Vestida Para Matar

 

Se você curte um bom suspense psicológico, daqueles que te deixam desconfortável na poltrona, precisa falar de Vestida para Matar. Assisti ao filme recentemente e, olha, o Brian De Palma não estava para brincadeira quando decidiu prestar essa homenagem (ou seria um desafio?) ao Hitchcock.

O filme, cujo título original é Dressed to Kill, foi lançado em 1980 e continua sendo um estudo de caso sobre como prender o espectador pelo pescoço usando apenas o visual e uma trilha sonora hipnotizante.

O mestre do suspense em sua melhor forma

Para entender esse filme, o primeiro passo é olhar para quem está atrás da câmera. Brian De Palma é o diretor aqui, e ele usa cada truque do manual: telas divididas, planos sequência longos e aquela câmera lenta que faz você querer gritar para o personagem andar mais rápido.

A história começa com uma dona de casa frustrada em Nova York, interpretada pela Angie Dickinson, que acaba se envolvendo em uma trama de assassinato após um encontro casual. O elenco ainda conta com Michael Caine, vivendo o psiquiatra Dr. Robert Elliott, e uma jovem Nancy Allen, que interpreta a prostituta que testemunha o crime e vira o alvo principal. É um jogo de gato e rato muito bem montado.

Números, notas e o som do perigo

Se você é do tipo que olha as estatísticas antes de dar o play, o filme sustenta uma nota 7.1 no IMDb. Não é uma nota estratosférica, mas para um filme de gênero que dividiu tanto a crítica na época, é um sinal de respeito.

Sobre a parte técnica, dois pontos são imbatíveis:

  • Trilha Sonora: Composta por Pino Donaggio. A música é praticamente um personagem. Ela transita entre o erótico e o aterrorizante sem pedir licença.

  • Premiações: Nancy Allen chegou a ser indicada ao Globo de Ouro como Nova Estrela do Ano, embora o filme também tenha recebido algumas indicações ao Framboesa de Ouro na época — o que só prova como ele foi polêmico no lançamento.

Nova York como cenário de um pesadelo

As locações de filmagem são fundamentais para a atmosfera. Quase tudo se passa em uma Nova York cinzenta e perigosa do final dos anos 70. A cena do museu, que é uma das mais famosas do cinema, foi rodada no Philadelphia Museum of Art, mas na trama, estamos no Metropolitan Museum of Art (o MET).

Essa escolha de cenários amplos e impessoais reforça a sensação de isolamento dos personagens. Você sente que, mesmo no meio de uma multidão, ninguém está realmente seguro.

Curiosidades que cercam a obra

Existem alguns bastidores interessantes que valem a pena saber:

  1. Censura: O filme sofreu cortes pesados para não receber uma classificação "X" (proibido para menores) nos EUA devido às cenas de violência e nudez.

  2. Dublê de corpo: Na famosa cena do chuveiro logo no início, a modelo Victoria Lynn Johnson foi usada como dublê para a Angie Dickinson.

  3. Hitchcock: De Palma nunca escondeu que este filme é uma releitura espiritual de Psicose. As referências estão em todo lugar, desde a estrutura da narrativa até o uso da trilha.

Vestida para Matar não é um filme "bonitinho" ou fácil. Ele é bruto, direto e visualmente impecável. Se você gosta de cinema que prioriza a imagem e o ritmo em vez de diálogos explicativos, é uma pedida obrigatória.



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