Flow

 

Se você está cansado de animações que tentam te ganhar no grito ou com piadas forçadas a cada cinco segundos, Flow (2024) é o filme que você precisa assistir. Eu vi e, sinceramente, é uma aula de como contar uma história épica sem dizer uma única palavra.

O filme, que no original se chama Straume, é uma produção da Letônia, França e Bélgica que chegou chutando a porta dos grandes festivais. Não é à toa que ele se tornou um dos favoritos da crítica e do público em 2024.

O que você precisa saber sobre a produção

O comando dessa jornada ficou nas mãos de Gints Zilbalodis, que não só dirigiu, mas também escreveu, produziu e até ajudou na trilha sonora. O cara é um exército de um homem só. Aliás, a trilha, composta por ele e Rihards Zaļupe, é o que carrega o filme nas costas, já que não existe diálogo. São os sons e a música que ditam o ritmo de tudo.

A história é simples na superfície: um gato preto acorda em um mundo onde os humanos sumiram e a água começou a subir sem parar. Para sobreviver, ele precisa dividir um barco com um grupo improvável: uma capivara (que é o alívio cômico perfeito), um lêmure acumulador, um cachorro estabanado e um pássaro secretário.

Ficha técnica rápida:

  • Título Original: Straume

  • Data de Lançamento: 22 de maio de 2024 (Cannes) / Fevereiro de 2025 (Brasil)

  • Diretor: Gints Zilbalodis

  • Nota IMDb: 8.2/10 (uma das maiores do ano para animação)

  • Vozes: Não há dubladores famosos, apenas sons reais de animais.

Por que Flow é visualmente diferente?

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o visual. Esqueça aquele padrão Pixar de perfeição milimétrica. Flow foi feito inteiramente no Blender, um software de código aberto, e foca em uma estética que parece um quadro em movimento. As locações de filmagem — ou melhor, os cenários criados — misturam florestas densas e ruínas de uma civilização que já não existe mais, tudo cercado por um oceano infinito.

A câmera se move como se fosse um documentário de natureza, seguindo os bichos de perto, o que te joga para dentro da sobrevivência deles. Você sente a tensão do gato com a água (quem tem gato sabe como é) e a paz contemplativa da capivara no meio do caos.

Premiações e o barulho que o filme fez

Se você liga para troféus, o currículo de Flow é pesado. Ele passou pelo Festival de Cannes, brilhou em Annecy (o maior festival de animação do mundo) e foi o grande vencedor do Oscar de Melhor Animação em 2025, além de ser o primeiro filme da Letônia a ser indicado como Melhor Filme Internacional.

Ele não ganhou esses prêmios por ser bonitinho. Ganhou porque é uma sobrevivência visceral. O filme trata de amizade e confiança por necessidade pura, sem aquela moral da história mastigada que a gente vê por aí.

Curiosidades que valem o clique

Para quem gosta de saber os bastidores, separei alguns pontos que mostram o trabalho insano por trás desse projeto:

  1. Sem fala mesmo: O filme não tem diálogos humanos. A comunicação é feita por gestos, olhares e sons naturais.

  2. Som da Capivara: O diretor achou o som real das capivaras muito agudo e irritante para o personagem calmo do filme. A solução? Usaram sons de filhotes de camelo para dar aquela voz profunda e relaxada.

  3. Estátua de Ouro: O sucesso na Letônia foi tão absurdo que o gato preto protagonista ganhou uma estátua em seu país de origem.

  4. Trilha Gigante: Zilbalodis compôs cerca de sete horas de música original para o filme, selecionando os melhores 50 minutos para a versão final.

No fim das contas, Flow é cinema em sua forma mais pura. É sobre se adaptar quando o mundo vira de cabeça para baixo. Se você quer algo que te prenda pela visão e pelo som, sem distrações, reserve uma hora e meia para esse barco.



O Ditador (The Dictator)

 

Olha, se você está procurando um filme para dar risada sem filtros, O Ditador (The Dictator) precisa estar na sua lista. Eu assisti recentemente e, mesmo anos após o lançamento, o humor ácido do Sacha Baron Cohen continua acertando em cheio. É aquele tipo de comédia que não pede licença para ser politicamente incorreta.

Vou te contar um pouco sobre o que faz esse filme ser um clássico moderno do gênero, sem estragar as surpresas da trama.

O que você precisa saber sobre a produção

Lançado em 16 de maio de 2012, o filme traz Sacha Baron Cohen no papel do Almirante General Aladeen, o líder supremo da República de Wadiya. Se você conhece o trabalho dele em Borat, já sabe que o estilo é de confronto e sátira pesada.

A direção ficou por conta de Larry Charles, que já é parceiro de longa data do Sacha. No elenco, além do protagonista, temos nomes de peso como Anna FarisBen Kingsley e uma participação bem engraçada do John C. Reilly. O filme segura a onda com uma nota 6.4 no IMDb, o que é bem sólido para uma comédia desse estilo, que costuma dividir opiniões.

A trilha sonora e o visual de Wadiya

Um detalhe que me chamou a atenção foi a trilha sonora. Ela mistura músicas árabes com sucessos do pop ocidental, criando um contraste bizarro que combina perfeitamente com a personalidade do Aladeen. Músicas como "99 Luftballons" e "Let’s Get It On" ganharam versões em árabe que são impagáveis.

Sobre as locações de filmagem, a produção viajou bastante. Embora a história se passe em Nova York e na fictícia Wadiya, as cenas externas foram gravadas em lugares como:

  • Sevilha, Espanha: A Praça de Espanha serviu como o palácio do ditador.

  • Nova York, EUA: Onde a maior parte do choque cultural acontece.

  • Marrocos: Para dar aquela estética autêntica de deserto.

Premiações e o impacto cultural

Sendo bem sincero, filmes de comédia escrachada raramente limpam as prateleiras do Oscar, e com este não foi diferente. Ele não levou grandes estatuetas técnicas, mas ganhou o ASCAP Film and Television Music Awards pela trilha e algumas indicações no MTV Movie Awards.

O verdadeiro prêmio aqui foi o marketing. Você deve se lembrar do Sacha Baron Cohen aparecendo no tapete vermelho do Oscar de 2012 vestido como o personagem e "derramando" as cinzas de Kim Jong-il no apresentador Ryan Seacrest. Foi puro suco de entretenimento.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Para fechar o café, separei alguns pontos interessantes que dão outra perspectiva ao filme:

  1. Dedicatória estranha: O filme foi dedicado "em memória amorosa de Kim Jong-il", o que diz muito sobre o tom da obra.

  2. Improviso: Muita coisa que você vê nas interações de rua em Nova York foi improvisada, o que traz aquela naturalidade meio caótica.

  3. Título Original: O nome é apenas The Dictator, curto e direto ao ponto, assim como as ordens do Aladeen.

  4. Megan Fox: A participação dela como ela mesma é uma das críticas mais ácidas do filme sobre a relação entre celebridades e dinheiro.

Vale a pena ver? Se você gosta de rir do absurdo e entende que o alvo da piada é o próprio autoritarismo, com certeza. É um filme fluido, rápido e que não envelheceu tanto quanto a gente poderia imaginar.