Cabaret

 

Sempre que eu penso em cinema que realmente desafia o espectador, Cabaret é um dos primeiros nomes que surgem na cabeça. Não se deixe enganar pelo fato de ser um musical; esse filme é tão denso e visceral quanto qualquer drama de guerra ou suspense político que você já viu. Ele nos transporta para a Berlim de 1931, um lugar onde a liberdade artística e a decadência moral tentavam ignorar o crescimento sombrio do nazismo logo ali na esquina.

Eu me lembro da primeira vez que assisti: a sensação de desconforto misturada com o fascínio pelas luzes do Kit Kat Club é algo que o diretor Bob Fosse faz como ninguém. É uma obra que mostra como o entretenimento pode ser usado tanto para mascarar a realidade quanto para esfregá-la na nossa cara.

O que torna a ficha técnica de Cabaret tão icônica?

Lançado originalmente em 1972, o filme carrega o título original de Cabaret e é uma das obras mais premiadas da história do Oscar. No IMDb, ele sustenta uma respeitável nota de 8.0, o que é um feito enorme para um musical de mais de 50 anos.

A direção magistral de Bob Fosse transformou o gênero. Ele decidiu que as músicas só aconteceriam dentro do palco do clube, o que traz um realismo absurdo para a trama. No elenco, temos atuações que definiram carreiras:

  • Liza Minnelli como Sally Bowles (uma performance elétrica e trágica);

  • Joel Grey como o Mestre de Cerimônias (uma presença quase sobrenatural e irônica);

  • Michael York como Brian Roberts.

A produção teve como locação principal a própria Alemanha (Berlim e Munique), o que ajudou a capturar aquela atmosfera autêntica e pesada da República de Weimar.

Quais são as curiosidades mais fascinantes dos bastidores?

Uma coisa que muita gente não sabe é que Cabaret detém o recorde de filme que mais ganhou Oscars (8 no total) sem levar a estatueta de Melhor Filme — ele perdeu para ninguém menos que O Poderoso Chefão. É uma briga de gigantes, né?

Outro ponto curioso é a construção do Mestre de Cerimônias. Joel Grey criou um personagem que não tem nome, não tem passado e parece ser a própria personificação do caos que estava prestes a engolir o mundo. Além disso, a maquiagem da Liza Minnelli e o estilo de dança "torto" e sensual de Fosse influenciaram tudo o que veio depois no teatro e no cinema pop.

Qual é a minha crítica sobre o impacto da obra?

Sendo bem direto com você: Cabaret é um filme sobre omissão. O que me pega nessa narrativa é como os personagens estão tão focados em seus pequenos dramas pessoais e prazeres imediatos que não percebem o monstro do fascismo crescendo ao redor.

A edição é cortante e as coreografias são agressivas. Não é um musical "bonitinho" para relaxar no domingo; é uma obra que te deixa pensativo sobre como o mundo pode mudar rápido enquanto a gente está distraído com as luzes do palco. A atuação de Liza Minnelli é uma força da natureza, mas é o cinismo do Joel Grey que realmente fica martelando na cabeça depois que os créditos sobem.

Por que você deveria assistir Cabaret hoje em dia?

Se você curte entender a história através da arte, esse filme é obrigatório. Ele não te entrega as respostas de bandeja e foge dos clichês de romances açucarados. É cinema de gente grande, feito com uma coragem visual que raramente vemos hoje em dia.

Assistir a Cabaret é mergulhar em uma Berlim que estava no limite entre a festa e a destruição total. É um lembrete potente de que, às vezes, a vida é um cabaré, mas o que acontece do lado de fora da cortina é o que realmente define quem somos.



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