V/H/S

 

Se você curte uma boa parada de terror e nostalgia dos anos 1990, com certeza já esbarrou ou precisa esbarrar em V/H/S. Lembro até hoje da primeira vez que assisti a essa fita. A sensação de desconforto misturada com aquela estética de câmera tremida me pegou de jeito. É o tipo de filme que te deixa tenso no sofá, segurando o copo de cerveja com mais força do que deveria. Lançado originalmente em 2012, esse longa se tornou um marco moderno do subgênero found footage (aquelas produções que fingem ser gravações reais encontradas por aí) e resgatou uma crudeza que o cinema de terror comercial estava perdendo.

O que é o filme V/H/S de 2012?

A premissa é simples, direta e bizarra. Um grupo de criminosos pés-de-chinelo é contratado por um cliente misterioso para invadir uma casa abandonada e roubar uma fita cassete específica. Só que, ao chegarem lá, eles encontram um cadáver na frente de um monte de televisores antigos e pilhas de fitas VHS.

Para achar o vídeo certo, eles começam a reproduzir fita por fita. É aí que a mágica do terror acontece. O título original é exatamente V/H/S, e ele funciona como uma antologia. Cada fita que os caras assistem é um curta-metragem de terror diferente, dirigido por uma mente sinistra da cena independente. A história principal serve como a linha condutora que une esses contos bizarros de fantasmas, alienígenas, assassinos e rituais que dão errado.

Quem está por trás da direção e do elenco?

Uma das coisas mais legais desse projeto é que ele reuniu um time de peso do terror indie. Não temos apenas um diretor, mas vários comandando os segmentos. Nomes como Adam Wingard (que depois explodiu com Godzilla vs. Kong), David Bruckner (O Ritual), Ti West (X - A Marca da Morte), Glenn McQuaid, Joe Swanberg e o coletivo Radio Silence assinam as histórias.

No elenco, você não vai encontrar superestrelas de Hollywood, o que é ótimo, porque aumenta o realismo da parada. Temos rostos conhecidos do circuito alternativo como Calvin Reeder, Lane Hughes, Adam Wingard (que também atua), Hannah Fierman — que faz uma criatura bizarra inesquecível logo na primeira fita — e Joe Swanberg. Essa galera entrega atuações bem viscerais, parecendo mesmo pessoas comuns gravando seus próprios pesadelos.

Onde o filme foi gravado e qual sua nota no IMDb?

As filmagens rolaram em diversas locações nos Estados Unidos, dependendo de onde cada diretor estava baseado. Grande parte do segmento principal foi rodada em Los Angeles, na Califórnia, mas outras partes usaram cenários em Chicago e florestas mais isoladas para dar aquele clima de "lugar nenhum onde ninguém vai te ouvir gritar".

Se formos olhar a recepção do público geral, a nota IMDb dele gira em torno de 5.8 de 10. Para quem não está acostumado com o gênero, parece baixa. Mas ó, um aviso de amigo: terror de nicho, principalmente no formato de antologia e câmera tremida, sempre divide opiniões e sofre com notas em agregadores. Para os verdadeiros fãs do estilo, o impacto cultural e a diversão são de um filme nota 8, fácil.

Quais são as melhores curiosidades dos bastidores?

O processo de produção desse filme tem uns detalhes que todo cara que gosta de cinema vai curtir saber. Separei as melhores curiosidades para você entender como a mente desses diretores funciona:

·         Técnica raiz: Para fazer o filme parecer realmente antigo e desgastado, os diretores não usaram apenas filtros digitais. Eles gravaram em câmeras digitais modernas, transferiram o material para fitas VHS de verdade, rodaram as fitas em aparelhos videocassete velhos para gerar os chiados e imperfeições, e só depois digitalizaram o resultado final.

·         Susto real no festival: Durante a exibição no Festival de Cinema de Sundance em 2012, duas pessoas passaram mal na sala de cinema devido à intensidade e ao realismo das imagens, e uma delas precisou de atendimento médico. Isso acabou virando uma puta propaganda espontânea para o filme.

·         O nascimento de uma criatura: O primeiro segmento, chamado Amateur Night, fez tanto sucesso que a criatura interpretada por Hannah Fierman ganhou um filme próprio anos depois, chamado Siren (2016).

Vale a pena assistir a esse terror hoje em dia?

Mandando a real na nossa crítica final: vale cada minuto se você souber o que está procurando. V/H/S não é um filme de terror feito para agradar todo mundo no cinema do shopping. Ele é sujo, tenso, por vezes violento e muito criativo. A estrutura de antologia é ótima porque, se você não curtir muito uma história, em quinze minutos já começa outra totalmente diferente.

O filme envelheceu bem porque mexe com aquele medo primordial do desconhecido e com o voyeurismo de estar vendo algo que claramente não deveria ter sido gravado. Se você quer apagar as luzes da sala, abrir uma boa cerveja e tomar uns sustos honestos com os amigos no final de semana, pode dar o play sem medo. É diversão garantida para quem curte o lado mais sombrio do cinema.



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