Casamento Sangrento

 

Se você curte aquele tipo de filme que mistura tensão absoluta com um humor ácido de dar vergonha alheia, senta aí. Vou te contar como foi minha experiência assistindo a Casamento Sangrento (ou Ready or Not, no original). Lembro que quando vi o trailer, achei que seria só mais um "slasher" genérico, mas o negócio me surpreendeu de um jeito que poucos filmes de terror moderno conseguem.

Lançado em 2019, o longa coloca a gente no meio de uma tradição familiar que é, no mínimo, peculiar. A trama gira em torno da Grace, uma noiva que acaba de se casar com o herdeiro de uma dinastia de jogos de tabuleiro. O que ela não esperava era que, para entrar oficialmente para a família, precisaria participar de um jogo de esconde-esconde onde ela é a caça e os sogros estão armados até os dentes.

O que torna Casamento Sangrento um filme tão fora da curva?

O grande trunfo aqui é o equilíbrio. Dirigido pela dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, o filme não tenta ser um terror filosófico cabeçudo, mas também não é bobo. Ele entrega uma crítica social bem direta sobre a excentricidade (e a podridão) das elites, mas faz isso enquanto a protagonista corre desesperada por uma mansão gigantesca.

A locação, inclusive, é um personagem à parte. Grande parte das filmagens rolou na Casa Loma, em Toronto. Aquele visual gótico, cheio de passagens secretas e corredores escuros, cria uma atmosfera de claustrofobia mesmo em ambientes amplos. É o cenário perfeito para uma "noite de núpcias" que vira um banquete de sangue.

Quem faz parte do elenco e qual a nota no IMDb?

Se tem uma pessoa que carrega esse filme nas costas com uma energia absurda, é a Samara Weaving. Ela interpreta a Grace de uma forma muito humana: ela sente medo, ela se suja, ela grita de dor, mas ela também se enfurece. O elenco ainda conta com nomes de peso como Adam BrodyMark O'BrienHenry Czerny e Andie MacDowell.

No IMDb, o filme sustenta uma nota 6.9, o que é muito sólido para o gênero de comédia de terror. É aquela nota que indica um filme que agrada tanto quem busca sustos quanto quem quer uma história bem amarrada.

Quais são as curiosidades de bastidores que você precisa saber?

Existem alguns detalhes que deixam a experiência de assistir ainda mais legal. Por exemplo:

  • O figurino: Durante as filmagens, foram usados 17 modelos idênticos do vestido de noiva, cada um em um estágio diferente de destruição e sujeira.

  • Acidentes reais: Samara Weaving contou em entrevistas que, acidentalmente, acertou o rosto de Andie MacDowell com um tijolo de espuma durante uma cena de luta, o que gerou um susto real no set.

  • Referências: O visual da personagem principal, especialmente com o tênis amarelo contrastando com o vestido, virou um ícone instantâneo do terror moderno.

Vale a pena investir seu tempo nessa obra?

Minha crítica sincera: vale cada minuto. O filme é rápido, tem pouco mais de 90 minutos e não desperdiça tempo com enrolação. A narrativa é fluida e o final é um dos mais satisfatórios e "explosivos" que vi nos últimos anos. Ele foge dos clichês de "final feliz tradicional" e entrega uma catarse que te faz dar uma risada nervosa.

É um filme sobre sobrevivência, mas também sobre o quão longe as pessoas vão para manter o status e o dinheiro. Se você quer um entretenimento de qualidade, com uma pegada visceral e sem frescura, Ready or Not é a escolha certa.



Desejo de Matar 3

 

Se você gosta de um bom cinema de ação "brucutu", com certeza já cruzou com a figura de Charles Bronson. Hoje, resolvi relembrar um dos capítulos mais exagerados e, por isso mesmo, divertidos da franquia do justiceiro Paul Kersey: Desejo de Matar 3. Prepare o café e vamos trocar uma ideia sobre esse clássico do "tiro, porrada e bomba".

