Cidade dos Anjos (City of Angels)

 

Sempre que o assunto é romance dos anos 90, Cidade dos Anjos (City of Angels) aparece no topo da lista. Eu revi o filme recentemente e, olha, mesmo que você não seja o tipo de pessoa que se emociona fácil, tem que admitir: a produção é tecnicamente impecável e a história te faz pensar bastante sobre o valor das sensações humanas.

Lançado em 1998, o longa foi dirigido por Brad Silberling e trouxe uma proposta interessante ao adaptar o clássico alemão Asas do Desejo. Se você está buscando um filme que equilibra bem o drama com uma pitada de fantasia urbana, esse aqui é o caminho.

O enredo e o peso do elenco

A trama gira em torno de Seth, interpretado por Nicolas Cage, um anjo que vaga por Los Angeles confortando aqueles que estão prestes a morrer. O ponto de virada acontece quando ele conhece a Dra. Maggie Rice (Meg Ryan), uma cirurgiã pragmática que entra em crise após perder um paciente.

O que me agrada na atuação do Cage aqui é a economia. Ele não entrega aquele estilo explosivo que a gente conhece; ele é contido, observador. Já a Meg Ryan entrega a dose certa de ceticismo e vulnerabilidade. A química funciona porque não parece forçada.

A atmosfera de Los Angeles e as locações

O filme usa a cidade de Los Angeles quase como um personagem. Esqueça o brilho de Hollywood; aqui vemos bibliotecas imensas, as praias de Malibu ao amanhecer e o trânsito caótico visto de cima.

Um detalhe curioso sobre as locações de filmagem é que a biblioteca onde os anjos se reúnem é a San Francisco Public Library, além de cenas icônicas rodadas no Lake Tahoe. Essa escolha visual ajuda a criar aquela sensação de isolamento e grandiosidade que o roteiro pede.

Trilha sonora e reconhecimento

Não dá para falar de Cidade dos Anjos sem mencionar a trilha sonora. Se você viveu os anos 90, com certeza ouviu Iris do Goo Goo Dolls ou Uninvited da Alanis Morissette até cansar. A trilha foi um sucesso absoluto de vendas e ajudou muito a ditar o tom melancólico e reflexivo do filme.

No que diz respeito à crítica e números, o filme tem uma nota 6.7 no IMDb. Não é uma obra-prima unânime, mas é um filme sólido. Em termos de premiações, ele não levou o Oscar, mas foi indicado ao Globo de Ouro (pela música da Alanis) e venceu vários ASCAP Awards e BMI Film & TV Awards, justamente pelo impacto da sua música e estética.

Curiosidades que você talvez não saiba

Para fechar, separei alguns pontos que mostram os bastidores da produção:

  • O sacrifício visual: Para dar a impressão de que os anjos não piscavam, Nicolas Cage teve que treinar muito para manter os olhos abertos durante longos períodos nas filmagens.

  • A conexão alemã: Como mencionei, o título original de inspiração é Der Himmel über Berlin. A versão americana é muito mais focada no romance, enquanto a original é mais filosófica.

  • O preto e branco: No filme original, os anjos veem o mundo em preto e branco. Brad Silberling decidiu não usar esse recurso para não confundir o público, focando apenas na sensação do tato e do paladar como diferenciais.

Cidade dos Anjos é um filme sobre escolhas e as consequências delas. É direto, tem uma estética muito bem definida e não tenta ser mais complexo do que precisa. Se você quer entender por que esse filme se tornou um clássico do catálogo de muita gente, vale o play.



Os Cantores (The Singers)

 

Se você, como eu, valoriza aquelas histórias que não precisam de duas horas para te desarmar, precisa parar o que está fazendo e dar o play em Os Cantores (título original: The Singers). Eu tive a chance de acompanhar a trajetória desse curta desde que ele começou a fazer barulho nos festivais em 2025, e confesso: a simplicidade dele é enganosa. É o tipo de filme que gruda na mente e te faz questionar o que realmente importa no fim do dia.

