Todo Poderoso

 

Cara, se tem um filme que marcou os anos 2000 e ainda rende boas risadas (e umas reflexões de leve), esse filme é Todo Poderoso. Lembro que na época o Jim Carrey estava no topo do mundo, e a ideia de um cara comum ganhando os poderes de Deus parecia o roteiro perfeito para o estilo dele. E foi.

Vou te contar por que esse filme ainda vale o play, passando pelos detalhes técnicos e aquelas curiosidades que a gente gosta de saber.

O que acontece quando Bruce vira Deus?

No título original, Bruce Almighty, a história foca em Bruce Nolan, um repórter de Buffalo que está bem insatisfeito com a vida. Ele reclama tanto, mas tanto, que o próprio "Chefe" resolve tirar férias e passar o cargo para ele.

Lançado em 23 de maio de 2003, o filme foi dirigido por Tom Shadyac, que já conhecia o caminho das pedras com Jim Carrey desde Ace Ventura. A pegada aqui é uma comédia fluida, sem muita enrolação, focada na frustração de um homem que acha que faria um trabalho melhor que o Criador.

Elenco de peso e o Deus mais marcante do cinema

Não dá para falar desse filme sem citar o elenco. Jim Carrey entrega o que se espera dele: caras e bocas, mas com um pé no chão quando a coisa aperta. A Jennifer Aniston faz a namorada Grace, trazendo o equilíbrio emocional que o Bruce não tem.

Agora, o ponto alto para mim é Morgan Freeman. Ele definiu como o público imagina a voz e a presença de Deus no cinema: calmo, irônico na medida certa e muito elegante.

  • Nota no IMDb: 6.8/10 (uma nota sólida para comédias do gênero).

  • Premiações: Ganhou o People's Choice Award de Comédia Favorita e rendeu várias indicações ao MTV Movie Awards para o Carrey.

Trilha sonora e os bastidores em Buffalo

A trilha sonora ajuda muito a ditar o ritmo. Tem de tudo, desde o rock clássico até faixas mais espirituosas. Músicas de artistas como Fatboy Slim ("Rockafeller Skank") e Mick Jagger aparecem para dar energia às cenas em que o Bruce começa a testar seus novos "brinquedos".

Sobre as locações de filmagem, embora a história se passe em Buffalo, Nova York, a maior parte das cenas foi rodada nos estúdios da Universal na Califórnia. Aquela praça clássica da cidade é, na verdade, um cenário icônico de Hollywood que já apareceu em dezenas de outros filmes.

Curiosidades que você (provavelmente) não sabia

Mesmo sendo um sucesso de bilheteria, o filme teve seus perrengues e fatos curiosos:

  1. O número de telefone: Na versão original de cinema, o número de Deus que aparece no biper do Bruce era um número real em várias cidades, o que fez muita gente ligar para estranhos pedindo milagres. Depois, mudaram para o clássico 555-0123.

  2. Banido em alguns países: Por causa da premissa de um humano com poderes divinos, o filme foi banido em países como Egito e Malásia na época do lançamento.

  3. A cena do teleprompter: A cena em que o Bruce faz o rival Steve Carell falar bobagens ao vivo é improvisada e é, até hoje, uma das mais engraçadas da carreira do Carell.

No fim das contas, Todo Poderoso é um filme sobre responsabilidade. É divertido ver o Bruce movendo a lua para criar um clima romântico, mas o roteiro te entrega uma conclusão interessante sobre o que realmente significa ter controle sobre as coisas.



Caçadores do Fim do Mundo

 

Afterburn

Eu fui assistir Afterburn (conhecido no Brasil como Caçadores do Fim do Mundo) esperando um típico filme de ação, mas encontrei algo um pouco mais interessante dentro do gênero pós-apocalíptico. O longa mistura aventura, sobrevivência e um toque de ficção científica, sem complicar demais a história — o que, pra mim, funciona bem.

O título original é Afterburn, e ele chegou com a proposta de entregar entretenimento direto, com cenários destruídos e uma missão simples, mas cheia de perigos.

Data de lançamento, direção e elenco

O filme foi lançado em 2024 e tem direção de J.J. Perry, conhecido por trabalhar bastante com cenas de ação bem coreografadas.

No elenco principal, eu destaco:

  • Dave Bautista

  • Olga Kurylenko

  • Samuel L. Jackson

Esse trio ajuda a sustentar o ritmo do filme, principalmente nas cenas mais intensas.

Nota IMDb, recepção e premiações

Até o momento, Afterburn possui uma nota em torno de 5.0/10 no IMDb (pode variar com o tempo). Eu vejo esse número como justo: não é um filme revolucionário, mas cumpre o que promete.

Sobre premiações, o longa não teve grande destaque em festivais ou premiações importantes, o que já era esperado para um projeto mais focado em entretenimento comercial.

Locações e ambientação

Uma coisa que me chamou atenção foram as locações. O filme foi gravado em regiões da Espanha, aproveitando áreas áridas e cenários naturais que ajudam a criar aquele clima de mundo devastado.

A ambientação é simples, mas funciona. Não depende de CGI exagerado o tempo todo, o que deixa tudo mais “pé no chão”.