O que esperar de Desejo de Matar 3?

Lançado originalmente como Death Wish 3 em 1985, o filme marca uma mudança drástica de tom na saga. Se o primeiro filme era um drama urbano sombrio sobre um homem comum quebrado pela tragédia, o terceiro liga o "foda-se" e abraça o cinema de exploração da Cannon Films.

Desta vez, Paul Kersey volta a Nova York para visitar um velho amigo de guerra, mas acaba encontrando o sujeito morto em um bairro que parece uma zona de guerra controlada por gangues punks. O roteiro não perde tempo com sutilezas: a polícia, incapaz de conter o crime, faz um acordo por baixo dos panos com Kersey para que ele faça o que sabe fazer de melhor: limpar as ruas.

Quem está no comando dessa carnificina?

A direção ficou por conta de Michael Winner, que já conhecia bem o estilo de Bronson. No elenco, além do próprio Charles Bronson, temos nomes como Deborah RaffinEd Lauter e até um jovem Alex Winter (o Bill de Bill & Ted) e Marina Sirtis (Star Trek).

  • Título Original: Death Wish 3

  • Ano: 1985

  • Direção: Michael Winner

  • Nota IMDb: 6.0/10

Embora a nota no IMDb possa parecer mediana, para os fãs do gênero, o filme é considerado cult. Ele não tenta ser uma obra de arte profunda; ele quer entregar o que o público de 85 queria: justiça feita com calibres pesados.

Onde o filme Desejo de Matar 3 foi gravado?

Aqui entra um ponto curioso sobre a produção. Apesar de a história se passar na degradada Nova York dos anos 80, boa parte das filmagens de Desejo de Matar 3 aconteceu, na verdade, em Londres, na Inglaterra.

Os produtores usaram bairros londrinos com prédios antigos e os "fantasiaram" com grafites, lixo e carros americanos para simular o Brooklyn. Se você prestar atenção em alguns figurantes ou na arquitetura de certas janelas, dá para notar o toque britânico escondido sob a sujeira cenográfica de Manhattan.

Quais são as melhores curiosidades sobre a produção?

O filme é cercado de histórias de bastidores que explicam por que ele é tão único. Separei as que mais gosto:

  1. O arsenal de Kersey: A famosa arma que ele usa no filme é uma Wildey Magnum .475. Na época, a empresa que fabricava a arma estava quase falindo, mas as vendas explodiram tanto após o filme que eles voltaram à ativa.

  2. Contagem de corpos: Este é, de longe, o filme mais violento da franquia. Kersey deixa de ser um vigilante furtivo para se tornar um exército de um homem só, usando até metralhadoras e lança-foguetes no meio da rua.

  3. Jimmy Page na trilha: Sim, o guitarrista do Led Zeppelin foi o responsável por parte da trilha sonora, o que dá um clima bem específico para as cenas de ação.

Vale a pena assistir a essa sequência hoje em dia?

Sendo bem direto com você: depende do que você procura. Se você quer um estudo psicológico sobre a violência, fique com o original de 1974. Agora, se você quer ver Charles Bronson sendo o ícone máximo da masculinidade dos anos 80, montando armadilhas criativas e enfrentando vilões caricatos com penteados bizarros, este filme é um prato cheio.

A minha crítica é que o filme é um "prazer culposo". Ele é absurdo, a física não faz sentido e o vilão, Fraker, é quase um desenho animado de tão malvado. Mas há algo de muito satisfatório em ver a ordem sendo restaurada de forma tão direta. É um entretenimento honesto, que não tenta te enganar com mensagens complexas. É cinema de ação em sua forma mais pura e visceral.

Se você curte catalogar filmes de ação que marcaram época, Desejo de Matar 3 precisa estar na sua lista, nem que seja para entender como o cinema de vigilante se transformou em um espetáculo de pirotecnia naquela década.