Eiffel

 

Sempre que vejo uma foto de Paris, a primeira coisa que vem à cabeça é a estrutura de ferro que domina a cidade. Mas, curiosamente, eu nunca tinha parado para pensar no que foi necessário para erguer aquilo — e não estou falando só de engenharia. Recentemente, assisti ao filme Eiffel (título original: Eiffel), e o longa entrega justamente essa perspectiva humana por trás do monumento.

Se você gosta de histórias sobre grandes feitos misturadas com dramas pessoais pesados, esse filme é um prato cheio. Vou te contar o que achei e o que você precisa saber antes de dar o play, sem estragar a experiência com spoilers.

O desafio de construir um ícone em 1889

Lançado em 2021, o filme foca em um período específico da vida de Gustave Eiffel, interpretado pelo Romain Duris. O cara já era um engenheiro de sucesso (tinha acabado de colaborar na Estátua da Liberdade), mas o governo francês queria algo monumental para a Exposição Universal de 1889.

O que eu achei interessante na narrativa é como o diretor, Martin Bourboulon, mostra que a torre não nasceu de um desejo puramente patriótico ou técnico. Existe uma motivação muito mais pessoal e, por que não dizer, teimosa. Gustave não queria construir a torre; ele queria fazer o metrô. Algo mudou a cabeça dele, e o filme explora essa virada de chave de um jeito bem direto, sem muita firula sentimentalista, focando na obsessão do trabalho.

Um elenco que segura a bronca

Para dividir a tela com o Duris, escalaram a Emma Mackey (da série Sex Education), que interpreta Adrienne Bourgès. A dinâmica entre os dois é o motor silencioso da trama. Enquanto Gustave lida com a pressão política e as críticas ferrenhas da elite parisiense da época — que achava a torre um horror —, a presença de Adrienne traz à tona o passado do engenheiro.

O elenco ainda conta com Pierre Deladonchamps e Armande Boulanger, mas o filme é, essencialmente, o embate entre o metal rígido da construção e a fluidez das memórias do protagonista. É um filme de época, sim, mas com um ritmo que não te deixa entediado.

Técnica, trilha sonora e locações reais

Uma coisa que me chamou a atenção foi a qualidade técnica. O filme não parece "cenário de papelão". Grande parte das locações de filmagem aconteceu na França, incluindo os estúdios Backlot em Paris e áreas de transição que mimetizam a cidade no século XIX.

A trilha sonora fica por conta do Alexandre Desplat. Se você não reconhece o nome, saiba que ele é um dos maiores nomes da atualidade (vencedor do Oscar por A Forma da Água). A música dele aqui é pontual; ela não tenta te obrigar a sentir algo, ela apenas acompanha a grandiosidade da obra de engenharia que vai subindo tela adentro.

O que as notas e os bastidores dizem

Se você é do tipo que olha os números antes de assistir, o filme mantém uma nota respeitável de 6.2 no IMDb. Não é uma obra-prima unânime, mas é um drama biográfico muito sólido. No que diz respeito a premiações, o filme teve destaque no César Awards (o Oscar francês), recebendo indicações em categorias técnicas como Melhor Figurino, Melhor Design de Produção e Melhores Efeitos Visuais — o que faz todo sentido, já que ver a torre sendo montada peça por peça é visualmente impressionante.

Para fechar o papo, separei algumas curiosidades que tornam a experiência mais rica:

  • O custo: Foi uma das produções francesas mais caras de 2021, com um orçamento que ultrapassou os 23 milhões de euros.

  • A teoria do "A": Existe uma lenda (que o filme explora visualmente) de que o formato da torre seria uma homenagem a um nome que começa com a letra A.

  • Engenharia real: Muitas das técnicas de rebitagem e fundação mostradas no filme são baseadas nos registros reais do próprio Gustave Eiffel.

Se você está procurando um filme que mistura história, uma pitada de drama e uma aula visual de como o ferro mudou o mundo, Eiffel vale o seu tempo. É um relato sobre como a visão de um homem pode ser moldada por aquilo que ele não consegue controlar.

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