um dos mais bonitos da história do cinema. Se você não chorar na cena do rio, talvez precise de um check-up no coração.



Deus é Brasileiro

 

Cara, se tem uma verdade absoluta no cinema nacional, é que o Guel Arraes sabe como transformar a nossa "brasilidade" em poesia visual. E quando a gente fala de Deus é Brasileiro, não é só um título de impacto; é uma viagem filosófica e muito bem-humorada pelo interior do nosso país. Senta aí, pega um café, e vamos bater um papo sobre esse clássico que todo mundo deveria ver pelo menos uma vez na vida.

O filme, lançado lá em 2003, traz uma premissa que só poderia funcionar aqui: Deus está cansado, precisando tirar umas férias, e decide que o Brasil é o lugar ideal para encontrar um substituto. O título original é exatamente esse, sem invencionices, e a direção fica nas mãos do mestre Guel Arraes, que já tinha nos dado o épico O Auto da Compadecida.

Do que se trata a história de Deus é Brasileiro?

A trama é baseada no conto O Santo que não Acreditava em Deus, do João Ubaldo Ribeiro. No filme, o "Criador" (interpretado por um Antônio Fagundes inspiradíssimo) desce à Terra e encontra Taoca (Wagner Moura), um pescador esperto, cheio de esquemas e que vive devendo pra meio mundo.

A dinâmica entre os dois é o que carrega o filme nas costas. Taoca vê em Deus a chance de resolver seus problemas financeiros, enquanto Deus vê em Taoca — e depois em Madá (Paloma Duarte) — a amostra grátis do que é ser brasileiro: um povo que sofre, mas que não perde a ginga e a esperança. É um road movie (filme de estrada) que atravessa o Nordeste, mostrando que, talvez, a divindade esteja justamente na nossa capacidade de improvisar.

Quem faz parte do elenco e onde foi gravado?

O elenco é um time de peso. Além do Fagundes e do Wagner Moura (que aqui já mostrava que seria um dos maiores da sua geração), temos a Paloma Duarte entregando uma atuação super pé no chão. O filme ainda conta com participações de Hugo Carvana e Stepan Nercessian.

As locações são um espetáculo à parte. Grande parte do filme foi rodada em Alagoas, especificamente no Parque Nacional do Catimbau (que fica na divisa com Pernambuco) e na região do Rio São Francisco. A fotografia aproveita demais a luz natural do sertão e as águas do "Velho Chico", dando uma sensação de imensidão que combina muito com o tema do filme.

Quais são as principais curiosidades e a nota no IMDb?

Se você liga para números, saiba que o filme segura uma nota 6.7 no IMDb. Pode parecer uma nota "justa", mas para o padrão de comédias dramáticas regionais, ele é muito bem avaliado.

Algumas curiosidades que pouca gente lembra:

  • Este foi um dos primeiros grandes sucessos do Wagner Moura no cinema, antes dele virar o Capitão Nascimento ou o Pablo Escobar.

  • O filme faz parte de uma trilogia informal do Guel Arraes sobre a cultura brasileira, junto com O Auto da Compadecida e Caramuru.

  • Muitos dos figurantes eram moradores locais das regiões de gravação, o que traz uma autenticidade absurda para as cenas de vilarejo.

O filme ainda vale a pena hoje em dia?

Na minha humilde opinião? Com certeza. A crítica da obra geralmente foca no equilíbrio entre o sagrado e o profano. O filme não tenta ser uma pregação religiosa; pelo contrário, ele humaniza Deus. O roteiro é ágil, as piadas não envelheceram mal e a trilha sonora é aquela delícia brasileira que a gente conhece.

O ponto alto é ver como o Brasil de 20 anos atrás ainda reflete muito do que somos hoje: um povo que espera por um milagre, mas que vai dando o seu jeitinho enquanto o milagre não vem. É um filme leve, mas que te deixa pensando sobre o que realmente importa no fim do dia. Se você quer entender um pouco mais da nossa alma (e dar umas risadas no processo), esse filme é obrigatório.