Homem de Ferro (Iron Man)

 

Se você curte cinema e cultura pop, sabe que tudo o que vemos hoje nas telas começou com um cara dentro de uma armadura de metal no meio de um deserto. Falar de Homem de Ferro (ou Iron Man, no original) é falar do filme que não só salvou a Marvel da falência, mas mudou o jeito que a gente consome entretenimento.

Vou te contar como esse projeto saiu do papel e virou esse fenômeno, sem enrolação e direto ao ponto.

O nascimento de um ícone em 2008

Lançado em 30 de abril de 2008 no Brasil, o filme foi uma aposta de risco. Na época, o personagem não era do primeiro escalão como o Homem-Aranha, e o diretor Jon Favreau teve que brigar para colocar Robert Downey Jr. no papel principal. Foi a melhor decisão da história da Marvel.

Downey Jr. trouxe uma arrogância carismática para o bilionário Tony Stark que ninguém mais conseguiria replicar. Ao lado dele, o elenco entregou um trabalho sólido com Gwyneth Paltrow (Pepper Potts), Jeff Bridges (Obadiah Stane) e Terrence Howard (Rhodey). O resultado? Uma nota 7.9 no IMDb e uma bilheteria que deixou Hollywood de queixo caído.

Produção pesada e locações reais

Diferente de muitos filmes de herói atuais que parecem um videogame de tanto fundo verde, o primeiro Homem de Ferro tem uma pegada mais crua. Grande parte das filmagens rolou na Califórnia, usando as paisagens áridas de Lone Pine para simular o Afeganistão e a Edwards Air Force Base para as cenas militares.

Essa escolha deu uma textura de realidade que ajudou a vender a ideia de que aquela tecnologia poderia existir. E para acompanhar o barulho das turbinas e explosões, a trilha sonora seguiu uma linha rock and roll. A composição de Ramin Djawadi é marcante, mas o que arrepia mesmo é o uso certeiro de clássicos como Back in Black, do AC/DC, e a óbvia Iron Man, do Black Sabbath.

Premiações e o reconhecimento da indústria

Embora filmes de herói sofram certo preconceito em premiações "cabeça", o longa não passou batido. Ele recebeu duas indicações ao Oscar (Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Visuais). Pode parecer pouco hoje, mas para um filme de origem em 2008, foi um selo de qualidade importante que mostrou que a Marvel não estava ali para brincadeira.

O foco aqui não era apenas a pancadaria, mas a engenhosidade. Ver o Tony Stark construindo a Mark 1 no improviso é cinema de alto nível, e a indústria reconheceu o esforço técnico por trás dessa engenharia visual.

Curiosidades que você talvez não saiba

Para fechar o papo, separei alguns detalhes de bastidores que mostram por que esse filme é diferente:

  • Roteiro improvisado: Acredite se quiser, o roteiro não estava 100% finalizado quando as filmagens começaram. Muitas falas do Tony Stark foram improvisadas pelo Robert Downey Jr. na hora, o que deu aquele tom natural e sarcástico.

  • O vilão quase foi outro: Antes de fecharem com o Monge Ferroviário, houve discussões para que o Mandarim fosse o antagonista principal.

  • Tecnologia real: A armadura que você vê na tela é uma mistura de efeitos práticos (peças reais de metal e resina) com computação gráfica, por isso ela parece ter "peso".

  • O início de tudo: A famosa cena pós-créditos com Nick Fury foi gravada com uma equipe reduzidíssima para evitar vazamentos. Ali nascia o conceito de universo compartilhado.

Se você ainda não revisitou esse clássico ou quer apresentar para alguém, vale cada minuto. É um filme sobre inteligência, superação e, claro, muita explosão de qualidade.



Demolidor: O Homem Sem Medo (Daredevil)

 

Fala, tudo certo? Se você viveu o início dos anos 2000, sabe que o cinema de herói era um bicho bem diferente do que temos hoje com a Marvel toda organizadinha. Pegue um café e vamos falar sobre Demolidor: O Homem Sem Medo, um filme que divide opiniões, mas que tem seu valor histórico.

O que você precisa saber sobre Daredevil (2003)

O título original é apenas Daredevil. O filme chegou aos cinemas em 14 de fevereiro de 2003, numa época em que o couro e as trilhas sonoras de rock pesado dominavam Hollywood. A direção ficou por conta de Mark Steven Johnson, que também assinou o roteiro.

No elenco, temos nomes que hoje são gigantes. Ben Affleck vive o advogado cego Matt Murdock. Jennifer Garner interpreta Elektra Natchios — papel que rendeu a ela um filme solo depois. O vilão Mercenário ficou nas mãos de Colin Farrell, e o Rei do Crime foi interpretado pelo saudoso Michael Clarke Duncan.

Atualmente, a nota no IMDb é 5.3, o que mostra que o público é bem rigoroso com ele. Em termos de premiações, o filme levou o MTV Movie Award de Melhor Revelação Feminina para Jennifer Garner e, por outro lado, o Framboesa de Ouro de Pior Ator para Affleck (que ele divide com outros filmes daquele ano).

A trama e o clima de Hell's Kitchen

A história foca na origem do herói. Após um acidente com lixo tóxico que o deixou cego, mas aguçou seus outros sentidos a níveis sobre-humanos, Matt Murdock decide limpar as ruas de Nova York. De dia, ele usa a lei; de noite, ele usa os punhos.

As locações de filmagem não foram exatamente em Hell's Kitchen. Grande parte das cenas foi rodada no centro de Los Angeles, que serviu de dublê para a Nova York sombria que o diretor queria mostrar. O clima é propositalmente pesado, com muitas sombras e chuva, tentando emular a fase clássica do Frank Miller nos quadrinhos.

A trilha sonora que definiu uma época

Se tem algo que muita gente lembra desse filme, é a trilha sonora. Foi aqui que o Evanescence explodiu para o mundo com "Bring Me to Life" e "My Immortal". O disco da trilha é uma cápsula do tempo do nu-metal e rock alternativo daquela época, com bandas como Fuel, The Calling, Nickelback e Seether.

Mesmo que você não curta o filme, é difícil negar que a música ajudava a criar aquela aura de "justiceiro atormentado" que o personagem pedia.

Curiosidades que talvez você não saiba

Todo filme dessa época tem bastidores interessantes. Aqui estão alguns pontos que valem a nota:

  • O Rei do Crime: Nos quadrinhos, Wilson Fisk é branco. A escalação de Michael Clarke Duncan foi um dos primeiros grandes exemplos de "colorblind casting" em filmes de herói, e ele entregou uma presença física que poucos conseguiriam.

  • A Versão do Diretor: Se você viu a versão do cinema e achou fraca, procure o Director's Cut. Ele adiciona cerca de 30 minutos de filme, foca muito mais na parte jurídica e remove subtramas românticas desnecessárias, tornando o filme bem mais sério e coeso.

  • Stan Lee: Como de costume, o mestre aparece em uma participação especial atravessando a rua enquanto lê um jornal.

Demolidor: O Homem Sem Medo pode não ser a obra-prima definitiva do herói — especialmente depois da série da Netflix —, mas é um registro honesto de uma era de transição no cinema.