Caligula (Caligola)

 

Sabe aquele tipo de filme que você assiste e fica um bom tempo processando o que acabou de ver? Pois é, Caligula (ou Caligola, no título original em italiano) é exatamente esse tipo de obra. Lançado em 1979, o filme é um dos projetos mais ambiciosos, caóticos e controversos da história do cinema. Ele tenta retratar a ascensão e a queda do imperador romano mais infame de todos, mas faz isso de um jeito que desafia qualquer classificação de gênero.

Eu encaro esse filme como uma experiência sensorial bruta. Não é apenas uma lição de história — longe disso. É um mergulho no excesso, no poder absoluto e na loucura que vem quando ninguém tem coragem de dizer "não" para um homem. Com uma nota de 5.3 no IMDb, ele divide opiniões até hoje: alguns o veem como uma obra-prima da decadência, enquanto outros acham que é apenas um delírio visual caro demais.

Quem foi o diretor por trás dessa loucura toda?

O comando oficial ficou nas mãos de Tinto Brass, um diretor conhecido pelo seu estilo erótico e provocativo. Mas o bastidores de Calígula foram um verdadeiro campo de batalha. O produtor Bob Guccione, que era o dono da revista Penthouse, queria algo muito mais explícito do que Brass tinha em mente.

Dizem as más línguas que Guccione chegou a filmar cenas adicionais por conta própria e inseriu na montagem final sem o aval do diretor. O resultado foi uma briga judicial pesada e um filme que transita entre o drama histórico épico e o cinema erótico hardcore. Foi gravado inteiramente na Itália, nos lendários estúdios Dear Studios em Roma, o que garantiu aquela estética grandiosa que só o cinema italiano da época conseguia entregar.

Qual o peso do elenco que aceitou participar desse projeto?

Se você olhar apenas para os nomes no cartaz, vai achar que se trata de uma produção da elite de Hollywood. E, tecnicamente, era. Temos o monstro sagrado Malcolm McDowell no papel principal, entregando um Calígula maníaco, vulnerável e assustador ao mesmo tempo.

Ao lado dele, figurões como Helen Mirren, Peter O’Toole e John Gielgud completam o time. Ver atores desse calibre envolvidos em cenas de tamanha depravação e violência é, no mínimo, impactante. É um contraste bizarro: diálogos escritos pelo renomado Gore Vidal sendo declamados em meio a cenários que exalam luxúria e sangue.

Quais são as maiores curiosidades sobre os bastidores?

O que não falta aqui é história de bastidor que parece ficção. Por exemplo, você sabia que Calígula foi o primeiro filme com atores do "A-list" de Hollywood a mostrar conteúdo sexual explícito sem cortes? Isso fez com que ele fosse banido em diversos países e enfrentasse censuras pesadíssimas por décadas.

Outro ponto curioso é o figurino e a direção de arte. Apesar da confusão na direção, o filme é visualmente deslumbrante. As roupas e os cenários foram criados pelo mestre Danilo Donati, que já tinha Oscar na estante. O cara conseguiu transformar o set em uma Roma Antiga que parece um pesadelo febril, onde a beleza e a podridão caminham de mãos dadas.

Vale a pena assistir Caligula hoje em dia?

Sendo bem direto com você: depende do seu estômago e do que você espera de um filme. Se você busca precisão histórica, passe longe. Agora, se você quer entender como o cinema pode ser usado para chocar e testar os limites do espectador, ele é obrigatório.

Minha crítica é que o filme se perde um pouco na própria megalomania. Ele é longo, visualmente carregado e, às vezes, parece que quer chocar apenas por chocar. Mas não dá para negar que ele tem uma energia única. É uma obra que fala sobre como o poder total corrompe a alma humana, transformando um jovem imperador em um monstro isolado em seu próprio palácio. É incômodo, é sujo, mas é um marco que nenhum fã de cinema underground ou histórico pode ignorar. Se for assistir, vá preparado: é uma viagem sem volta para o lado mais sombrio de Roma.



