Tipos de Gentileza (Kinds of Kindness)

 

Assisti a Kinds of Kindness (ou Tipos de Gentileza, no Brasil) recentemente e, olha, o filme é um soco no estômago, mas do jeito que o diretor Yorgos Lanthimos gosta de fazer. Se você espera uma comédia romântica ou algo "gentil" pelo título, pode tirar o cavalinho da chuva. O filme é uma antologia dividida em três histórias bizarras que exploram o controle, a paranoia e o limite do que o ser humano faz para pertencer a algo.

Vou te contar o que achei e passar os detalhes técnicos que você precisa saber antes de dar o play.

O que esperar da direção de Yorgos Lanthimos

Lanthimos já é conhecido por Pobres Criaturas e O Lagosta. Aqui, ele volta com uma estética mais seca e uma narrativa tripla. O filme, cujo título original é Kinds of Kindness, foi lançado oficialmente em 21 de junho de 2024 (nos EUA) e traz aquele humor ácido que nem todo mundo digere bem de primeira.

O cara tem um estilo muito específico: enquadramentos estranhos, diálogos que parecem saídos de um sonho (ou pesadelo) e uma capacidade única de deixar o espectador desconfortável. Não é um filme para assistir relaxado no domingo à tarde; é uma obra que exige atenção e estômago.

Elenco e atuações de peso

Um dos pontos altos aqui é o elenco. O diretor repete a parceria com Emma Stone, que entrega uma performance absurda como sempre. Mas quem rouba a cena em vários momentos é Jesse Plemons — inclusive, ele levou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes por esse papel.

Além deles, o time conta com:

  • Willem Dafoe (sempre impecável em papéis excêntricos);

  • Margaret Qualley;

  • Hong Chau;

  • Joe Alwyn.

O detalhe interessante é que os mesmos atores interpretam personagens diferentes em cada uma das três histórias. É quase como ver uma companhia de teatro de luxo mudando de figurino e personalidade diante dos seus olhos.

Trilha sonora e locações

A atmosfera do filme é muito bem construída. A trilha sonora, assinada por Jerskin Fendrix (o mesmo de Pobres Criaturas), usa muito piano e coros, criando uma tensão constante. Não é uma música "bonitinha", é funcional e muitas vezes agoniante.

As filmagens rolaram em Nova Orleans, nos Estados Unidos. Apesar de ser uma cidade com muita personalidade, Lanthimos a filma de um jeito que parece qualquer lugar e lugar nenhum ao mesmo tempo, o que ajuda na sensação de isolamento dos personagens.

Atualmente, o filme sustenta uma nota 6.7 no IMDb, o que reflete bem como ele divide opiniões: ou você entra no jogo do diretor, ou vai achar tudo uma loucura sem sentido.

Curiosidades e por que assistir

Se você gosta de cinema que te faz pensar por dias, esse filme é o seu número. Separei algumas curiosidades rápidas:

  • Duração: Prepare a pipoca, o filme tem quase 3 horas de duração.

  • Reencontro: É a quarta colaboração entre Emma Stone e Lanthimos.

  • Estrutura: As três histórias são independentes, mas compartilham temas como poder e obsessão.

Kinds of Kindness não é sobre ser legal com o próximo. É sobre o custo da aceitação e as coisas absurdas que aceitamos em troca de um pouco de ordem ou amor. Vale o ingresso, mas vá com a mente aberta.



Mickey 17

 

Confesso que estava ansioso para ver o que Bong Joon-ho faria depois do fenômeno que foi Parasita. O diretor sul-coreano não costuma brincar em serviço, e com Mickey 17, ele mergulha de cabeça em uma ficção científica que foge do óbvio. O filme é baseado no livro Mickey 7, de Edward Ashton, mas já adianto que a adaptação tomou caminhos bem próprios, misturando um humor ácido com aquela tensão existencial que só quem já pensou demais sobre a morte entende.

O que você precisa saber sobre a história e o título original

O título original, como mencionei, é Mickey 17. A trama gira em torno de um "descartável": um funcionário enviado em expedições de colonização espacial para realizar as tarefas mais perigosas. Se ele morre, um novo corpo é regenerado com a maioria de suas memórias intactas.

A grande sacada aqui é que o protagonista está na sua 17ª versão. Imagine a carga mental de saber que você já "foi dessa para melhor" dezesseis vezes antes. É um conceito pesado, mas tratado com uma leveza cínica que prende a atenção do início ao fim, sem precisar de melodramas desnecessários.

Direção de peso e um elenco que entrega tudo

Bong Joon-ho não escalou qualquer um para essa empreitada. Robert Pattinson assume o papel principal e mostra que aquela fase de ídolo teen ficou no passado faz tempo. Ele entrega uma dualidade interessante, interpretando versões diferentes do mesmo personagem com nuances bem claras.

Além dele, o elenco conta com nomes de peso:

  • Steven Yeun (que já trabalhou com o diretor em Okja)

  • Naomi Ackie

  • Toni Collette

  • Mark Ruffalo

O filme foi rodado majoritariamente nos estúdios da Warner Bros. em Leavesden, no Reino Unido. As locações e os cenários conseguem passar aquela sensação de isolamento tecnológico que o espaço exige, mas sem parecer um "copia e cola" de outros filmes do gênero.

Trilha sonora, nota IMDb e recepção técnica

A parte sonora ficou nas mãos de Jung Jae-il, o mesmo compositor de Parasita e Round 6. O cara sabe como criar uma atmosfera que te deixa desconfortável e fascinado ao mesmo tempo.

Sobre a nota IMDb está em 6,7/10 e as premiações, o filme ainda está cavando seu espaço no circuito, mas a recepção da crítica especializada aponta para um forte candidato nas categorias técnicas e de roteiro adaptado nas próximas temporadas. A data de lançamento oficial foi em 2025.

Curiosidades que fazem a diferença

Se você gosta de detalhes de bastidores, aqui vão alguns pontos que tornam o projeto ainda mais curioso:

  1. Mudança de número: No livro original o protagonista é o Mickey 7, mas Bong Joon-ho decidiu mudar para Mickey 17 para enfatizar ainda mais o ciclo de mortes e regenerações.

  2. Liberdade Criativa: O diretor teve controle total sobre o corte final, algo raro em grandes produções de Hollywood hoje em dia.

  3. Humor Negro: Diferente de muitas ficções científicas estéreis, este filme abraça o absurdo da situação de forma quase cômica.

No fim das contas, Mickey 17 é sobre sobrevivência, mas de um jeito que a gente não está acostumado a ver. É direto, sem enrolação e te faz pensar na nossa própria descartabilidade no mundo moderno. Vale cada minuto da sessão.