O curta, que já teve sua merecida exibição nas telas grandes, agora está disponível na Netflix, o que é excelente. É uma obra que não tenta te vender uma fantasia; ela te joga dentro de um bar de mergulho decadente e te força a olhar para a dignidade de homens que o mundo, muitas vezes, escolheu ignorar.

O que torna a ficha técnica de The Singers tão única?

Dirigido, escrito e até editado por Sam A. Davis, Os Cantores é um projeto de paixão visceral.Davis, que tem uma estética documental refinada, não buscou grandes estrelas de Hollywood para esta obra. E é aqui que o filme ganha sua força brutal. O elenco é composto por atores não profissionais, descobertos pelo diretor em cantos improváveis do TikTok, YouTube e até em audições de rua.

Esqueça os nomes famosos. As performances que você vê são de pessoas reais, como:

  • Mike Yung (que já foi sensação viral cantando no metrô de NY)

  • Chris Smither

  • Judah Kelly (vencedor do The Voice Austrália)

  • Will Harrington

Com uma nota sólida de 7.4 no IMDb, e um Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action na bagagem, o filme não precisa provar mais nada a ninguém. A locação principal — um Moose Lodge na Califórnia, transformado em um bar atemporal — funciona como um personagem claustrofóbico que amplifica a tensão e a vulnerabilidade dos homens ali presentes.

Quais são as curiosidades brutas dos bastidores deste curta da Netflix?

A maior curiosidade deste filme é, sem dúvida, o processo de escalação. Sam A. Davis passou mais de um ano e meio garimpando talentos reais na internet. Ele não procurava apenas boas vozes, ele procurava "alma e profundidade". A aposta foi arriscada: ele não sabia como esses não-atores se sairiam diante das câmeras até o dia da filmagem.

Outro detalhe animal é que Davis optou por encorajar o elenco a improvisar diálogos, baseando-se em suas próprias experiências de vida. Isso dá ao filme uma textura quase documental. Além disso, a pós-produção de áudio foi meticulosa. Eles não queriam aquele som de estúdio perfeito; eles queriam o som cru, o eco do bar, a respiração pesada antes de cada nota. O resultado é uma experiência sonora que te coloca dentro daquele ambiente abafado.

Qual é a minha crítica honesta sobre Os Cantores?

Vou ser direto: este filme é uma pancada dolorida, mas de um jeito que a gente respeita. Ele não prega; ele apenas mostra. Sam Davis adapta um conto russo do século XIX (de Ivan Turgenev) e o transpõe para um cenário de desespero moderno. O viés aqui é sóbrio. Vemos homens durões, calejados pela vida, que encontram em um concurso de canto improvisado uma válvula de escape para sua solidão e isolamento.

A câmera de Davis, muitas vezes em closes fechados, captura a transformação nos rostos desses homens à medida que a música flui. É uma obra sobre resiliência e sobre a necessidade humana de conexão, mesmo quando tudo ao redor parece estar desmoronando. A performance de Mike Yung, em particular, é de uma honestidade devastadora. Não é um musical feliz; é um retrato poético da desolação iluminado por breves momentos de harmonia compartilhada.

Por que você não pode ignorar Os Cantores na Netflix?

Agora que o filme saiu do cinema e está no streaming, ele se torna ainda mais íntimo. É uma obra de 18 minutos que entrega mais densidade emocional do que muitos blockbusters de super-heróis. É o tipo de conteúdo que prova que a Netflix, às vezes, acerta muito em cheio na curadoria.

Se você perdeu a chance de ver no cinema, faça um favor a si mesmo: pegue uma cerveja, apague as luzes, use um bom fone de ouvido e deixe esses "cantores" te contarem a história deles. É uma lição sobre dignidade que nenhum homem deveria ignorar.