Sabe
quando a energia acaba por algumas horas e a gente já fica meio perdido sem
internet? Agora, imagine se o apagão fosse geral, definitivo e o mundo inteiro
simplesmente parasse de funcionar. É exatamente com esse cenário brutal de
sobrevivência que me deparei ao assistir No Escuro da Floresta,
um filme que troca a tradicional correria dos blockbusters de apocalipse por
uma pegada muito mais intimista, crua e psicológica.
Se você curte histórias focadas em como o ser humano
reage quando perde todas as mordomias da vida moderna, vem comigo que vou te
contar por que essa obra merece a sua atenção.
Qual é a história por trás de No Escuro da Floresta?
O longa, cujo título original é Into the Forest, nos
joga direto no cotidiano de Nell e Eva, duas irmãs que vivem com o pai em uma
casa hipertecnológica e isolada no meio de uma floresta densa. Do nada, o
continente sofre um colapso elétrico total. Sem internet, sem luz, sem gasolina
e com os recursos do mercado acabando em poucos dias, a calmaria do lugar se
transforma em um teste de resistência psicológica.
Lançado oficialmente no ano de 2015 (com circuito
comercial expandido em 2016), o filme é baseado no livro homônimo de Jean Hegland.
O que me chamou a atenção aqui foi a escolha da diretora Patricia Rozema. Em
vez de apostar em explosões ou hordas de saqueadores correndo para todo lado,
ela foca no peso do isolamento e na transformação forçada daquelas jovens
urbanas em sobreviventes no meio do mato.
Quem está no comando e no elenco desse desafio?
A dinâmica do filme funciona porque a dupla principal
entrega uma atuação monstruosa. Quem dá vida às irmãs são Elliot Page (Nell) e
Evan Rachel Wood
(Eva). Elas conseguem passar uma sensação de desespero e amadurecimento que te
faz pensar o tempo todo: "E se fosse eu ali?".
O elenco ainda conta com nomes de peso como Max Minghella (o
Eli), Callum Keith Rennie
(interpretando o pai das garotas) e Michael Eklund. A
química entre os atores é pesada, realista e sem espaço para heroísmos baratos
de Hollywood. É gente comum tentando não enlouquecer enquanto o mundo desaba lá
fora.
Onde o filme foi gravado e como é a ambientação?
Se tem um elemento que funciona como um personagem vivo
na trama, é a própria natureza. A locação principal das filmagens rolou na
região de Campbell River, na Colúmbia
Britânica, no Canadá. Aquela região do noroeste pacífico entrega
exatamente o que o roteiro pedia: uma floresta que, ao mesmo tempo que protege
e fornece alimento, sufoca pelo tamanho e pelo isolamento.
A fotografia aproveita demais a luz natural. Conforme os
meses passam na história e a casa vai se deteriorando, a floresta parece
engolir a civilização, criando um visual cinzento e úmido que dá para sentir o
frio daqui do sofá.
Quais são as principais curiosidades dos bastidores?
Cara, os bastidores desse filme mostram o quanto a equipe
estava comprometida com o realismo da parada. Separei alguns fatos bem
interessantes sobre a produção:
·
Conexão
real: Elliot Page descobriu o livro por
acaso em uma livraria em Halifax e ficou tão obcecado pela história que correu
atrás dos direitos para produzir o filme. Ele mesmo convidou Evan Rachel Wood
para o projeto.
·
Intensidade
máxima: Durante uma cena de carga
emocional absurda, Evan Rachel Wood se entregou tanto ao papel que chegou a
estourar vasos capilares ao redor dos olhos de verdade.
·
Preparação: Para fazer a relação de irmãs colar na tela, as duas
atrizes passaram semanas convivendo direto antes das gravações, criando um laço
real que transparece em cada olhar de cumplicidade ou briga no filme.
Vale a pena assistir? Confira a minha crítica sincera
Se você for dar uma olhada na recepção geral, o longa
ostenta uma nota 5.8 no IMDb. Sendo
bem honesto, acho uma nota injusta, provavelmente deixada por uma galera que
esperava um filme de ação desenfreada estilo Mad Max.
Minha avaliação é bem mais positiva. O que mais me agrada
na obra é o realismo prático. A água acaba, a comida apodrece, o teto cede e
pequenos ferimentos viram ameaças mortais. O filme mostra que o verdadeiro
perigo não é apenas a falta de energia, mas o que o isolamento faz com a mente
humana e a ameaça que outros homens desesperados representam. É um suspense
tenso, maduro, que não subestima quem está assistindo e entrega um final
poético sobre desapego e recomeço. Para quem curte o gênero de sobrevivência
sem floreios, é um prato cheio.
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