"A Cor do Dinheiro" (The Color of Money): O Retorno de um Mestre das Mesas
Eu sempre fui um cara que respeitou a história, especialmente quando ela volta para mostrar quem manda. E é exatamente isso que sinto quando penso em "A Cor do Dinheiro" (The Color of Money), o filme que trouxe de volta às telas um dos personagens mais cool do cinema: "Fast Eddie" Felson.
Essa não é só uma história sobre bilhar; é sobre a frieza de um mentor que vê seu passado no talento bruto de um novato. É sobre a ambição e a malandragem que rolam debaixo do pano verde das mesas de sinuca.
O Dream Team Por Trás das Câmeras e em Frente a Elas
Para começar, se você busca um filme de qualidade, comece pelo nome do diretor. Quem assinou a obra foi o mestre Martin Scorsese. Só por isso, já dava para saber que o nível seria alto.
O filme é, na verdade, uma sequência do clássico Desafio à Corrupção (1961) e chegou aos cinemas em 17 de outubro de 1986, mais de 25 anos depois do original. A dupla central é um show à parte:
Paul Newman (o próprio Fast Eddie Felson)
Tom Cruise (como o jovem e talentoso Vincent Lauria)
A química entre o velho lobo e o garoto elétrico é o motor do filme. Newman, inclusive, levou o Oscar de Melhor Ator por essa performance, um reconhecimento que demorou, mas veio.
Locações de Filmagens e a Vibe da Trilha Sonora
Um dos pontos que me prende em um filme de bilhar é a atmosfera. A fumaça, as luzes de neon e o som seco das bolas se chocando. O filme capta isso de forma perfeita, usando como pano de fundo a cidade de Chicago e outros pontos em Illinois e Atlantic City. As filmagens em locações reais, como a sala de bilhar Fitzpatrick's em Chicago, dão aquela autenticidade de "cheiro de boteco" que a gente gosta.
E por falar em atmosfera, a trilha sonora é um capítulo à parte. Ela não é feita só de músicas clássicas de jazz ou blues. O filme de 86 tinha que ter a pegada da década, e a trilha é embalada por nomes como Eric Clapton, Robert Palmer e Don Henley. É uma mistura que equilibra o feeling clássico do bilhar com a energia do rock dos anos 80.
Desempenho e Curiosidades do Filme
No final das contas, o que importa é se o filme entrega o prometido, e "A Cor do Dinheiro" entregou. Para quem gosta de números, o filme sustenta uma nota sólida de 7.0/10 no IMDb. Não é a nota máxima, mas indica que a obra tem qualidade reconhecida e agrada a maioria.
Como curiosidade, vale notar que, mesmo sendo uma sequência, o filme de Scorsese se distancia um pouco do tom existencialista do original, focando muito mais na técnica, na estratégia de ganhar dinheiro e no jogo psicológico entre os personagens.
Outro detalhe é que Tom Cruise, para parecer convincente como um jogador profissional, foi treinado pelo lendário Mike Sigel, um dos maiores nomes do bilhar mundial, conhecido como Captain Hook. O treinamento deu resultado, e as cenas de jogo parecem muito reais.
Por Que Assistir a "A Cor do Dinheiro"?
Se você, assim como eu, valoriza a mestria, a estratégia e o desenvolvimento de um jogo de poder, este filme é obrigatório. "A Cor do Dinheiro" é a história de um homem que se vê de volta ao jogo por meio de um jovem promissor.
É o mestre ensinando o pupilo a ser um vigarista profissional.
É o contraste entre a experiência de Paul Newman e a agressividade de Tom Cruise.
Sem dar spoiler do que acontece no final, o que posso dizer é que a jornada do filme leva a um clímax inevitável entre mestre e aprendiz. É um acerto de contas que prova que na mesa de sinuca, a única coisa que realmente importa é ter a cabeça fria, a mão firme, e entender que, no fim, é a cor do dinheiro que move o jogo.
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