A Queda (Fall)

 

Assisti a A Queda (ou Fall, no título original) outro dia e, vou te falar, fazia tempo que um filme não me deixava com o estômago embrulhado desse jeito. Se você tem qualquer rastro de vertigem, prepare o psicológico. O longa, lançado em setembro de 2022, é um exercício de tensão pura que prova que você não precisa de monstros ou explosões para criar um suspense de primeira.

Aqui vou te contar por que esse filme dirigido por Scott Mann virou um fenômeno e o que você precisa saber antes de dar o "play".

Do que se trata Fall e por que ele incomoda tanto?

A premissa é aquela simplicidade que funciona: duas amigas, Becky (Grace Caroline Currey) e Hunter (Virginia Gardner), decidem escalar uma torre de TV abandonada de 600 metros de altura no meio do deserto. O objetivo? Superar um trauma do passado e, claro, ganhar uns likes nas redes sociais.

O problema é que a estrutura é velha, os parafusos estão soltos e, quando elas chegam no topo, a escada despenca. O que sobra é uma plataforma minúscula, um calor infernal e nenhuma forma fácil de descer. O diretor Scott Mann consegue transmitir a sensação de altura de um jeito muito real, o que mantém a adrenalina lá em cima o tempo todo.

Produção, elenco e aquela nota no IMDB

O filme não contou com um orçamento astronômico de Hollywood, mas entregou um visual impressionante. Além da dupla de protagonistas, temos uma participação do Jeffrey Dean Morgan (o Negan de The Walking Dead), que traz um peso dramático interessante para a história.

Atualmente, o filme sustenta uma nota 6.4 no IMDb. Pode parecer uma nota "morna", mas para o gênero de suspense/sobrevivência, é uma pontuação bem sólida. No que diz respeito a premiações, o filme não foi feito para o Oscar, mas ganhou o público e a crítica especializada pelo uso inteligente de efeitos práticos e CGI, chegando a vencer o Saturn Award de Melhor Filme Independente.

Trilha sonora e as locações que dão medo

trilha sonora, assinada por Tim Despic, é cirúrgica. Ela não tenta te dizer o que sentir o tempo todo; ela deixa o som do vento e o ranger do metal fazerem o trabalho sujo de te deixar nervoso.

Sobre as locações de filmagem, muita gente acha que foi tudo feito em estúdio, mas a equipe realmente construiu parte da torre no topo de uma montanha no Shadow Woods, na Califórnia. Isso ajudou os atores a reagirem à altura real e ao clima severo, o que transparece na tela. Ver aquelas imagens da torre B67 (inspirada na vida real pela torre KXTV/KOVR) dá um nó na garganta.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

O que eu acho mais curioso sobre A Queda são os bastidores. Separar alguns pontos rápidos aqui:

  • Edição por IA: O filme originalmente tinha muitos palavrões, o que daria uma classificação etária restritiva nos EUA. Como não tinham dinheiro para refilmar, usaram inteligência artificial para trocar os rostos e as falas das atrizes em pós-produção, substituindo os xingamentos por termos mais leves.

  • Torre Real: A torre do filme foi inspirada na KXTV/KOVR em Walnut Grove, que é uma das estruturas mais altas do mundo.

  • Sem dublês em tudo: As atrizes realmente passaram boa parte do tempo em estruturas altas e balançando, o que explica o suor e o desespero genuíno em várias cenas.

Se você está procurando algo para assistir no fim de semana que te deixe grudado no sofá (ou longe da beirada dele), esse filme é a escolha certa. É direto, sem enrolação e cumpre exatamente o que promete.



Máquina Mortífera (Lethal Weapon)

 

Se tem um filme que define o que é o gênero "buddy cop", esse filme é Máquina Mortífera (Lethal Weapon). Lançado em 1987, ele não é só mais um filme de polícia e bandido; é a régua pela qual todos os outros que vieram depois tentaram se medir.

Vou direto ao ponto sobre o que faz esse clássico ser o que é, sem enrolação e sem entregar o final para quem ainda não viu.

O encontro de Riggs e Murtaugh

A história gira em torno de dois detetives da LAPD com estilos de vida e mentalidades completamente opostas. De um lado, Martin Riggs (Mel Gibson), um ex-integrante das Forças Especiais que ficou totalmente instável e suicida após a morte da esposa. Do outro, Roger Murtaugh (Danny Glover), um veterano que acabou de completar 50 anos e só quer paz para chegar à aposentadoria.

A química entre os dois é o que carrega o filme nas costas. Não parece atuação ensaiada; parece a dinâmica real de dois caras que são forçados a trabalhar juntos, se odeiam no café da manhã e estariam prontos para morrer um pelo outro na hora do jantar. O diretor Richard Donner acertou em cheio ao focar mais na relação deles do que apenas nas explosões.

Produção e ficha técnica de peso

Para quem gosta de números e nomes, a ficha técnica de Máquina Mortífera é respeitável. O filme estreou nos cinemas americanos em 6 de março de 1987. No comando, como mencionei, estava Richard Donner, o cara que também nos deu Superman e Os Goonies.

  • Título Original: Lethal Weapon

  • Nota no IMDb: Atualmente mantém sólidos 7.6/10.

  • Atores Principais: Mel Gibson, Danny Glover e Gary Busey (como o vilão psicopata Mr. Joshua).

  • Premiações: Foi indicado ao Oscar de Melhor Mixagem de Som em 1988.

A trilha sonora merece um parágrafo à parte. É uma colaboração entre Michael Kamen, Eric Clapton e David Sanborn. Aquele saxofone melancólico que toca quando o Riggs está sozinho e a guitarra blues do Clapton dão o tom perfeito para a solidão e a tensão do filme.

Locações e a vibe de Los Angeles

O filme foi rodado inteiramente na Califórnia, usando o cenário urbano de Los Angeles como um personagem vivo. Desde as perseguições nas rodovias de Long Beach até a cena clássica na cobertura de um prédio em Hollywood, a fotografia entrega aquela estética crua e urbana do final dos anos 80.

Diferente de muitos filmes de ação modernos que parecem limpos demais, Máquina Mortífera tem textura. Você sente o calor do asfalto e o cansaço dos personagens. As locações ajudam a passar essa sensação de que o perigo está em qualquer esquina de Santa Monica ou Burbank.

Curiosidades que você talvez não saiba

Todo grande filme tem bastidores interessantes, e com este não seria diferente. Aqui estão alguns fatos que mostram como a produção foi levada a sério:

  1. Treinamento Real: Os atores passaram por um treinamento intensivo de táticas policiais e artes marciais (como Jiu-Jitsu brasileiro e Capoeira) para as cenas de luta.

  2. O Roteiro: Foi escrito por Shane Black quando ele tinha apenas 22 anos. Ele se tornou um dos roteiristas mais bem pagos de Hollywood depois disso.

  3. A Frase Icônica: A famosa frase de Murtaugh, "I'm too old for this shit" (Estou velho demais para isso), virou um bordão cultural usado até hoje.

  4. Dublês: Mel Gibson fez muitas de suas próprias cenas de ação, o que deu uma autenticidade maior para o comportamento errático do Riggs.

Se você está procurando um filme de ação que tenha substância, diálogos afiados e uma direção que sabe filmar uma troca de tiros sem te deixar tonto, Máquina Mortífera é a escolha óbvia. É cinema raiz, direto e eficiente.