Livrai-nos do Mal (Deliver Us From Evil)

 

Se você curte aquele tipo de filme que mistura a realidade nua e crua das ruas com um terror de arrastar os móveis, senta aí e toma um café comigo. Quero te falar sobre uma obra que assisti recentemente e que me impressionou pela pegada firme: Livrai-nos do Mal.

Sabe aqueles dias em que você só quer ver um suspense policial pesado, com homens durões lidando com o pior da humanidade, mas a história de repente vira a esquina e te joga direto nos braços do sobrenatural? É exatamente isso o que acontece aqui. Vou te contar em detalhes como essa produção consegue prender a atenção do começo ao fim sem parecer boba, unindo o melhor dos dois mundos.

Qual é a história por trás de Livrai-nos do Mal?

Lançado no ano de lançamento de 2014, o longa traz o título original Deliver Us from Evil. A trama acompanha a rotina de Ralph Sarchie, um sargento da polícia de Nova York que trabalha no Bronx, uma das áreas mais complicadas da cidade. O cara é cético por natureza, acostumado a lidar com a maldade humana real: violência doméstica, crimes de rua e a podridão do cotidiano. Ele e seu parceiro começam a atender chamados bizarros, como o de uma mãe que surta e joga o próprio filho na jaula dos leões em um zoológico.

A investigação avança e Sarchie percebe que os casos estão conectados a três ex-fuzileiros navais que serviram no Iraque e trouxeram algo muito ruim de lá de dentro de uma caverna. É aí que o caminho dele cruza com o do Padre Mendoza, um jesuíta nada convencional que saca tudo de demonologia. O policial precisa deixar o ceticismo de lado e se aliar ao padre para salvar a própria pele e proteger sua família.

Quem está no comando e no elenco do filme?

A direção ficou por conta de Scott Derrickson, um cara que já tem o nome carimbado no gênero por comandar O Exorcismo de Emily Rose e A Entidade. Ele sabe como criar um ambiente cinzento, chuvoso e claustrofóbico.

No elenco, quem carrega o piano na pele do protagonista é o australiano Eric Bana, entregando uma atuação muito sólida de um homem consumido pela culpa e pelo cansaço do trabalho. Ao lado dele, o ator venezuelano Édgar Ramírez interpreta o Padre Mendoza com uma imponência absurda. Esqueça aquele estereótipo de padre frágil; o Mendoza de Ramírez fuma, bebe e encara os demônios olho no olho. A talentosa Olivia Munn faz a esposa de Sarchie, e o ator Sean Harris entrega uma performance assustadora como Santino, o militar possuído.

Como pano de fundo, a locação principal do filme é a cidade de Nova York. A produção usou cenários reais do Bronx e também gravou em estúdios em Astoria, no Queens. Essa ambientação urbana e suja dá um tom de realismo fantástico para a história. Na plataforma do IMDb, a nota atual da obra é de 6.2/10, o que eu considero injusto, pois o filme entrega muito mais do que a média dos terrores por aí.

Quais são as maiores curiosidades da produção?

Uma das coisas mais legais de Livrai-nos do Mal é saber que ele foi baseado no livro Beware the Night, escrito pelo próprio Ralph Sarchie real em parceria com Lisa Collier Cool. Ou seja, as histórias de possessão e os relatos policiais saíram de arquivos reais de um ex-fardado que virou investigador paranormal.

Nos bastidores, existem algumas histórias bem interessantes:

·         O papel quase foi de outro: O papel principal foi oferecido primeiro para Mark Wahlberg, mas ele recusou, abrindo espaço para a excelente escalação de Eric Bana.

·         Maquiagem extrema: O ator Sean Harris passava mais de 7 horas na cadeira de maquiagem para aplicar cerca de 150 próteses no corpo para as cenas mais pesadas. Para evitar o processo diário, ele chegou a pedir para dormir no set com a maquiagem.

·         Trilha sonora icônica: O filme é recheado de referências e músicas da banda The Doors. Na cena do exorcismo final, o personagem Santino recita frases de uma faixa do grupo, criando uma atmosfera bizarra.

Vale a pena assistir a esse filme hoje em dia?

Fazendo uma crítica sincera da obra, o grande mérito do diretor é não transformar o filme em um festival de sustos baratos (jump scares). A narrativa flui como um bom romance policial noir, onde a lanterna do policial vai iluminando becos escuros até encontrar algo que a lógica não explica. A química entre Eric Bana e Édgar Ramírez funciona perfeitamente; o embate entre a razão do distintivo e a fé da batina é o ponto alto do roteiro.

O clímax, que é o exorcismo final em uma sala de interrogatório da polícia, é tenso, barulhento e visceral. É cinema feito para quem gosta de narrativas urbanas, misteriosas e com uma boa dose de adrenalina. Se você quer um filme de terror focado no suspense psicológico e na ação policial de alto nível, vale cada minuto do seu tempo no sofá.




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