Nem Tudo é o Que Parece (Layer Cake)

 

Sabe aquele tipo de filme que você assiste e, logo nos primeiros minutos, percebe que não está diante de mais uma história comum de crime e castigo? Foi exatamente o que senti quando vi Nem Tudo é o Que Parece pela primeira vez. O título original, Layer Cake, faz muito mais sentido quando você entende a hierarquia do submundo que o roteiro apresenta.

Vou te contar por que esse filme, lançado em 2004, continua sendo uma das melhores referências do gênero policial britânico sem precisar apelar para clichês cansativos.

O que faz de Layer Cake um filme diferente

O que me chamou a atenção logo de cara foi a postura do protagonista, interpretado por Daniel Craig. Ele não tem nome. É apenas um cara que se vê como um homem de negócios, mas o produto dele é cocaína. Ele é pragmático, evita violência e quer apenas se aposentar cedo. O problema é que, no crime, ninguém sai pela porta da frente com tanta facilidade.

O diretor Matthew Vaughn, em sua estreia no comando, trouxe uma estética muito polida. Se você gosta de filmes como Snatch ou Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, vai notar uma semelhança, mas com um tom muito mais sério e menos "caricato". É um filme de crime para adultos, focado em estratégia e nas consequências de cada escolha errada.

Os nomes por trás das câmeras e o peso do elenco

Não dá para falar desse filme sem mencionar o elenco de peso. Além do Daniel Craig — que, inclusive, garantiu o papel de James Bond justamente por sua atuação aqui —, temos nomes como Tom HardySienna MillerMichael Gambon e Colm Meaney. É uma constelação de talentos que entrega diálogos rápidos e precisos.

Na época, o filme foi muito bem recebido, garantindo uma nota 7.3 no IMDb, o que é um número bem sólido para o gênero. Matthew Vaughn até levou o prêmio de Melhor Diretor Estreante no Empire Awards, provando que ele sabia exatamente como conduzir uma narrativa complexa sem deixar o espectador perdido nas sub-tramas.

Trilha sonora marcante e os cenários de Londres

Outro ponto que eu curto muito é a ambientação. As filmagens passaram por LondresAmsterdã e pela Ilha de Sheppey. Você sente o clima cinzento e urbano da Europa o tempo todo, o que ajuda a criar essa atmosfera de tensão constante.

E a trilha sonora? Ela é um capítulo à parte. Tem desde clássicos do rock e pop até sons mais eletrônicos que ditam o ritmo das cenas. Bandas como The CultDuran Duran e a faixa "Ordinary World", além de XTC, dão uma personalidade única para a obra. A música não está lá só de fundo, ela ajuda a contar a história e a construir a frieza do protagonista.

Curiosidades que dão outra perspectiva ao filme

Se você gosta de detalhes de bastidores, tem algumas coisas interessantes sobre essa produção:

  • O Teste para 007: Barbara Broccoli, a produtora de James Bond, decidiu que Daniel Craig seria o novo Bond depois de vê-lo na cena em que ele usa um smoking em Layer Cake.

  • Final Alternativo: Existe um final alternativo rodado que mudaria completamente a percepção do destino do protagonista, mas a versão que foi para o cinema é, sem dúvida, a mais impactante.

  • Adaptação Literária: O filme é baseado no livro homônimo de J.J. Connolly, que também escreveu o roteiro, o que explica por que os diálogos são tão afiados.

Para fechar, se você procura um filme inteligente, com uma narrativa fluida e que respeita a inteligência de quem está assistindo, Nem Tudo é o Que Parece é uma escolha sem erro. É seco, direto e muito bem executado.


Pesadelo Nas Alturas (Horizon Line)

 

Eu assisti ao filme Pesadelo nas Alturas esses dias e decidi organizar o que achei e os detalhes técnicos para quem está na dúvida se aperta o play ou não. Se você curte aquele tipo de história de sobrevivência onde tudo o que pode dar errado, dá, esse filme segue bem essa linha. É um roteiro direto, sem muita enrolação, focado no desespero de dois personagens presos em um monomotor sobre o oceano.

O que você precisa saber sobre a ficha técnica

O título original é Horizon Line e ele chegou aos cinemas (e depois ao streaming) ali por volta de outubro de 2020. Quem assina a direção é o sueco Mikael Marcimain. Ele optou por uma estética bem limpa no começo, que vai ficando claustrofóbica conforme a situação aperta no avião.

No elenco, temos a Allison Williams, que muita gente conhece por Corra!, e o Alexander Dreymon, o protagonista da série The Last Kingdom. O veterano Keith David também faz uma participação importante como o piloto. A dinâmica entre os dois principais é o que carrega o filme, já que eles passam a maior parte do tempo sozinhos tentando não cair no mar.

A recepção do público e o clima da trilha sonora

Sendo bem realista, a nota no IMDb gira em torno de 4.8 a 5.0. Não é um filme que tenta ganhar o Oscar, e ele sabe disso. É entretenimento puro para quem gosta de roer as unhas. Falando em premiações, ele não levou grandes troféus para casa, mas cumpriu bem o papel de ser um thriller de baixo orçamento que entrega tensão.