Pusher III - O Anjo da Morte (Pusher III)

 

Fui Ver Pusher III: O Anjo da Morte – E a Noite Não Foi Fácil

Fala, pessoal. Quem me conhece sabe que não sou de perder tempo com bobagem, mas quando o assunto é cinema que presta, eu dou um jeito. Recentemente, revisitei um clássico moderno do cinema nórdico de máfia: Pusher III: I'm the Angel of Death. O título já diz muito, mas a experiência é outra história.

Se você está na busca por um filme de máfia sem o glamour de Hollywood, mas com a sujeira e a tensão real do dia a dia, esse aqui é o seu número. E, de quebra, já dou a letra para você encontrar e entender melhor essa pedrada.

O Veterano Milo Enfrenta Seus Demônios

O que pega nesse filme é a inversão de quem está no centro. Nos dois primeiros Pusher, a gente acompanha caras que se afundam na vida do crime. Aqui, a câmera vira para um personagem que já conhecíamos de relance: Milo, o chefão sérvio.

Milo (interpretado pelo monstro Zlatko Burić) não é mais o vilão de fundo. Ele é o protagonista, e a vida dele está um inferno – literalmente. O filme é centrado em um único dia.

Diretor por trás de tudo isso é Nicolas Winding Refn, o mesmo cara que mais tarde faria Drive. Mas esquece o neon e a trilha synth-pop; aqui, o Refn é cru, rápido e brutal. O filme tem Título Original Pusher III: I'm the Angel of Death e chegou nas telas na Data de Lançamento de 30 de agosto de 2005 na Dinamarca.

Por Dentro do Caos de Copenhague: Locações e Elenco

O filme não te leva para paisagens de cartão-postal. As Locações de Filmagem são o lado B de Copenhague, Dinamarca: cozinhas de restaurantes, apartamentos apertados e armazéns frios. É um cenário perfeito que exala autenticidade e claustrofobia. Você sente o cheiro da comida e do suor.

Elenco é pequeno, mas a atuação de Burić como Milo é de cair o queixo. Ele não precisou de Premiações gigantes para provar o valor. O cara consegue misturar o chefe de máfia frio com um pai de família (tentando, pelo menos) e um viciado em recuperação que mal consegue parar em pé. Além de Zlatko Burić, o filme conta com Marinela Dekic e Slavko Labović (que repete o papel de Radovan).

Curiosidade: Zlatko Burić, que interpreta Milo, é de fato croata, e a forma como ele fala e se move deu uma credibilidade que poucas produções de máfia conseguem. Ele não está atuando como um chefão do leste europeu; ele é o chefão.

O Som e a Recepção do Submundo

Trilha Sonora aqui não é para embalar festas. É atmosférica. O som acompanha a tensão e o desespero de Milo. Não espere músicas populares; espere ruídos da cidade, silêncios incômodos e o som de facas batendo na tábua de corte (e não é só para cozinhar). É o tipo de som que te deixa esperando a próxima explosão.

No campo da crítica, o filme não teve a mesma fama do primeiro, mas é frequentemente considerado o melhor da trilogia por muitos críticos pela profundidade dramática. Ele mantém uma Nota IMDb sólida, pairando por volta de 7.2/10, o que, para um filme independente e brutal como esse, é um atestado de qualidade.

Conclusão: Por Que Ver Pusher III

Pra fechar, se você quer ver o lado sem glamour da vida de um criminoso, onde a maior luta não é contra a polícia, mas contra a própria cabeça e a tentação, Pusher III é obrigatório.

  • Busca: Se você procurar por "Filme de Máfia Sem Glamour", "Melhores Filmes Nicolas Winding Refn" ou "Trilogia Pusher", esse filme sempre aparece no topo.

  • Intenção: A narrativa de redenção/recaída de Milo é um ímã para quem busca drama de personagem forte.

O filme é uma jornada de um dia em que Milo tenta fazer três coisas: manter a sobriedade, organizar o aniversário da filha e se livrar de um corpo. Nada disso dá certo de um jeito simples.

O veredito é: é um soco no estômago, mas dos bons. Vale cada minuto.