Sabe aqueles dias em que você liga a TV e tudo parece uma reprise sem graça? Se você está procurando algo que realmente quebre esse ciclo e te entregue entretenimento puro, do tipo que não se faz mais hoje em dia, precisa conhecer um clássico que definiu o conceito de comédia épica. Eu sou fã de carteira assinada de filmes que não têm medo de ser grandiosos, e "Deu a Louca no Mundo" (1963) é o rei absoluto nesse quesito.
Imagine reunir praticamente todos os maiores comediantes de uma geração em um único filme, dar a eles uma premissa simples — uma corrida maluca por uma fortuna enterrada — e deixar o caos rolar solto por mais de três horas. É exatamente isso que acontece aqui. Lançado em uma época em que o cinema ainda apostava em grandes espetáculos para toda a família, este filme é uma cápsula do tempo de pura diversão, correria e, claro, muita loucura. Se você nunca viu, prepare a pipoca e o sofá, porque a jornada é longa, mas vale cada minuto.
Qual é a história por trás da corrida mais louca do cinema?
Tudo começa em uma estrada desértica na Califórnia. Um motorista imprudente (o lendário Jimmy Durante, em uma participação relâmpago mas inesquecível) sofre um acidente espetacular. Antes de "esticar as canelas" (literalmente, em uma cena clássica), ele revela a um grupo de estranhos que parou para socorrê-lo que enterrou uma fortuna de US$ 350.000 roubados sob um misterioso "W Grande" no Parque Estadual de Santa Rosita.
A partir desse momento, a ganância fala mais alto. O que começa como uma conversa civilizada entre os motoristas logo se transforma em uma competição feroz. Sem regras e sem limites, cada um usa o meio de transporte que consegue — carros, caminhões, aviões biplanos e até bicicletas — para tentar chegar primeiro ao tesouro. É o caos automotivo e aéreo no seu melhor, tudo capturado com a grandiosidade que só o cinema daquela época conseguia entregar.
Quem faz parte desse elenco de lendas da comédia?
O que torna "Deu a Louca no Mundo" realmente único é o seu elenco. O diretor Stanley Kramer, mais conhecido por dramas sérios como "O Julgamento de Nuremberg", decidiu fazer "algo mais leve" e convidou praticamente todos os grandes nomes da comédia de Hollywood da época. É um verdadeiro "Quem é Quem" do humor dourado.
Temos o gigante Spencer Tracy como o Capitão Culpeper, o policial cínico que monitora a corrida e tem seus próprios planos. Ao lado dele, uma constelação de gênios do slapstick e do vaudeville:
Milton Berle
Sid Caesar
Mickey Rooney
Buddy Hackett
Ethel Merman (como a sogra mais insuportável da história)
Jonathan Winters (que quebra um posto de gasolina inteiro sozinho!)
Phil Silvers
Terry-Thomas (o britânico essencial)
E as participações especiais? Piscou, perdeu. O filme tem cameos de Buster Keaton, Jerry Lewis, Os Três Patetas, Jack Benny e muitos outros. É como se Hollywood inteira tivesse decidido tirar férias no mesmo set de filmagem.
Quais curiosidades fazem deste filme um espetáculo à parte?
A produção de um filme dessa magnitude é cheia de histórias. O título original reflete essa grandiosidade: It's a Mad, Mad, Mad, Mad World. Stanley Kramer não poupou despesas. Ele filmou em Ultra Panavision 70, um formato de tela extra larga que capturava as paisagens do deserto e as perseguições com uma nitidez absurda. O orçamento foi de quase US$ 9,5 milhões, uma fortuna em 1963, mas o retorno foi estrondoso: arrecadou mais de US$ 60 milhões só nos EUA.
Uma das curiosidades mais legais é que a estrada do túnel que aparece aos 1h21m do filme é a mesma usada em "Encurralado" (1971), o primeiro filme de Steven Spielberg. Outro ponto impressionante é que, apesar de ser uma comédia, o filme ganhou um Oscar de Melhor Som e foi indicado em outras cinco categorias, incluindo Fotografia e Montagem, o que prova que a loucura técnica era levada muito a sério. E se você acha as comédias de hoje longas, a versão original envisionada por Kramer tinha pouco mais de três horas, um verdadeiro teste de resistência para a bexiga, mas que, na minha opinião, não cansa um minuto sequer.
Qual é a minha crítica honesta sobre "Deu a Louca no Mundo"?
Eu sei o que você está pensando: "Um filme de comédia de 1963 com três horas de duração? Deve ser datado e cansativo." E, sendo bem sincero com você, em alguns momentos ele é datado. O ritmo do humor mudou muito e algumas piadas podem parecer inocentes demais hoje. Mas é aí que está a beleza da coisa. Este não é um filme para você "rolar de rir" o tempo todo com sacadas rápidas. É um espetáculo de slapstick, de destruição física e de caos organizado.
O olhar aqui é o da apreciação da técnica e da resiliência. É fascinante ver como eles realizavam aquelas perseguições e peripécias aéreas sem CGI, tudo com efeitos práticos e muita coragem dos dublês. É um cinema de engenharia. E, no fim das contas, a mensagem sobre como a ganância transforma pessoas normais em lunáticos é atemporal. É uma comédia ingênua, mas que te deixa com um sorriso de canto de boca o tempo todo. Se você quer ver uma obra-prima da comédia física e uma aula de como reunir talentos, "Deu a Louca no Mundo" é um clássico que merece todo o seu respeito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe um comentário sobre o filme e compartilhe com seus amigos.