Trilha sonora e estilo

A trilha sonora segue uma linha mais discreta, focada em reforçar tensão e ação. Nada muito memorável, mas também não atrapalha — cumpre bem o papel de acompanhar perseguições e momentos de perigo.

Eu diria que o filme aposta mais no som ambiente e na ação do que em músicas marcantes.

Curiosidades sobre Afterburn

Alguns pontos interessantes que eu achei sobre o filme:

  • Ele é baseado em uma graphic novel, o que explica o estilo visual mais direto e estilizado.

  • Dave Bautista também participou como produtor, mostrando envolvimento além da atuação.

  • A produção passou por alguns atrasos, o que fez o lançamento demorar mais do que o esperado.

  • O foco do filme sempre foi ser uma experiência de ação acessível, sem tentar ser complexo demais.

Vale a pena assistir?

Na minha visão, Caçadores do Fim do Mundo – Afterburn é aquele tipo de filme ideal pra quando você quer algo direto: ação, cenário pós-apocalíptico e personagens em missão.

Não espere uma história profunda ou cheia de reviravoltas. Aqui, a ideia é outra — e, sendo justo, o filme entrega exatamente isso.



Caçador de Assassinos

 

Assistir a um filme e sentir que ele moldou todo um gênero é raro, mas Caçador de Assassinos (ou Manhunter, no original) faz exatamente isso. Se você gosta de SevenZodiac ou da própria série Mindhunter, precisa entender que tudo começou aqui, em 1986.

O filme é a primeira adaptação do livro Red Dragon, de Thomas Harris, o que significa que esta é a primeira aparição de Hannibal Lecktor (sim, com essa grafia no filme) no cinema. Esqueça a imagem clássica do Anthony Hopkins por um momento; aqui o jogo é outro.

A trama e a direção de Michael Mann

O longa foi lançado em 15 de agosto de 1986 e traz a assinatura inconfundível do diretor Michael Mann. Se você conhece o estilo dele por Fogo Contra Fogo, já sabe o que esperar: uma estética visual impecável, luzes neon e uma frieza quase clínica na forma de filmar.

A história foca em Will Graham, um ex-perfilador do FBI que tem o "dom" (ou a maldição) de pensar como os psicopatas que persegue. Ele sai da aposentadoria para caçar um serial killer apelidado de "Fada do Dente". A narrativa não foca no susto barato, mas sim no peso psicológico de entrar na mente de um monstro. No IMDb, o filme sustenta uma nota sólida de 7.2, sendo cultuado por quem entende de cinema policial.

Elenco e a primeira face do mal

O elenco é um dos pontos altos. William Petersen entrega um Will Graham obcecado e visualmente exausto. É um trabalho minimalista, sem exageros dramáticos. No papel do vilão Francis Dollarhyde, temos Tom Noonan, que consegue ser intimidante apenas com sua presença física e voz mansa.

Mas o que muita gente quer saber é sobre o Hannibal. Aqui, o personagem é interpretado por Brian Cox. Diferente da versão mais "teatral" que veio anos depois em O Silêncio dos Inocentes, o Lecktor de Cox é um sociopata mais contido, direto e realista. Completam o time principal nomes como Joan Allen, Kim Greist e Dennis Farina. Embora não tenha sido um fenômeno de premiações na época — o estilo de Mann era moderno demais para a Academia em 1986 —, o filme ganhou o status de obra de arte com o passar das décadas.

Trilha sonora e locações marcantes

A experiência de ver Manhunter é indissociável da sua trilha sonora. Composta por nomes como The Reds e Michel Rubini, ela é carregada de sintetizadores e rock dos anos 80, o que dá uma atmosfera onírica e, ao mesmo tempo, urbana. A música "In-A-Gadda-Da-Vida", do Iron Butterfly, é usada em uma sequência climática que fica gravada na memória.

As locações de filmagem ajudam a construir essa solidão dos personagens. O filme passou por locais como:

  • Atlanta, Geórgia (High Museum of Art, que serviu como o hospital psiquiátrico).

  • Wilmington, Carolina do Norte.

  • Captiva Island, na Flórida.

O uso da arquitetura moderna e de espaços amplos e brancos cria um contraste interessante com a sujeira mental dos crimes investigados.

Curiosidades sobre os bastidores

Para fechar, separei alguns pontos que mostram por que este filme é diferenciado:

  • Preparação real: William Petersen chegou a acompanhar investigações reais do FBI para entender a rotina dos agentes. Dizem que ele ficou tão imerso no personagem que precisou raspar a barba e mudar o visual após as filmagens para "sair" do papel.

  • A grafia do nome: No filme, o sobrenome do famoso canibal é escrito como Lecktor, em vez do tradicional "Lecter".

  • O visual de Dollarhyde: Michael Mann proibiu Tom Noonan de interagir com o resto do elenco durante as filmagens para que o medo dos atores fosse genuíno quando finalmente o encontrassem em cena.

  • Fracasso e glória: O filme foi um fracasso de bilheteria no lançamento, mas hoje é considerado um dos melhores thrillers daquela década.

É o tipo de filme que não te entrega tudo mastigado. Ele exige atenção e apreciação pelo visual. Se você quer ver onde o cinema policial moderno fincou suas raízes, Caçador de Assassinos é parada obrigatória.