O Afinador (Turner)

 


Se você curte aquele tipo de filme que mistura uma pegada clássica de suspense com um ritmo inteligente, senta aí que a gente precisa conversar sobre uma das grandes surpresas recentes do cinema. Sabe quando você começa a assistir a uma produção sem esperar muito e, de repente, se vê completamente preso pela tensão da história? Foi exatamente isso que aconteceu comigo quando assisti a O Afinador (título original: Tuner).

Vou te contar todos os detalhes dessa obra, desde a produção até as curiosidades de bastidores, para você entender por que esse thriller criminal com alma musical merece um espaço na sua lista do final de semana.

Qual é o contexto inicial e a história de O Afinador?

A trama nos apresenta a Niki White, um jovem afinador de pianos talentoso, mas que carrega um baita problema: ele sofre de hiperacusia, uma condição que torna os ruídos do dia a dia quase insuportáveis. O cara trabalha lado a lado com Harry Horowitz, seu mentor e um veterano da profissão.

A grande virada — e onde o bicho pega — acontece quando Niki percebe que o mesmo ouvido cirúrgico que ele usa para ajustar as cordas de um piano serve perfeitamente para decifrar os segredos de trancas e abrir cofres analógicos. Quando seu mentor passa por um problema grave de saúde e as contas do hospital começam a sufocar, Niki toma aquela decisão perigosa que qualquer um de nós pensaria duas vezes antes de tomar: usar esse dom oculto no submundo do crime para levantar uma grana rápida. Como você já deve imaginar, mexer com gente errada nunca termina bem, e a vida do cara vira um verdadeiro inferno.

Quem está por trás e na frente das câmeras neste projeto?

O comando do filme ficou nas mãos do diretor Daniel Roher, que ganhou muita moral na indústria após vencer o Oscar pelo documentário Navalny. No roteiro, ele divide os créditos com Robert Ramsey. Para dar vida a essa história com a firmeza necessária, as filmagens principais aconteceram nas ruas frias e urbanas de Toronto, no Canadá, o que trouxe uma atmosfera cinzenta e realista perfeita para o tom do filme.

No elenco, a escalação foi certeira. O protagonista Niki é interpretado por Leo Woodall (que explodiu na série The White Lotus), entregando uma atuação foda como o cara comum que se enfia em uma roubada monumental. Para elevar o nível, o lendário Dustin Hoffman faz o papel de Harry, trazendo aquele peso dramático de respeito. Completando o time, temos Havana Rose Liu como Ruthie, Lior Raz (o casca-grossa da série Fauda) e o veterano ator francês Jean Reno.

Quais são as principais curiosidades dos bastidores?

Uma das coisas mais legais que descobri sobre a produção é como eles trataram o design de som. Em vez de usarem a perda auditiva e a sensibilidade do protagonista como mera desculpa de roteiro, a equipe de áudio fez um trabalho animal: quando Niki está tentando abrir um cofre, o som ambiente diminui e pequenos estalos que a gente ignoraria no dia a dia explodem na caixa de som. Você se sente na pele do cara, suando frio junto com ele.

O longa teve sua estreia mundial no prestigiado Festival de Cinema de Telluride no dia 30 de agosto de 2025. A recepção foi tão forte nos circuitos de festivais que a distribuidora Paris Filmes garantiu o lançamento nos cinemas e plataformas logo em seguida. Outro ponto interessante é que, para se preparar para o papel, Leo Woodall passou semanas estudando a mecânica interna de pianos antigos e cofres de alta segurança de meados do século passado para que seus movimentos parecessem naturais em cena.

Vale a pena assistir? Confira a nossa crítica sincera

Direto ao ponto: vale muito a pena. No agregador IMDb, a nota do filme se consolidou em 7.5, o que mostra um excelente equilíbrio entre a opinião do público e da crítica especializada. O que mais me agradou em O Afinador foi o fato de ele não tentar inventar a roda ou pagar de cult intelectual demais. É um suspense policial honesto, direto, focado na tensão e nas consequências de escolhas erradas.

A dinâmica de mentor e aprendiz entre o Dustin Hoffman e o Leo Woodall funciona de um jeito muito natural, parecendo dois caras que realmente se respeitam na vida real. Embora o romance no meio do caminho perca um pouco do fôlego na metade final, o clímax compensa com uma sequência de tirar o fôlego baseada puramente no silêncio e no som mecânico dos ponteiros de metal. Se você curte filmes de assalto bem amarrados, com uma dose de drama humano e sem aquela palhaçada de efeitos visuais exagerados, esse filme é um tiro certeiro.

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