Se você curte um bom faroeste, daqueles que te prendem na cadeira do
primeiro ao último minuto, senta aí que a gente precisa conversar sobre um
baita filme. Estou falando de Bravura Indômita,
uma obra-prima que resgata a essência do Velho Oeste de um jeito totalmente cru
e realista.
Eu lembro exatamente da sensação quando assisti a esse filme pela
primeira vez. Ele não tenta te vender aquela imagem romantizada dos cowboys
perfeitos; pelo contrário, mostra a poeira, o sangue e a vingança em sua forma
mais pura.
O que torna Bravura Indômita um filme
tão marcante?
Para entender o impacto do filme, a gente precisa olhar para quem está
por trás das câmeras. Lançado no ano de 2010, o longa
traz o título original de True Grit. Ele
é, na verdade, uma nova adaptação do livro de Charles Portis, que já tinha sido
levado aos cinemas em 1969 com o lendário John Wayne.
Mas a versão de 2010 ganhou uma alma completamente nova graças aos diretores Joel e Ethan Coen (os famosos Irmãos Coen).
Esses caras sabem como ninguém construir uma atmosfera tensa, misturando
violência com tiradas de humor ácido. O resultado dessa receita foi um sucesso
estrondoso de crítica e público, ostentando hoje uma respeitável nota de 7,6 no IMDb.
A história acompanha Mattie Ross, uma garota de 14 anos que busca
justiça (ou melhor, vingança) após o assassinato do pai. Para caçar o
assassino, ela contrata Rooster Cogburn, um xerife caolho, beberrão e de
gatilho fácil.
Quem faz parte do elenco de Bravura
Indômita?
O grande trunfo desse filme está na química de um elenco que entregou
tudo em cena. O trio de protagonistas é um espetáculo à parte:
·
Jeff Bridges assume o papel de Rooster Cogburn. O
cara conseguiu a proeza de pegar um personagem que deu o único Oscar da
carreira de John Wayne e recriá-lo do zero, entregando um velho durão,
rabugento e visceral.
·
Hailee Steinfeld, que na época tinha apenas 13 anos,
interpreta Mattie Ross. Ela bate de frente com os veteranos com uma imponência
absurda. É ela quem carrega o filme nas costas com uma determinação implacável.
·
Matt Damon dá vida a LaBoeuf, um Texas Ranger
orgulhoso e falastrão que entra na caçada. A dinâmica de provocações entre ele
e o personagem de Bridges é sensacional.
·
Josh Brolin aparece mais para o final como Tom
Chaney, o homem caçado, entregando a dose certa de covardia e perigo que o
papel pedia.
Onde o filme foi gravado e quais são
suas curiosidades?
Se você reparar bem na fotografia do filme, vai perceber que os cenários
são praticamente personagens da história. A locação principal se
dividiu entre as paisagens áridas e frias do Novo México e de Austin, no Texas. Os Irmãos Coen fizeram questão de
fugir daquele visual ensolarado de estúdio para filmar em cenários reais, o que
trouxe um tom cinzento, melancólico e muito mais realista para a jornada.
Nos bastidores, existem algumas curiosidades bem legais sobre a
produção:
·
A busca pela protagonista: Para achar a atriz
ideal para Mattie Ross, a produção fez testes com mais de 15 mil garotas até
escolherem Hailee Steinfeld. Foi um tiro certeiro.
·
Chuva de indicações: O filme foi um
fenômeno tão grande que recebeu 10 indicações ao Oscar,
incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator para Jeff Bridges.
·
Fidelidade ao livro: Ao contrário do
filme de 1969, a versão de 2010 é muito mais fiel ao livro original, focando a
narrativa sob a perspectiva da jovem Mattie, e não do xerife.
Qual é a minha crítica real sobre a
obra?
Na minha opinião, Bravura Indômita é
um dos melhores faroestes modernos já feitos. O que mais me agrada no filme é a
forma como ele aborda a honra e a obstinação. Não há espaço para fraqueza ali.
A jornada molda os personagens, e a relação que nasce entre o velho lobo do
deserto e a garota obstinada é construída sem sentimentalismo barato. É o
respeito mútuo conquistado na base do chumbo e da sobrevivência.
A fotografia de Roger Deakins é impecável, transformando cada plano em
uma pintura melancólica do Oeste americano. Se você busca um filme com diálogos
afiados, ritmo certeiro e atuações brutas que grudam na mente, esse longa é
parada obrigatória. É o tipo de cinema feito para quem gosta de histórias de
alto nível, sem firulas.
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