X-Men

 

Se você viveu a virada do milênio, sabe que o cenário para heróis no cinema era um deserto total. Foi aí que X-Men, lançado em 2000, mudou o jogo e provou que dava para levar esse assunto a sério. Eu me lembro bem do impacto de ver aqueles uniformes de couro preto substituindo o colante colorido; era o sinal de que a Marvel estava finalmente pronta para o mundo real.

O filme, cujo título original é apenas X-Men, ostenta uma nota de 7.3 no IMDb, o que é um respeito enorme para uma obra que abriu as portas para tudo o que veio depois.

Quem foi o responsável por dar vida aos mutantes?

O cara por trás da câmera foi o diretor Bryan Singer. Ele trouxe uma pegada muito mais focada no drama e no preconceito social do que simplesmente em pancadaria desenfreada. A escolha de Singer foi estratégica: ele queria tratar os mutantes como uma minoria perseguida, o que deu uma profundidade animal para o roteiro.

Boa parte do clima gélido e urbano que a gente vê na tela vem das locações. O filme foi rodado em grande parte em Toronto e Hamilton, no Canadá. A clássica Mansão X, por exemplo, é a Parkwood Estate em Oshawa. Esse ambiente mais sóbrio ajudou a afastar aquela imagem de "filme de criança" que muita gente ainda tinha sobre quadrinhos na época.

Qual é o segredo por trás do elenco de peso?

Não dá para falar de X-Men sem exaltar o casting. Foi aqui que o mundo conheceu Hugh Jackman como Wolverine — e pensar que ele foi escalado de última hora porque o ator original se machucou. Além dele, tivemos o embate épico entre gigantes: Patrick Stewart (Professor X) e Ian McKellen (Magneto). A química entre esses dois é o coração do filme.

O time ainda contava com Halle Berry (Tempestade), James Marsden (Ciclope), Famke Janssen (Jean Grey) e Anna Paquin (Vampira). Foi uma reunião de talentos que poucas franquias conseguiram repetir com tanta naturalidade.

Você sabia dessas curiosidades dos bastidores?

Uma das coisas que eu mais curto saber é como as coisas quase foram diferentes. Olha só:

  • O Wolverine quase foi outro: Dougray Scott era o escolhido, mas como as filmagens de Missão Impossível 2 atrasaram, Hugh Jackman entrou no lugar e se tornou uma lenda por 17 anos.

  • Lentes de contato perigosas: A atriz Rebecca Romijn, que interpretou a Mística, só podia usar as lentes amarelas por um curto período de tempo, pois elas reduziam sua visão em 90%.

  • Uniforme polêmico: A decisão de usar couro preto foi uma piada interna no próprio filme, quando o Ciclope pergunta ao Wolverine se ele preferiria "elastano amarelo".

O filme ainda se sustenta como uma boa obra?

Sendo bem direto: sim, e muito. Minha crítica sobre o primeiro X-Men é que ele funciona como uma introdução perfeita. Ele não perde tempo com exposições chatas; ele te joga no meio do conflito entre a coexistência pacífica do Xavier e a resistência agressiva do Magneto.

O ritmo é fluido e a narrativa foca no que importa: os personagens. Embora os efeitos visuais de 2000 tenham envelhecido um pouco (o que é normal), a história sobre identidade e pertencimento continua atualíssima. É um filme obrigatório para qualquer cara que respeite a história do cinema de ação e queira entender de onde veio essa febre de super-heróis que domina as salas hoje em dia. Se você não revê faz tempo, vale muito o play no final de semana.



Wicked

 

Se você acompanhou o burburinho do cinema recentemente, sabe que o título original "Wicked" não é apenas mais um musical no calendário. Como alguém que prefere analisar os fatos e a execução técnica antes de se deixar levar pelo espetáculo, decidi dissecar o que faz desta adaptação de 2024 um marco para o gênero.

Fui ao cinema sem expectativas de fã, focado no que o diretor Jon M. Chu (o mesmo de Podres de Ricos) entregaria. O resultado é um filme tecnicamente impecável que expande o universo de Oz de uma forma que o palco nunca permitiu.

A estrutura e os nomes por trás do projeto

O filme, oficialmente lançado no Brasil em 21 de novembro de 2024, não tenta contar toda a história de uma vez. Esta é a "Parte 1", uma escolha estratégica para dar fôlego ao desenvolvimento das personagens.

No elenco, temos Cynthia Erivo como Elphaba e Ariana Grande como Glinda. Deixando o lado "pop" de lado, a entrega técnica de ambas é precisa. O elenco de apoio também não brinca em serviço, contando com veteranos como Michelle Yeoh (Madame Morrible) e Jeff Goldblum no papel do Mágico.

Até o momento, o filme sustenta uma sólida nota IMDb de 7.7/10, o que é um feito considerável para um musical de longa duração.

Produção, locações e a trilha sonora

Um ponto que me chamou a atenção foi o uso mínimo de telas verdes em momentos cruciais. As locações de filmagem concentraram-se principalmente no Reino Unido, nos Sky Studios Elstree, onde cenários massivos foram construídos.

  • Trilha Sonora: A música é assinada pelo veterano Stephen Schwartz, com a colaboração de John Powell na trilha incidental.

  • Destaque Técnico: As atrizes cantaram ao vivo no set, algo que traz uma textura diferente para a mixagem de som final, fugindo daquele aspecto artificial de estúdio.

Premiações e o impacto na indústria

Embora o filme seja recente, ele já garantiu seu espaço na temporada de prêmios de 2025. Com 10 indicações ao Oscar, incluindo categorias pesadas como Melhor Filme, ele levou as estatuetas de Melhor Figurino e Design de Produção. É um reconhecimento justo para o nível de detalhamento visual que vemos em tela.

Curiosidades que você (provavelmente) não sabia

Para quem gosta de detalhes de bastidores, aqui estão alguns fatos que mostram a escala da produção:

  1. Plantações Reais: Foram plantadas cerca de 9 milhões de tulipas reais para compor o cenário do vilarejo Munchkin.

  2. O Vestido de Bolha: O figurino icônico da Glinda levou mais de 200 horas para ser confeccionado.

  3. Referência ao Clássico: A fonte usada no título do filme é uma homenagem direta à tipografia de O Mágico de Oz de 1939.

Vale a pena conferir?

Olhando friamente, "Wicked" (2024) cumpre o que promete. É um filme de fantasia robusto, com uma narrativa fluida que não depende apenas da nostalgia para funcionar. Se você busca uma execução técnica de alto nível e uma história que explora as nuances entre o "bem" e o "mal" sem cair no óbvio, é uma escolha segura.

A história termina em um ponto de virada clássico, preparando o terreno para a conclusão que chegou aos cinemas em 2025.