A trilha sonora foi composta por Jon Ekstrand e Carl-Johan Seel. O som é cirúrgico, ele não tenta ser maior que a cena, mas ajuda a criar aquela pressão constante do motor falhando e do vento batendo na fuselagem. É o tipo de áudio que, se você ouvir com fone, consegue sentir um pouco mais da agonia dos personagens.

Onde as câmeras passaram e curiosidades de bastidores

Uma coisa que me chamou a atenção foram as imagens externas. As locações de filmagem incluíram as Ilhas Maurício, Dublin e os estúdios Pinewood em Londres. Aquelas águas cristalinas do Oceano Índico que aparecem no filme são reais e dão um contraste interessante com o caos que acontece dentro da cabine.

Aqui vão algumas curiosidades que pesquisei:

  • A produção usou um gimbal (uma plataforma móvel) para simular as turbulências, o que deixou a atuação física dos atores bem mais convincente.

  • Allison Williams e Alexander Dreymon tiveram que aprender o básico de comandos de um Cessna para que os movimentos das mãos não parecessem falsos na tela.

  • Embora pareça tudo CGI, muitas cenas de close-up foram feitas com a carcaça de um avião real em estúdio para dar mais textura e realismo.

Vale o seu tempo no final de semana?

Se você busca uma obra profunda sobre a existência humana, talvez se decepcione. Mas, se a ideia é ver um filme de sobrevivência que não perde tempo com subtramas desnecessárias, Pesadelo nas Alturas entrega o que promete. É um filme curto, visualmente bonito por conta das locações e que faz você pensar no que faria se estivesse no controle de um manche sem saber pilotar.

Para quem gosta de títulos como Águas Rasas ou No Limite, ele segue uma pegada parecida. É sentar, pegar a pipoca e torcer para eles acharem terra firme.


Holmes & Watson

 

Se você curte o estilo de comédia escrachada que o Will Ferrell e o John C. Reilly costumam entregar, provavelmente já ouviu falar de Holmes & Watson. Lançado no final de 2018, o filme tenta dar uma roupagem totalmente diferente para o detetive mais famoso do mundo e seu fiel escudeiro. Eu assisti recentemente e decidi reunir aqui o que você precisa saber antes de dar o play, sem entregar nada da história, para você decidir se é o seu tipo de humor ou não.

O que esperar de Holmes & Watson

O título original é apenas Holmes & Watson e a proposta aqui é clara: esquecer aquela sobriedade do Sherlock de Benedict Cumberbatch ou o estilo ação de Robert Downey Jr. O diretor Etan Cohen, que já tinha experiência com comédias pesadas, resolveu transformar a dupla dinâmica da Baker Street em uma caricatura completa.

A trama coloca Sherlock Holmes e o Dr. John Watson em uma corrida contra o tempo para impedir um assassinato no Palácio de Buckingham. O clima é de paródia total, abusando de situações absurdas e piadas físicas. Se você gosta de Quase Irmãos, já sabe mais ou menos qual é a energia que os dois atores trazem para a tela.

Elenco de peso e os bastidores em Londres

Uma coisa que não dá para negar é que o elenco é de primeira. Além do Ferrell e do Reilly, temos nomes como Rebecca Hall, Ralph Fiennes e Steve Coogan. Ver atores desse calibre em situações tão ridículas é parte do que torna a experiência curiosa.

As filmagens aconteceram em locações bem icônicas na Inglaterra, como o Hampton Court Palace e os estúdios Shepperton. Isso dá ao filme um visual bonito, que contrasta bem com a palhaçada dos protagonistas. A trilha sonora ficou por conta de Mark Mothersbaugh, que sabe muito bem como ditar o ritmo de comédias, trazendo aquele ar vitoriano, mas sempre com uma piscadinha para o espectador.

A recepção do público e a nota no IMDb

Sendo bem direto com você, o filme não foi exatamente um queridinho da crítica. No IMDb, a nota atual gira em torno de 3,9, o que mostra que ele dividiu muita gente. Muita gente achou o humor um pouco datado ou exagerado demais, enquanto outros defendem que é apenas uma comédia para desligar o cérebro e dar risada do absurdo.

Nas premiações, o filme acabou se destacando de um jeito que os produtores provavelmente não queriam. Ele "venceu" em várias categorias do Framboesa de Ouro (o Razzie Awards), incluindo Pior Filme, Pior Diretor e Pior Ator Coadjuvante para o John C. Reilly. É aquele tipo de filme que entra para a história por ser polêmico.

Curiosidades que cercam a produção

Existem alguns fatos de bastidores que são tão interessantes quanto o filme em si. Por exemplo, circulou na época que a Sony tentou vender os direitos de exibição para a Netflix antes mesmo da estreia nos cinemas, porque os testes com o público não foram muito positivos. A Netflix acabou recusando na época.

Outro ponto legal é a química entre Ferrell e Reilly. Essa foi a terceira colaboração deles em grandes comédias e eles improvisaram muita coisa no set. Se você prestar atenção, vai notar que muitas reações parecem genuínas, como se eles estivessem tentando não rir das próprias piadas.

No fim das contas, Holmes & Watson é um filme para quem não leva a vida tão a sério e quer ver uma versão "pastelão" de um clássico da literatura. Não espere grandes deduções lógicas, mas sim uma boa dose de situações embaraçosas.