Happiness (Felicidade, 1998)
Eu sou daqueles que gosta de um filme que não tem medo de ser desconfortável. Sabe aquela comédia que te faz rir de nervoso? É mais ou menos por aí que a gente navega com Happiness, lançado em 16 de outubro de 1998 nos EUA.
O título original é só ele, direto: Happiness. Mas a ironia é o tempero principal aqui. Se você procura um "filme pipoca" para relaxar, talvez este não seja o caminho. A proposta do diretor e roteirista Todd Solondz é outra, e é exatamente isso que faz o filme ser memorável, ou, no mínimo, inesquecível.
O Elenco e a Trilha: Gente Como a Gente (Só Que Não)
O filme gira em torno de três irmãs e a galera que orbita a vida delas. O elenco é de peso e merece ser citado porque o trabalho da galera é, simplesmente, corajoso. Nomes como Philip Seymour Hoffman, Dylan Baker, Jane Adams, Lara Flynn Boyle e Ben Gazzara entregam atuações que, para mim, definem o tom do filme: a gente tá falando de gente falhando, em público e em particular.
A trilha sonora, que teve o trabalho de composição feito por Robbie Kondor, tem umas sacadas irônicas. Por exemplo, a música-tema, também chamada "Happiness", escrita por Eytan Mirsky, é usada de um jeito que a letra "alegre" contrasta totalmente com a miséria emocional dos personagens. É o tipo de coisa que te faz pensar: a música está debochando da situação, ou tentando nos convencer de que, no meio do caos, ainda existe algo parecido com felicidade? Pessoalmente, acho que é a primeira opção.
Reconhecimento e a Nota da Galera: O Filme Que Divide
Para um filme com temas tão pesados e que mexe com o que a sociedade costuma varrer para debaixo do tapete, Happiness conseguiu seu espaço.
A nota no IMDb fica ali na faixa de 7.7, o que é um número bem respeitável e mostra que a maioria que assiste reconhece o valor da obra, mesmo que ela não seja fácil de digerir.
Em termos de premiações, o filme foi bem recebido pela crítica especializada:
Ganhou o Prêmio FIPRESCI no Festival de Cannes de 1998.
O elenco levou o prêmio da National Board of Review por Melhor Desempenho em Conjunto.
Também levou o British Independent Film Award de Melhor Filme Estrangeiro.
O filme não foi feito para agradar a massa, e isso é um fato. Mas esses prêmios mostram que o cinema independente e autoral tem seu lugar e sua força.
Locações e Curiosidades de Bastidores
As filmagens rolaram nos Estados Unidos, com as locações concentradas em Nova Jersey. Solondz, que é de lá, usou o subúrbio de classe média como o cenário perfeito para expor a podridão que pode se esconder por trás de fachadas bonitas.
Uma curiosidade que prova o quão incômodo o filme é: o longa recebeu a classificação etária máxima nos EUA, o NC-17. Isso limitou a distribuição e a publicidade dele, o que, para um filme independente, é um baita obstáculo. Ou seja, ele causou polêmica antes mesmo de chegar na sala de cinema. E Solondz não cortou nada. Ele defendeu a integridade da obra e manteve tudo como estava. Isso mostra a visão inflexível e autêntica do diretor.
Minha Conclusão: Um Filme para Pensar e Não para Sentir
Happiness é um filme que te joga um monte de espelho na cara, refletindo o lado mais estranho e, honestamente, mais patético da busca humana por, bem, felicidade. A narrativa não é dramalhão; é seca, quase clínica. Você acompanha os personagens e as situações, mas a emoção que predomina não é a deles, é a sua, de desconforto e reflexão.
Se você está a fim de ver um filme que não tem medo de mergulhar nas neuroses e nas contradições da vida moderna, e que vai te deixar pensando no que diabos você acabou de assistir, dê uma chance a este. É um retrato ácido, engraçado (de um jeito mórbido) e, acima de tudo, corajoso do ser humano.
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