As Minas do Rei Salomão (King Solomon's Mines)

 

Se existe um clássico que todo mundo já ouviu falar, mas que gera uma baita discussão entre os fãs de aventura, esse filme é As Minas do Rei Salomão. Eu lembro que, quando decidi rever essa obra, fui com o espírito pronto para aquela nostalgia de exploração, chapéus de aba larga e tesouros perdidos. Mas a pergunta que não quer calar — e que muita gente faz logo de cara — é se ele não passa de uma "cópia" de Indiana Jones.

Lançado em 1985, com o título original King Solomon's Mines, o filme nos apresenta Allan Quatermain, um caçador de tesouros que aceita ajudar uma mulher a encontrar seu pai desaparecido nas profundezas da África. É o tipo de história que a gente conhece bem: selvas perigosas, tribos misteriosas e, claro, a promessa de uma riqueza inimaginável. Mas será que ele consegue ter identidade própria?


Qual é o contexto dessa aventura nos anos 80?

Para entender o filme, a gente precisa olhar para o cenário da época. Em 1985, o mundo estava fissurado por heróis de ação que resolviam tudo no soco e na astúcia. A direção ficou nas mãos de J. Lee Thompson, que tentou imprimir um ritmo de "corrida contra o tempo". No elenco, temos o carismático Richard Chamberlain como Quatermain e uma jovem Sharon Stone, que traz o contraponto necessário à trama.

Embora a história seja baseada no livro de H. Rider Haggard (publicado originalmente lá em 1885, muito antes do cinema existir), a versão cinematográfica de 85 abraçou o estilo "trash" consciente. As filmagens rolaram no Zimbábue, o que deu ao filme cenários naturais incríveis, mas a produção foi marcada por um tom muito mais cômico e exagerado do que o material original sugeria.

Por que comparam tanto com Indiana Jones?

Aqui é onde o bicho pega. Se formos sinceros, é impossível não notar as semelhanças visuais. O figurino do Quatermain, as armadilhas nas cavernas e até o ritmo das perseguições parecem ter sido "emprestados" da fórmula de George Lucas e Steven Spielberg. Na época, a produtora Cannon Group era famosa por tentar capitalizar em cima dos sucessos de bilheteria com orçamentos menores.

Então, respondendo à dúvida: sim, o filme foi uma tentativa clara de nadar na onda de Indiana Jones. Ele não tenta esconder isso. No entanto, em vez de ser um suspense arqueológico sério, ele descamba para uma aventura quase cartunesca. Ele não tem o polimento de Os Caçadores da Arca Perdida, mas tem um charme de "Sessão da Tarde" que é difícil de ignorar se você desativar o senso crítico por alguns minutos.

Qual é a nota no IMDB e o que ela diz?

Atualmente, o filme tem uma nota de 5.4 no IMDB. Para quem busca uma obra-prima do cinema, essa pontuação pode parecer baixa, mas para quem entende a proposta de um filme de entretenimento puro e sem vergonha de ser brega, ela faz todo sentido.

A crítica da época não pegou leve, justamente pelas comparações inevitáveis e pelos efeitos especiais que, mesmo para 1985, às vezes deixavam a desejar. Mas o público que gosta de uma aventura descompromissada acabou transformando o filme em um clássico cult. É o tipo de produção que a gente assiste sabendo que é "galhofa", mas se diverte com o absurdo das situações.

Existem curiosidades de bastidores que valem a pena saber?

Uma das coisas mais engraçadas é que a Sharon Stone, anos depois, comentou sobre as dificuldades das filmagens na África e como o clima era caótico. Outro detalhe curioso é que o personagem Allan Quatermain é, tecnicamente, o "pai" de todos esses exploradores modernos. Sem o livro original de 1885, talvez nem o Indiana Jones existisse como o conhecemos hoje. É uma ironia do destino que a adaptação cinematográfica tenha acabado parecendo a cópia da sua própria "cria".

Minha crítica final: Se você encarar As Minas do Rei Salomão como um filme que se leva a sério, vai se decepcionar. Agora, se você olhar para ele como uma aventura exagerada, com vilões caricatos e um herói que parece estar sempre à beira do desastre, a diversão é garantida. Ele é datado, é meio maluco e nitidamente tentou pegar carona no sucesso do vizinho, mas ainda assim entrega uma jornada honesta para quem só quer relaxar e ver uma boa caça ao tesouro.





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