Mortal Kombat

 

Se você cresceu nos anos 90 gastando suas fichas no fliperama ou destruindo os dedos no controle do videogame, sabe que poucas palavras geram tanta adrenalina quanto o grito clássico: "Fight!". Quando soube que Hollywood estava preparando um novo reboot live-action da franquia, confesso que balancei. Afinal, a memória afetiva do filme de 1995 é forte, mas o cinema pedia uma evolução visceral. É exatamente sobre essa jornada nostálgica e sangrenta que vamos conversar hoje. Vou te contar tudo sobre os bastidores, os acertos e os tropeços dessa produção.

Qual é a história e o contexto inicial por trás de Mortal Kombat 2021?

Para entender a proposta deste filme, precisamos olhar para o seu título original: Mortal Kombat. Sem subtítulos, indicando um recomeço do zero. O projeto nasceu com a enorme responsabilidade de apagar o fiasco de produções passadas e entregar aos fãs o que eles realmente queriam: artes marciais de alto nível e, claro, a brutalidade explícita que é a marca registrada dos jogos.

A trama decide apostar em um caminho diferente da linha do tempo tradicional. Em vez de abrir o torneio logo de cara, a história funciona como um grande aquecimento. Nós acompanhamos a preparação dos defensores da Terra (Earthrealm) contra as forças invasoras da Exoterra (Outworld). Para costurar esse enredo, o roteiro introduz um protagonista inédito chamado Cole Young, um lutador de MMA decadente que carrega uma marca de nascença misteriosa no peito — o famoso dragão do torneio —, indicando que ele foi o escolhido para proteger o nosso mundo.

Quem está no comando e qual é o elenco do filme?

A Warner Bros. tomou uma decisão ousada ao entregar um orçamento estimado em 55 milhões de dólares nas mãos de um estreante em longa-metragens. O diretor australiano Simon McQuoid, conhecido até então por comandar grandes comerciais de TV e campanhas de videogames, assumiu o desafio. Na produção, o nome de peso de James Wan (de Invocação do Mal e Aquaman) trouxe a chancela de qualidade e o tom sombrio que o projeto pedia.

No elenco, a produção preferiu investir em artistas marciais autênticos e atores focados no mercado internacional em vez de astros caríssimos de Hollywood. O resultado na tela entrega lutas plásticas e muito críveis:

·         Lewis Tan como Cole Young

·         Jessica McNamee como Sonya Blade

·         Josh Lawson como Kano (o verdadeiro alívio cômico do filme)

·         Tadanobu Asano como Lord Raiden

·         Mehcad Brooks como Jax Briggs

·         Ludi Lin como Liu Kang

·         Max Huang como Kung Lao

·         Chin Han como Shang Tsung

·         Joe Taslim como Bi-Han / Sub-Zero

·         Hiroyuki Sanada como Hanzo Hasashi / Scorpion

A escalação de Joe Taslim (Operação Invasão) e Hiroyuki Sanada (O Último Samurai) foi o maior acerto do diretor. A rivalidade ancestral entre Sub-Zero e Scorpion ganha um peso dramático absurdo logo nos primeiros minutos do longa graças à imponência física e ao talento desses dois monstros das telas.

Onde o longa foi filmado e quando aconteceu o lançamento?

A produção encontrou o cenário perfeito para misturar templos antigos com desertos isolados na Austrália Meridional (South Australia). As locações principais incluíram os estúdios de Adelaide e paisagens icônicas como os desertos de Coober Pedy, conhecidos por sua atmosfera quase alienígena e árida. Essa escolha ajudou a dar um tom realista e rústico para os cenários, fugindo do visual excessivamente digital de tela verde que costuma estragar grandes produções de ação.

O ano de lançamento foi 2021. O filme enfrentou o auge dos desafios de distribuição da pandemia da COVID-19, o que mudou completamente a estratégia da Warner Bros. Sua estreia oficial nos cinemas e simultaneamente na plataforma de streaming HBO Max aconteceu em 23 de abril de 2021 nos Estados Unidos. Mesmo com as salas de cinema operando com capacidade reduzida no mundo todo, o longa conseguiu registrar a maior audiência de estreia da história da HBO Max na época, provando a força esmagadora da base de fãs.

Quais são as melhores curiosidades dos bastidores?

Todo filme de grande porte carrega histórias interessantes por trás das câmeras, e com este reboot não foi diferente. Separei os fatos mais marcantes que mostram o nível de dedicação da equipe:

·         Quase proibido para menores (NC-17): O diretor Simon McQuoid revelou em entrevistas que a equipe de efeitos visuais pesou tanto a mão no sangue e no realismo das mortes que o filme chegou muito perto de receber a classificação máxima de censura nos EUA (NC-17). Eles precisaram reeditar milimetricamente alguns cortes para garantir a classificação R (maiores de 17 anos).

·         Sem dublês nas lutas principais: A grande maioria dos atores principais possui sólido background em artes marciais. Lewis Tan faz questão de realizar suas próprias acrobacias, enquanto Joe Taslim e Hiroyuki Sanada dispensam apresentações quando o assunto é o manejo de espadas e coreografias de combate corporal.

·         O sumiço de Johnny Cage: Uma das maiores polêmicas entre os fãs foi a ausência de Johnny Cage. O produtor Todd Garner explicou que Cage tem uma personalidade egocêntrica e espalhafatosa demais. Colocá-lo no primeiro filme iria canibalizar o espaço de Kano, que já cumpria o papel de alívio cômico sarcástico. O astro de Hollywood foi guardado estrategicamente como um "gancho" para a sequência.

Qual é a nota IMDb e a real crítica da obra?

No agregador de notas mais famoso da internet, o filme estabilizou com uma nota IMDb de 6.1/10. É uma pontuação que reflete perfeitamente a divisão de opiniões entre os críticos de cinema tradicionais e o público que só queria ver pancadaria honesta e bem executada.

A minha crítica sincera sobre a obra se resume em duas partes. Se avaliarmos o roteiro e o desenvolvimento de personagens, o filme derrapa. A introdução de Cole Young como protagonista soa desnecessária para quem já ama o universo dos games; ele funciona apenas como uma orelha do espectador para que os outros personagens expliquem a mitologia do universo. O conceito das "Arkanas" — a justificativa mística para os heróis despertarem seus superpoderes como se fossem mutantes — também parece um atalho preguiçoso de roteiro.

Por outro lado, quando o assunto é ação pura, o filme entrega um espetáculo brutal. A sequência de abertura ambientada no Japão feudal é cinema de primeira linha. O confronto final entre Scorpion e Sub-Zero cumpre cada promessa feita nos trailers, trazendo golpes clássicos transportados com perfeição para o live-action. O uso de efeitos práticos misturados com CGI na dose certa faz com que as famosas Fatalities tenham o impacto visual sangrento que o fã raiz esperava desde 1995. Não é uma obra de arte conceitual, mas é um prato cheio de diversão descompromissada e respeito à violência estética do material original.




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