Sempre que penso no meu mercenário favorito do cinema, a imagem do cara
durão com um sorriso de canto de boca vem direto na minha cabeça. Mas você já
parou para pensar em como ele se tornou aquele contrabandista cínico que
conhecemos na trilogia clássica? É exatamente essa a pegada de Han Solo: Uma História Star Wars. Lançado em 2018, com o título original Solo: A Star Wars Story,
o filme chegou aos cinemas com a difícil missão de dar um rosto jovem a um dos
maiores ícones da cultura pop.
Para mim, revisitar essa obra é olhar para as engrenagens de um universo
expandido que tenta andar com as próprias pernas, longe dos Cavaleiros Jedi e
da Força. No agregador de críticas mais famoso do mundo, o longa sustenta uma nota IMDb de 7.1, o que mostra que, apesar das
turbulências nos bastidores, o resultado final entregou uma aventura espacial
muito honesta.
Qual é a história por trás desse
spin-off intergaláctico?
A trama nos leva para os anos de juventude do piloto. Nós saímos do
planeta industrial e miserável de Corellia para entender como aquele garoto
idealista acabou se envolvendo com o submundo do crime. O roteiro amarra pontos
cruciais da mitologia do personagem: a origem do seu sobrenome, o primeiro
encontro com o seu fiel copiloto Wookiee, Chewbacca (vivido por Joonas
Suotamo), e a clássica jogada de cartas para conquistar a lendária nave
Millennium Falcon.
Quem assumiu o comando dessa navegação foi o veterano diretor Ron Howard, que entrou de última hora para
salvar a produção após a demissão dos diretores originais. Ele trouxe uma
pegada clássica de filme de assalto e faroeste espacial que dita o ritmo da
narrativa. O elenco principal faz um trabalho competente em nos
situar nesse submundo poeirento. Alden Ehrenreich encara o desafio de viver o
jovem Han Solo, acompanhado por Woody Harrelson como o mentor malandro Tobias
Beckett, Emilia Clarke na pele da misteriosa Qi'ra e Donald Glover, que entrega
uma performance fantástica e cheia de estilo como o jovem Lando Calrissian.
Temos ainda Paul Bettany como o implacável vilão Dryden Vos e Thandiwe Newton
como Val.
Onde as filmagens ganharam vida no
mundo real?
Para criar os cenários de planetas remotos, a produção viajou por
locações impressionantes. A locação principal
que serviu de palco para o planeta desértico de Savareen foi a ilha de
Fuerteventura, nas Ilhas Canárias, na Espanha. Aquelas dunas imensas e o clima
isolado deram o tom perfeito para o esconderijo dos saqueadores.
Já as sequências de ação nas montanhas nevadas do planeta Vandor — onde
acontece o eletrizante assalto ao trem cargueiro — foram rodadas na região de
Tre Cime e Trentino, nos Alpes Italianos. A imponência daquelas rochas cobertas
de gelo trouxe um realismo brutal para as telas, mostrando que a equipe
preferiu cenários reais a abusar apenas do fundo verde dos estúdios Pinewood,
na Inglaterra, onde a maior parte dos interiores foi gravada.
Quais são as maiores curiosidades dos
bastidores?
Nenhuma produção de Star Wars passa sem boas histórias de bastidores, e
com essa não foi diferente. Separar o que aconteceu por trás das câmeras ajuda
a entender a energia do filme.
·
O primeiro da lista: Alden Ehrenreich
foi literalmente o primeiro ator a fazer o teste para o papel principal. Mesmo
lendo o roteiro com mais de 2.500 candidatos depois dele, a produção percebeu
que a primeira impressão era a que valia.
·
Conselhos do mestre: Antes de começarem
a rodar, Alden se encontrou secretamente com Harrison Ford para pedir a bênção
e algumas dicas de como agir como o personagem. Ford apenas disse: "Diga a
eles que eu te ensinei tudo o que você sabe, mas que você não pode contar nada
a ninguém".
·
Improviso de peso: A armadura e o
visual dos Cloud-Riders, a gangue de piratas espaciais liderada por Enfys Nest,
foram inspirados em elementos de culturas nômades reais, misturando conceitos
de faroeste com trajes tribais.
Vale a pena assistir a essa aventura
espacial?
Minha crítica sincera sobre a obra é que o filme sofreu muito mais com a
expectativa do público e a saturação da franquia na época do que com seus
próprios defeitos. Ele funciona muito bem como um filme de ação e assalto. A
dinâmica entre Han e Chewbacca transborda companheirismo masculino e lealdade,
mostrando o nascimento da maior amizade da galáxia de um jeito bem natural.
O longa não tenta ser revolucionário ou denso demais. Ele abraça a diversão descompromissada, as perseguições em alta velocidade e o clima de apostas em mesas de jogo enfumaçadas. Se você busca uma boa diversão de ficção científica com ótimas sequências de combate e uma trilha sonora empolgante, vale cada minuto no sofá.
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