Olha, se você curte um suspense que realmente te prende e não te solta até o último segundo, precisa parar um pouco para falar de Os Suspeitos (Prisoners). Eu assisti a esse filme esperando apenas mais um drama policial, mas o que encontrei foi algo muito mais pesado e bem construído. É o tipo de história que te faz questionar o que você faria no lugar daqueles pais.
Vou te contar por que esse filme, lançado em 2013, ainda é uma referência absoluta no gênero, sem te entregar nenhum detalhe que estrague a experiência.
O que faz de Os Suspeitos um filme fora da curva
A premissa parece simples: duas crianças desaparecem em um subúrbio americano durante o Dia de Ação de Graças. Mas o diretor Denis Villeneuve — que depois fez Duna e Blade Runner 2049 — transforma isso em um labirinto psicológico. O título original é Prisoners, e ele faz jus ao nome: todos ali são prisioneiros de alguma forma, seja do medo, da culpa ou da própria obsessão.
O clima é cinzento, chuvoso e frio. A fotografia do mestre Roger Deakins (que foi indicada ao Oscar) ajuda a passar essa sensação de que não há saída. Não é um filme "bonitinho" de se ver; é um filme que te deixa desconfortável, mas de um jeito que você não consegue desviar o olho da tela.
Um elenco que entrega tudo em cena
Para o negócio funcionar, o peso da atuação tinha que ser absurdo, e foi. Hugh Jackman entrega, para mim, uma das melhores performances da carreira dele. Ele interpreta Keller Dover, um pai desesperado que decide resolver as coisas do seu jeito quando acha que a polícia está demorando demais. É um papel bruto, seco e muito intenso.
Do outro lado, temos o Jake Gyllenhaal como o Detetive Loki. O cara é metódico, tem uns tiques nervosos que dão uma camada extra ao personagem e tenta manter a ordem em meio ao caos. Além deles, o elenco ainda tem nomes como Viola Davis, Terrence Howard, Maria Bello e o sempre bizarro (no bom sentido) Paul Dano. É uma aula de atuação coletiva.
Bastidores, trilha sonora e curiosidades
Se você liga para números e técnica, o filme também não decepciona. No IMDb, ele sustenta uma nota sólida de 8.2, o que o coloca entre os melhores suspenses das últimas décadas.
Trilha Sonora: A música é do islandês Jóhann Jóhannsson. Ela é minimalista e tensa, funcionando mais como um batimento cardíaco constante do que como uma melodia comum.
Locações: Foi filmado principalmente na Geórgia, EUA, em lugares como Conyers e Stanton. Esse cenário de subúrbio isolado ajuda muito na sensação de isolamento.
Curiosidade: O roteiro de Aaron Guzikowski circulou por anos em Hollywood e quase foi filmado com outros diretores e atores (chegaram a cogitar Mark Wahlberg e Christian Bale) antes de cair nas mãos certas de Villeneuve.
Premiações: Além da indicação ao Oscar de Melhor Fotografia, o filme figurou em diversas listas de melhores do ano de associações de críticos pelo mundo.
Vale a pena investir seu tempo?
Se você quer um filme que respeite a sua inteligência e não entregue respostas fáceis, a resposta é sim. O roteiro é muito bem amarrado. Ele te dá pistas, te faz suspeitar de todo mundo e, no fim, entrega um desfecho que faz todo sentido dentro daquela atmosfera sombria.
É um filme sobre limites morais. Até onde um homem comum vai para proteger a família? Não espere por heróis perfeitos aqui. Os personagens são falhos, reais e, por isso mesmo, assustadores. Se você ainda não viu, prepara o psicológico e dá o play.
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