Os Caça-Fantasmas (Ghostbusters)

 

Olha, se tem um filme que define bem o que foi a década de 80, esse filme é Ghostbusters (ou Os Caça-Fantasmas, como ficou conhecido por aqui). Assisti de novo recentemente e é impressionante como a fórmula ainda funciona. Ele mistura comédia e um toque de sobrenatural sem parecer forçado.

Vou te contar por que esse clássico de 1984, dirigido por Ivan Reitman, continua sendo uma referência absoluta no cinema de entretenimento.

O fenômeno de Ghostbusters e o time de peso

O filme chegou aos cinemas americanos em 8 de junho de 1984. Na época, ninguém sabia exatamente se uma comédia sobre fantasmas daria certo, mas o elenco escalado era simplesmente o "Dream Team" do humor daquela época.

Temos Bill Murray (Peter Venkman), que entrega aquele deboche clássico dele; Dan Aykroyd (Ray Stantz), que inclusive ajudou a escrever o roteiro; e Harold Ramis (Egon Spengler), o cérebro do grupo. Pouco depois, Ernie Hudson (Winston Zeddemore) fecha o quarteto. O entrosamento deles é o que carrega o filme nas costas. Sem contar a Sigourney Weaver e o Rick Moranis, que estão excelentes em seus papéis.

Produção, trilha sonora e o clima de Nova York

O título original é apenas Ghostbusters. A história se passa inteira em Nova York, e a cidade acaba virando um personagem. Algumas locações de filmagem ficaram icônicas, como o quartel de bombeiros Hook & Ladder Company 8, que ainda existe no bairro de Tribeca e recebe visitas de fãs até hoje, e a Biblioteca Pública de Nova York.

Outro ponto que não dá para ignorar é a trilha sonora. A música-tema de Ray Parker Jr. é um daqueles "chicletes" mentais. Você ouve os primeiros acordes e já quer responder "Ghostbusters!". Ela chegou a ser indicada ao Oscar de Melhor Canção Original, o que mostra o tamanho do impacto cultural que o filme teve logo de cara.

Crítica, prêmios e a nota no IMDb

Para um filme de comédia e efeitos visuais, o reconhecimento foi alto. No IMDb, ele mantém uma nota sólida de 7.8, o que é muito difícil para um filme desse gênero com mais de 40 anos de estrada.

Além da indicação pela trilha sonora, o filme também concorreu ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais. No BAFTA, levou o prêmio de Melhor Canção Original e foi indicado em outras categorias técnicas. Ele foi um sucesso de bilheteria estrondoso, provando que o público estava sedento por aquela mistura de ficção científica com piadas ácidas.

Curiosidades que você talvez não saiba

Existem alguns detalhes de bastidores que tornam o filme ainda mais interessante:

  • O Geleia: O fantasma verde e comilão foi criado como uma homenagem ao ator John Belushi, que era grande amigo do elenco e faleceu antes das filmagens.

  • Improviso: Muitas das falas de Bill Murray foram improvisadas na hora. O diretor dava a deixa e ele saía com aquelas respostas secas e sarcásticas.

  • O Marshmallow Man: Aquele gigante no final foi um dos maiores desafios de efeitos práticos da época. Eram pessoas dentro de fantasias enormes e cenários em miniatura.

Ghostbusters é o tipo de filme que você assiste para relaxar, mas acaba admirando a construção técnica e o roteiro afiado. É cinema raiz, feito com vontade e com um elenco que sabia exatamente o que estava fazendo. Se você ainda não viu (ou faz tempo que não revisita), vale cada minuto.



A Testemunha (Witness)

 

Decidi rever A Testemunha (Witness) outro dia e, cara, o filme continua segurando a onda mesmo décadas depois. Se você curte um bom suspense policial que não depende de explosões gratuitas para prender a atenção, esse aqui é obrigatório.

Vou te contar por que esse longa de 1985 é uma aula de como construir tensão usando apenas o contraste entre dois mundos completamente diferentes.

O choque cultural entre a Filadélfia e os Amish

A história começa com Samuel, um garoto da comunidade Amish que presencia um assassinato brutal no banheiro de uma estação de trem na Filadélfia. O detetive John Book, interpretado por Harrison Ford, assume o caso e logo percebe que a corrupção dentro da própria polícia é o que coloca a vida do menino em risco.

O que eu acho mais foda nesse filme não é só a investigação, mas o fato de o protagonista ter que se esconder no meio dos Amish para proteger a testemunha. Imagina um tira durão da cidade grande tendo que aprender a ordenhar vacas e construir celeiros em um lugar onde o tempo parece ter parado no século XVIII. É um exercício de silêncio e paciência que a gente raramente vê no cinema de hoje.

Direção, elenco e aquele clima dos anos 80

O diretor australiano Peter Weir mandou muito bem na atmosfera. Ele não trata os Amish como uma caricatura, mas como um povo com regras rígidas e uma paz que incomoda o caos do personagem do Ford. Além do Harrison Ford, que entrega uma de suas melhores atuações (fugindo um pouco do herói invencível tipo Han Solo), o elenco tem a Kelly McGillis e participações de nomes que viriam a brilhar depois, como Viggo Mortensen e Danny Glover.

Aqui vão os dados técnicos para quem gosta de anotar:

  • Título Original: Witness

  • Data de Lançamento: 8 de fevereiro de 1985

  • Nota IMDb: 7.5/10

  • Trilha Sonora: Composta por Maurice Jarre (é puramente eletrônica, feita com sintetizadores, o que cria um contraste bizarro e interessante com o cenário rural).

Premiações e o reconhecimento da crítica

Não foi só o público que gostou; a crítica também deitou para o filme. No Oscar de 1986, ele levou as estatuetas de Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem. Foi indicado em outras seis categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para o Ford.

É o tipo de produção que prova que um roteiro bem amarrado vale mais do que qualquer efeito especial de ponta. A montagem é precisa, sem gordura, focando no que realmente importa: o olhar do garoto e a tensão constante de que o mundo exterior pode invadir aquela paz a qualquer momento.

Curiosidades e os bastidores das filmagens

Uma coisa que muita gente não sabe é que as locações de filmagem foram reais, no condado de Lancaster, Pensilvânia. Isso traz uma autenticidade absurda para as cenas.

Separei algumas curiosidades rápidas que valem o registro:

  1. Atores reais?: Os figurantes nas cenas dos Amish não eram Amish de verdade, já que a religião deles proíbe fotos e filmagens. A produção teve que contratar pessoas que conheciam os costumes para não cometer gafes.

  2. O celeiro: A famosa cena da construção do celeiro foi feita em tempo recorde e é uma das mais bonitas visualmente, mostrando a união da comunidade.

  3. Sucesso inesperado: O filme foi um "sleeper hit", ou seja, começou devagar e foi ganhando força pelo boca a boca até se tornar um dos maiores sucessos do ano.

Se você ainda não viu ou faz tempo que assistiu, vale o play. É um filme sóbrio, direto ao ponto e que respeita a inteligência de quem está assistindo.